Giramundo, grupo de teatro de bonecos, apresenta gratuitamente espetáculos clássicos em Juiz de Fora

‘Ocupação Giramundo’ marca 55 anos do grupo e traz apresentações ‘Cobra Norato’, ‘Um baú de fundo fundo’ e palestra sobre história do grupo


Por Elisabetta Mazocoli

30/04/2026 às 07h00

O grupo Giramundo chega a Juiz de Fora com dois espetáculos e uma palestra para celebrar os seus 55 anos, em projeto que tem a cidade como estreante. A ação faz parte do “Ocupação Giramundo”, que leva a história do grupo de teatro de bonecos que tem base em Belo Horizonte e reconhecimento internacional para variados municípios, democratizando o acesso à cultura. A agenda começa com a palestra “Processo Giramundo”, na sexta-feira (1º), no Cinema Alameda, às 15h,  e inclui as apresentações clássicas do grupo: “Cobra Norato”, no sábado (2), às 19h, e “Um baú de fundo fundo”, no domingo (3), às 17h. Toda a programação é gratuita e a retirada dos ingressos ocorre uma hora antes dos espetáculos.

A vinda para Juiz de Fora acontece em momento especial para a companhia: o Giramundo está completando aniversário e, além disso, também teve parte de seu acervo restaurado. Esse projeto foi feito em parceria com a Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes, e inclusive foi o que gerou uma exposição do acervo de bonecos na Fundação Clóvis Salgado, no Palácio das Artes, que bateu recorde de visitantes com 6 meses de duração — atingindo um público de quase 60 mil pessoas.  “A ocupação começa com um projeto de restauração, catalogação e laudo dos bonecos que até então a gente não tinha feito. Os bonecos foram restaurados, catalogados, laudados e viemos para essa montagem tão especial no Palácio das Artes”, explica Beatriz Apocalypse, atual diretora do Giramundo.

Depois dessa etapa da Ocupação, a prioridade do grupo está sendo levar esse repertório para outros públicos. Para Juiz de Fora, ela conta que foram escolhidos espetáculos que já são clássicos do grupo. O “Cobra Norato”, por exemplo, é uma adaptação de um poema de Raul Bopp durante suas andanças pela Amazônia. Esse espetáculo tem mais de 70 bonecos de diferentes técnicas de manipulação. Além disso, é um dos espetáculos mais premiados pela crítica. Já o “Um baú de fundo fundo” foi o primeiro espetáculo do Giramundo a ser montado no exterior, e chama a atenção por ainda manter a atualidade, apesar de ser feito desde 1976. Nessa obra, são apresentados um conjunto de histórias, lendas e cantigas da cultura mineira.

Toda a ocupação também terá uma palestra que antecede as apresentações, e que aborda os processos do Giramundo de criação e construção dos bonecos. Para essa primeira experiência, ela conta que a cidade foi escolhida justamente por já ter uma longa relação com o grupo e sempre receber bem seus integrantes. “Juiz de Fora é uma cidade muito querida para o Giramundo. É uma cidade que sempre nos recebe, temos um público excelente, porque é uma cidade bastante cultural.”

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(Foto: Marcos Malafaia/ Divulgação)

55 anos de história

O Giramundo foi criado em 1970 pelos artistas plásticos e professores da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Álvaro Apocalypse, Terezinha Veloso e Madu Vivacqua. Desde que foi fundado, o grupo já tem mais de 40 espetáculos completamente diferentes e um acervo feito por mais de mil bonecos — sendo que cada um deles pertence a uma coleção própria, que não se repete de um espetáculo para o outro.

Durante a passagem pelo Palácio das Artes, o grupo conseguiu restaurar parte desse acervo. Uma das principais dificuldades atuais que o grupo enfrenta é o armazenamento e os cuidados com esses materiais: durante o período que estavam sendo exibidos, foram mais de 200 bonecos sendo adicionados após reparos na exposição. “Esses bonecos estão sendo embalados com todo o carinho e vão desembarcar em Juiz de Fora para estar no palco”, conta.

Essa conservação é muito importante, como ela destaca, para preservar a diversidade de técnicas com as quais eles trabalham: o teatro de bonecos feito por eles não é apenas com marionete (bonecos de fio), mas também com fantoche (boneco de luva), boneco de balcão, boneco de sombra e boneco habitável, entre outros. Essa escolha varia justamente com a criação do personagem, e é feita no início do processo de texto e montagem teatral, quando são definidos quais são os bonecos que vão entrar em cena. “O teatro de bonecos encanta, porque o público vê o boneco sendo manipulado ao vivo, para ele, fazendo parte daquela fantasia. É muito legal”, destaca.