Exposição ‘Tantos Lugares…’ transforma viagens e paisagens em arte no Forum da Cultura
Exposição da artista Andrea Portela tem inauguração nesta terça-feira

Com sua exposição “Tantos lugares…”, a artista Andrea Portela convida o público a embarcar em uma viagem no Forum da Cultura, em meio a obras que convidam o espectador a interpretar paisagens e explorar diálogos entre arte, sociedade e natureza. A exposição é gratuita e tem inauguração marcada para esta terça-feira (29), com roda de conversa entre artistas e público, às 18h30.
A mostra nasce da experiência de viajante de Andrea, que utilizou cadernos, fotografias e memórias para construir seu projeto artístico. “Eu vivi na Região Amazônica e no Centro-Oeste, quando vinha visitar a família no Sudeste, viajávamos de carro, sempre por percursos diferentes para conhecer o Brasil profundo”, conta.
Na época, os celulares não tinham internet, então eram utilizados mapas de papel e anotações sobre os percursos. A artista utilizou esses materiais e fotografias dos lugares que visitou. Para a exposição, ela propõe uma viagem por paisagens brasileiras e seus diferentes biomas.
Com o objetivo de provocar diferentes sensações e instigar memórias, o público é convidado a refletir sobre a relação entre artista e território, em que a natureza assume lugar de protagonista.
A ideia, entretanto, não é apenas falar sobre as viagens de Andrea, mas sim mostrar cenas comuns a todos os que se propõem a viajar. “Os campos agrícolas, pontos turísticos, o encontro com o mar, a queimada ao longo da estrada em períodos de seca. Enfim, lugares que foram especiais e despertam nossa atenção positivamente ou geram preocupações”, destaca.

Diferentes caminhos, diferentes destinos
A exposição fica em cartaz até 16 de outubro no Forum da Cultura. Para inaugurar esse momento, a artista propõe uma roda de conversa com artistas e especialistas, ação que busca ampliar o debate sobre o papel da arte contemporânea e sua relação com questões ambientais, políticas e sociais.
Andrea destaca que esse momento pode levar o público a três direções, sem destino final definido: uma para pensar a vida presente e o modo como o tempo é consumido de forma veloz, “sem nos darmos conta da vida em sua plenitude”, prática que já foi tema de outra exposição da artista.
Outro ponto de abordagem é a saúde mental e o bem-estar. Ela acredita que “as paisagens naturais e a fruição da obra de arte operam em nós do mesmo modo, desenvolvendo um estado mais contemplativo e reflexivo, nos convidando a parar um pouco para degustar o tempo, pelo menos em um curto instante”.
Finalmente, a terceira rota, talvez a mais importante para ela, é a relação entre arte e meio ambiente. “A arte pode ajudar a sensibilizar nosso olhar e despertar nossa atenção para as causas ambientais?”, questiona.
Para criar suas obras em “Tantos lugares…”, Andrea desenvolveu o conceito de horizontes, que marcam experiências, imaginação e criação de sentidos. “São paisagens de viagens, lugares em que vivi e outros espaços imaginários. Todos metáforas da expansão do sentimento de olhar o que vem pela frente, fonte de relaxamento e sentido de passagem.”
O conceito que ela persegue é o de que são capazes de expandir nossa percepção sobre as coisas, a vida e o modo como vemos o mundo. Panoramas de ambientes amplos e naturais contrastam com apartamentos apertados, com a pressa diária e as mudanças de percepção da passagem do tempo. “É uma forma de reconexão com espaços naturais ou com um modo diferente de olhar lugares que já são conhecidos”, explica.

Novas rotas
As obras da exposição são abstratas. E não por acaso, o abstrato tem viagens próprias na vida de Andrea: ele não dá nada pronto e o olhar do público nunca é igual sobre ele. “Acredito que este é um ponto de total liberdade que só a arte pode nos oferecer.”
É justamente essa a sua proposta: abrir possibilidades para diferentes interpretações, fornecendo diferentes ferramentas de criação, algo genuinamente inventivo em tempos de saturação de imagens. Levando isso em conta, Andrea define seu processo como de construção e desconstrução.
Andrea começa, como toda viagem, com um ponto de partida: um lugar ou um conceito. “E a partir dele eu brinco com as manchas e os efeitos dos materiais, utilizando pinceladas soltas e gestuais. O corpo todo deve trabalhar nesse processo”, relata.
Ela desenha, constrói e desconstrói sem se prender ao ponto de partida, sabendo acolher o acaso e a mudança de rota na obra. Algumas vezes, quem conduz o desenho são as cores e os movimentos.
Carvão, pastéis, bordados, tecidos, pigmentos – tudo é utilizado em suas obras. Atualmente ela tem priorizado o meio acrílico, por sua versatilidade e praticidade, embora tenha sido desafiador por ter trabalhado em um espaço que ainda não está pronto.
No próximo ano, Andrea irá inaugurar seu estúdio de arte na cidade, onde pretende fazer experiências, principalmente a partir de materiais naturais, tema de seus estudos há algum tempo e que tem despertado cada vez mais seu interesse.
A exposição no espaço do Forum da Cultura é algo inédito em sua carreira como artista, mas o local já faz parte do seu cotidiano. “Sempre que posso, passo por lá e visito as exposições, e gosto da diversidade de linguagens que o local abriga.”
“Me sinto muito feliz pela oportunidade de mostrar meu trabalho e encontrar pessoas para discutir a relação da arte com temas de interesse coletivo. Tem muita história e abriga um Museu de Cultura Popular que merece ser visitado por todos ao longo de todo ano. Lugar em que encontramos muito do que somos”, conta.
Serviço
Exposição “Tantos lugares…”
Fórum da Cultura (Rua Santo Antônio, Centro – 1112)
Evento com roda de conversa nesta terça-feira (29), às 18h30
Exposição em cartaz até 16 de outubro
De segunda a sexta-feira, das 13h às 16h
Entrada gratuita
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy









