Cultura das ruas em evidência

Isabella Campos fotografou o trabalho dos grafiteiros da cena local e mostra o resultado em exposição
A cultura que vem das ruas das grandes cidades pode reunir toda forma de expressão: MCs, rappers e DJs, estilistas, artesãos, fotógrafos, grafiteiros, ilustradores e até mesmo os que curtem a gastronomia que não passa nos reality shows. E é toda essa galera que estará reunida, neste domingo, na CasaBsurda Setezerotrês, na primeira edição do “GRAFFITI AbSURDO”, organizado pelos residentes do imóvel com o apoio dos grafiteiros juiz-foranos, da Associação de Hip Hop e Encontro de MCs. Um dos objetivos do evento é que a CasaBsurda, no Bairro Granbery, volte a ter a mesma agitação de tempos idos, quando eram realizados encontros de MCs e as famosas “batalhas”, além de shows, sarau de poesias, graffiti e diversas oficinas.
Para este domingo, o local vai receber um pocket show do rapper RT Mallone, da Zona Leste da cidade; exposição da fotógrafa Isabella Campos, que registrou com sua lente instantâneos da cena rap e do graffiti de JF; participação dos DJs Fábio Souza, Karrane, Natefelipinho e Bula Temporária; mesão de desenho; venda de produtos artesanais (quadros, camisas, filtros dos sonhos, doces etc.); e nove grafiteiros, a maioria dos crews UGC e Setor 276 (Pekena, Dorin, Stain, Bula Temporária, Paulo Vitor, André Aneg, Paulo Cesar, Ileso e Faeo Amorim), que vão usar as paredes do imóvel para criar novos trabalhos. Com a nova decoração, os residentes esperam transformar a CasaBsurda em uma galeria informal, com exposições diversas.
“Queremos usar o espaço, a casa que a gente tem, que já possui um nome bastante conhecido pela galera, para fazer alguma coisa pela arte”, diz o ilustrador e grafiteiro Cadu GloobMund. O artesão Daniel Dias destaca o caráter acolhedor da casa, que costuma servir de moradia temporária para muitos artistas. “Nós já hospedamos artistas de rua, como os malabares, e quem mais esteja passando pela cidade.” Cadu lembra que a ideia do local foi colocada em prática por estudantes universitários e artistas em geral há cerca de cinco anos, recebendo quem precisa de um lugar para ficar. “Atualmente, com a reforma, tivemos que dar uma parada, mas aqui entram artista, anarquista, punk, tatuadores. Até gente do exterior que está de passagem pelo Brasil já ficou por aqui, como uma colombiana e um argentino, basta oferecer em troca alguma coisa ligada a seu ofício”, diz o grafiteiro, ressaltando que as despesas do local são pagas com o trabalho cotidiano dos moradores fixos.
Uma das principais atrações do “GRAFFITI AbSURDO” é o trabalho feito por quem tira das latinhas de spray a inspiração que fica registrada em muros, colunas, pilastras e outras peças do mobiliário urbano. Para Cadu GloobMund, ainda existe preconceito contra os grafiteiros, mas a situação melhorou – e muito. “Para quem vê, passou a ser arte, mas, para nós, sempre foi. O cara faz porque sempre fez, quando pode compra sua lata e vai para a rua fazer sua arte. O trabalho recente na Independência (atual Avenida Presidente Itamar Franco) é de nível internacional, de uma galera que trabalha há anos”, afirma. “Isso é um reconhecimento do ofício.”
Quando não é procurado, o grafiteiro diz que o artista sai pelas ruas procurando um espaço onde possa extravasar sua criatividade, seja solicitando ao dono do imóvel o espaço no muro ou correndo o risco de ter a obra apagada quando feita em terrenos desocupados, pontes ou viadutos. “Pensamos em fazer o graffiti onde ele possa continuar, mas ainda tem gente que vê isso como pichação, coisa ruim. Ao mesmo tempo, há aqueles que pagam, pedem para fazer em casa, veem o trabalho sendo feito na rua e querem saber quanto custa. É um incentivo para continuar, bom para o cara que trabalha o mês inteiro para poder comprar três, quatro latas, sendo que cada uma custa R$ 15. Precisamos de gente assim, que goste e peça para fazer. O graffiti em Juiz de Fora está em alta, com gente profissional, de nível muito bom, mas ainda não temos o apoio devido. Imagine quando tivermos”, encerra GloobMund, com a experiência de quem lida com ilustração e a arte feita nos muros há cerca de dez anos.
GRAFFITI AbSURDO
Neste domingo, às 14h
CasaBsurda Setezerotrês
(Rua Barão de Santa Helena 703 – Granbery)









