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Homenagem aos modernistas


Por LEONARDO TOLEDO

31/01/2012 às 07h00

Há 90 anos, pintores, músicos e escritores da vanguarda brasileira ocupavam o Teatro Municipal de São Paulo, dispostos a fazer barulho e comprovar que chegara a hora de colocar abaixo as convenções do passado. A liberdade criativa que essa geração reivindicava abriu caminhos para a pluralidade da produção contemporânea. Esse, talvez, seja o principal elo entre os pioneiros de 1922 e o artista mineiro Carlos Thága, um dos 18 selecionados para integrar a mostra "Semana de Arte Moderna – 90 anos", que será aberta no próximo dia 11, no Empório Artístico Michelangelo, em São Paulo.

Thága participará da exibição paulistana com duas pinturas em óleo sobre tela, ambas pertencentes à sua vertente abstracionista. O artista, que também tem trabalhos figurativos, explica que explorou a linguagem contemporânea de formas distintas nas duas obras. Em "O crepúsculo", trabalha o aspecto da finitude a partir de uma técnica gestual e com tons escuros, que lembram escombros de uma antiga construção. No topo da imagem, um círculo vermelho introduz a simbologia do infinito em meio a uma atmosfera soturna.

No quadro "Homenagem a Paul Klee", Thága presta um tributo ao mestre cubista sem recorrer a citações diretas. O mineiro, entretanto, utiliza-se da abstração geométrica que caracteriza a obra do pintor suíço.

Apesar de não haver ligação temática com a obra dos integrantes da Semana de Arte Moderna, Carlos Thága acredita que suas telas compartilhem com os vanguardistas referências importantes da produção contemporânea que essa geração antecipou. "Hoje, não há definição de técnicas ou assuntos nobres. É preciso apenas seguir uma linguagem pessoal, capaz de ser identificada sem que o espectador precise de conferir a assinatura", argumenta.

A participação na mostra em fevereiro também marca o início de outra parceria entre Carlos Thága e a galeria paulistana. O pintor revela que foi convidado a assinar contrato permanente com a instituição, que continuará exibindo e vendendo suas obras. Criado em 1915, inicialmente como escola de pintura, o Espaço Artístico Michelângelo é uma das mais antigas galerias de arte da cidade de São Paulo.

Natural de Cataguases, Thága vive em Juiz de Fora desde os 13 anos de idade. "Eu me considero um cidadão juiz-forano, porque é daqui que eu me comunico com o mundo", afirma o artista, que mantém ampla atuação junto às redes sociais. Segundo ele, uma forma de se manter antenado com a produção contemporânea em diferentes países. Por meio da galeria virtual que mantém na rede, por exemplo, afirma ter alcançado maior visibilidade e conseguido vender obras para colecionadores dos Estados Unidos, Canadá, Portugal, França, Espanha e Índia.