É lúdico, é diversão, é educação, é cultura
Divulgar a produção local para arregimentar novos leitores – e, quem sabe, futuros escritores: é dessa forma que pode ser encarado o projeto Pratas da casa, iniciado em agosto dentro do programa Curumim, da Secretaria de Desenvolvimento Social. Planejada em 2013, a iniciativa tem o objetivo de apresentar o mundo da literatura para as crianças e os pré-adolescentes atendidos nas oito unidades de Juiz de Fora, despertando o interesse pelas palavras e o desejo de praticar a leitura e a escrita dessa nova geração. O projeto deve seguir ainda durante setembro, e parte do que for produzido nas oficinas será exposta em novembro em uma mostra no CCBM.
O primeiro autor juiz-forano escolhido para esta edição foi Marcelo Manhães, que também é ilustrador. Entre as obras trabalhadas no Pratas da casa, estão O peixe, O dragão e a formiga formidável e Jequitibá. Fiquei surpreso ao receber o convite, pois ele foi feito já no decorrer do projeto, nem sabia que estavam trabalhando com meus livros. Sempre pautei meu trabalho no crescimento do indivíduo, tratando de temas como o meio ambiente, disse Marcelo, que iniciou sua carreira literária em 2005 – mesmo ano em que participou pela primeira vez do Curumim. Ele já tem 11 trabalhos publicados e espera colocar mais dois nas prateleiras até o final do ano.
O objetivo de todo artista é ter no seu trabalho um efeito multiplicador. Além de agradar e divertir, nossa meta é que a criança cresça e se desenvolva, reflita sobre si mesma, pontuou Marcelo, que encarou o frio intenso do último dia 28 de agosto para ir até o Cras São Benedito a fim de conferir os trabalhos já realizados e conversar com os estudantes. As baixas temperaturas no alto do bairro (com direito a nuvens baixas) também não desanimaram as dezenas de jovens da localidade que foram conferir as atividades. Entre eles, estava Bruno Passos Barbosa, de 13 anos, aluno do 8º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Professor Lindolfo Gomes e que já leu Jequitibá e Ladrão de nuvens, de autoria de Marcelo Manhães. Desde pequeno, sempre gostei de livros, revistas em quadrinhos. Procuro participar das atividades e, inclusive, penso em passar algumas histórias minhas para o papel.
Wellington Monteiro da Silva, de 15 anos, do 9º ano da mesma instituição de ensino, participa pelo segunda vez do programa, assim como Bruno. Segundo ele, sua mãe o incentiva em casa no hábito da leitura. Essas atividades têm melhorado minha escrita me motivado a escutar mais os professores em sala de aula e até na vida cotidiana. Hoje falo com mais fluência, menos timidez, contou o jovem.
Uma das educadoras integrantes do programa Curumim, Fabiane Reis explica que este é o terceiro ano em que se desenvolve uma iniciativa para incentivar a leitura entre os jovens, sendo realizada no contraturno escolar das instituições de ensino estaduais e municipais. Cerca de mil estudantes participam do projeto nas oito unidades. As crianças já estavam animadas porque desenvolvemos projetos como este desde 2012. No primeiro ano foram as fábulas, em que uma educadora contava as histórias, e os jovens criavam as suas. No ano passado, fizemos oficinas sobre habilidades sociais em histórias em quadrinhos, no mesmo esquema. Encontramos crianças com aptidões artísticas, aos poucos vamos descobrindo esses novos artistas, acredita Fabiane. Nós também vamos ter um local para disponibilizar os livros, que eles poderão pegar para ler e devolver posteriormente, completa.









