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Samba Raul


Por MAURO MORAIS

31/01/2016 às 07h00

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Quando o bloco começar a festa neste domingo – Toca Raul!!! -, às 16h, na Praça da Estação, a bagunça estará um pouco mais organizada. É que o som valvulou além da conta. E a frequência pode subir ainda mais, superando os cinco mil foliões de 2015, e, até, quebrando o recorde de 2014, com dez mil pessoas. “O carnaval é a festa da inversão e não pode ser muito organizado. Durante a folia, o prefeito entrega o poder ao Rei Momo, que é um palhaço. Acabamos crescendo e, por isso, tivemos que colocar ordem. Mas ainda guardamos certa rebeldia, principalmente no palco. A gente preza pela liberdade artística”, defende Goulart.Eles caem no chão. Deitam e rolam. Brincam em cena, fingem oferecimentos que não existem, imitam, até, Nelson Ned, andando ajoelhados. Se esbaldam, como em 2008, quando decidiram batucar em frente ao Mezcla cantando o carnaval que apreciam. Eles, os integrantes do Parangolé Valvulado, se refestelam. Como Raul Seixas, ficam maluco beleza. Perdem a vergonha, mas não a palavra. O que o roqueiro tem a ver com os foliões? Com a palavra, o guitarrista da trupe, Danniel Goulart: “Raul sempre foi nossa conversa de boteco. Ele e nós temos a irreverência, a atitude rock’n’roll, sem descuidar da poética. Sempre tivemos uma letra ligada à beleza, mas contestadora.”

A arte, por sinal, é o que une. Músicos, artistas visuais, estilistas, pesquisadores, mas também funcionários públicos, bancários e muitos outros profissionais, que, se não estão no palco, estão na plateia. O Parangolé, que agora “virou uma empresa”, nasceu para fazer um “anti-carnaval”, como diz uma de suas fundadoras, a artista visual e dona do tamborim Valéria Faria. “Queríamos a folia de amigos, o bloco sujo de rua”, diz ela. Profissionais? Parcialmente. “Quando os músicos chegaram, chegou também a afinação. Aos poucos, o Angelo Goulart, que acabou assumindo a função de mestre de bateria, foi expulsando as panelas e comprando os instrumentos. Com isso, quem não é da música se viu na obrigação de entender um pouco mais”, conta Valéria.

Plunct plact zummm

Cresceu, fortaleceu e parou. O bloco que surgiu num domingo de carnaval chuvoso se desenvolveu tanto até estacionar. Saiu da frente do Mezcla – que só resiste na memória – para ocupar a Praça da Estação. “O Parangolé aconteceu de maneira muito espontânea. No primeiro ano não teríamos nada, mas decidimos criar uma letra. Pouco a pouco as pessoas foram chegando, e, quando vimos, já haviam mais de dez dando palpites para um frevo-enredo. Lá atrás a gente queria só brincar mesmo”, diz Danniel Goulart. Reclamaram do formato show, como aconteceu no ano passado. Este ano, então, o bloco fará um pequeno – bem pequeno – cortejo. Andará pela Rua Dr. Paulo de Frontin até o palco da praça. “A essência do Parangolé é o movimento, também”, pontua Valéria Faria.

E não para, não para, não para, não. O bloco prepara, ainda, serviço de bar e uma butique com produtos personalizados, como camisas e canecas. “Precisamos finalizar o disco e estamos usando o dinheiro dos ensaios para fazer esses produtos, que terão a renda revertida para o CD”, observa Valéria. O álbum, financiado parcialmente pela Lei Murilo Mendes, já está 70% gravado, mas espera o resultado de um financiamento coletivo pelo site Benfeitoria (http://benfeitoria.com/cdparangole). Aguardando sanção do Prefeito Bruno Siqueira para se integrar ao Calendário Oficial de Juiz de Fora, sempre no domingo que antecede o carnaval, o Parangolé Valvulado se enfeita para os dez anos de folia em 2017.

“O que tem de legal no bloco é que todo mundo circula pelas artes. E, por esses caminhos, estão sempre questionando tudo, debatendo o mundo, abertos às mudanças”, aponta Valéria, lembrando dos parangolés de Hélio Oiticica, inspiração inicial, levados a cabo com restos de tecidos e, hoje, desenvolvidos em detalhes milimétricos, certinhos. Raul Seixas aprovaria essa farra toda? Segundo Danniel Goulart, Toninho Buda, parceiro de Raul durante anos, gostou. “Mas ele era uma metamorfose ambulante, não é?! Fica difícil saber.”

Chora pierrô!

“Todo o carnaval tem seu fim”, cantam os Los Hermanos. Cantam também os integrantes do carioca Bloco Pra Iaiá, sem pensar em por um ponto final na folia. Composto por fãs da banda que retornou aos palcos, para única turnê, em 2015, o grupo carnavalesco toca as músicas elaboradas e poéticas do quarteto formado por Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Rodrigo Barba e Bruno Medina. O bloco com 15 instrumentistas e dois mestres de bateria e arranjadores desembarca em Juiz de Fora nesta segunda-feira, 1º de fevereiro, para show na Praça Antônio Carlos, às 20h. Do Leme para JF, os cariocas confirmam a veia carnavalesca de uma banda que se aventurou, por diversas vezes, a introduzir a folia como temática. Às 18h, na mesma praça, Thiago Miranda apresenta seu “Samba do Miranda”, uma roda com clássicos e composições recentes.

 

Confira a letra de 2016

Toca Raulllllll !!!!!

Ói ói óia o trem, Gitá (4x)

Parangolé Raulvulado

Tu és o grande amor da minha vida

Cowboy fora da lei de salvador

A nossa sociedade, alternativa

Mano onde ocê vai eu também vou

Não diga que a canção está perdida

Let me sing, rock and roll

O bloco valvulado na avenida

No dia em que a terra parou

Aaaaaaaaaaaaaa (4x)

Me come, me cospe, me beija

Canceriano sem lar

Nós somos a luz das estrelas

Nós somos a cor do luar

Não temos mais medo da chuva

Se eu quero e você quer

Enlouquecer no Parangolé

Sempre Maluco Beleza

Não pasto capim-guiné

Posso partir sem problema algum

Metamorfose brilhante

Nunca um sujeito qualquer

Plunct plact plunct plact zummm

Nóis não vamo pagar nada (7x)