Receita de família
A torta de palmito e alho-poró da artista plástica Beatriz Venâncio guarda muitas semelhanças com os tradicionais quiches da cozinha francesa. A história desse prato, porém, é bem mais íntima e despretensiosa. Faço essa receita desde que meus filhos eram pequenos. Durante todos esses anos, fui modificando o preparo e agregando novos ingredientes, conta. Esse toque pessoal, que se mistura à memória familiar, faz parte do que Beatriz classifica como culinária afetiva. Essa associação entre sabor e aconchego é um dos elementos que essa artista fluminense preza em suas experiências gastronômicas. Como acompanhamento para a torta, a artista sugere uma salada picante de berinjela, capaz de fazer contraponto à delicadeza do prato principal.
Natural de Niterói, Beatriz apurou seu interesse pela culinária em função dos filhos. Com o tempo, procurou cursos para se aprimorar e, quando sua família adquiriu um sítio em Matias Barbosa, descobriu a culinária mineira. Curiosamente, começou a se embrenhar por essa especialidade pelo manuseio do forno a lenha, instrumento preferido, até hoje, para o preparo de carnes.
Circundada por jardins e hortas, a propriedade no município mineiro foi recentemente transformada em restaurante, a Casa da Bia. Em um ambiente com todas as características de um lar, com detalhes de decoração feitos pela própria artista, Beatriz se serviu de sua culinária afetiva como meio de criar amigos. Descobri que essa é uma ótima maneira de interagir com os outros. Fiz amizade com muita gente dessa forma, inclusive, com algumas pessoas que eram minhas vizinhas há 12 anos no sítio e que eu ainda não havia conhecido, relata.









