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Desbravando fronteiras


Por JÚLIA PESSÔA

30/11/2013 às 07h00

No espírito daqueles que alargaram as fronteiras de Minas Gerais procurando por riquezas, o Tropeiro Rock Tour vem expandir os limites da música autoral, de olho em uma única riqueza: rock’n’roll de qualidade. Iniciado ontem com um show em Belo Horizonte, o festival itinerante chega hoje a Juiz de Fora, com as bandas Martiataka, as também mineiras Verbase e Radiotape e os cariocas do Leela. Segundo Del Guiducci, vocalista do Martiataka e um dos idealizadores do projeto, a ideia é unir forças entre as bandas, para não depender de convite de casas noturnas ou produtores. É uma versão modesta, mas com o mesmo conceito dos grandes festivais itinerantes que excursionavam pelos Estados Unidos na década de 1990, como era o Lollapallooza e depois o Ozzfest, e no mesmo molde que algumas bandas grandes vêm fazendo juntas nos últimos anos, se unindo para atrair mais público.

Para o músico, a vantagem do formato atropelamento e fuga, com shows curtos, de cerca de 40 minutos, é ideal para a divulgação de bandas independentes. Se o cara não estiver gostando, não vai chegar a odiar, porque acaba rápido, e logo em seguida vem outra; se estiver gostando, vai ficar aquele gostinho de quero mais, e aí, quem sabe, até compra uns CDs. Todo mundo sai ganhando: o público, que vê quatro shows pelo preço de um; a casa, que atrai um número maior de pagantes; as bandas, que têm oportunidade de mostrar seu trabalho para outras plateias, outras casas, outras cidades, explica Del.

Vocalista da Radiotape, que faz um rock sincero, sem frescuras e com influências britânicas e mineiras, Adilson Badaró acrescenta que estar na estrada possibilita um alcance muito maior à música autoral. É claro que a internet permite uma difusão muito grande, mas acreditamos muito na questão física, de estar presente no momento do show e carregar a música de emoções daquele momento, é um grande diferencial para mostrar um trabalho, diz, destacando que tocar com estas bandas é um reencontro de amigos. Estamos sempre tocando juntos e nos influenciando, além de o Flamengo unir muitos de nós, brinca ele, irmão de Anderson Badaró, vocalista da Verbase, que prepara seu terceiro disco, bebendo na fonte da psicodelia.

Aportando do Rio, o Leela, que tem o trabalho permeado pelo espírito on the road que o Tropeiro Rock propõe, aproveita a viagem para apresentar seu último disco, Música todo dia, que vem depois de um hiato de cinco anos. O disco tem mais sintetizadores, mais timbres de teclados e letras que refletem sobre a vida, e muito disso vem de andanças nossas pelo mundo, de conhecer novos lugares e novas experiências, conta Bianca Jhordão, que se reveza na voz e guitarra, além de tocar theremim com destreza. Para ela, iniciativas como o Tropeiro são fundamentais para a sobrevivência da música autoral. Para que haja, de fato, uma cena independente, é preciso companheirismo, união e cooperação. Temos que agitar a circulação do nosso trabalho e fortalecer uns aos outros. Estamos todos no mesmo barco: movidos pela paixão.

ROCK TROPEIRO TOUR

Hoje, a partir das 22h

Bar da Fábrica

(Praça Antônio Carlos)