Pioneiro da TV, João Lorêdo é sepultado em JF


Por Tribuna

28/12/2011 às 07h00

Considerado um dos fundadores da televisão no Brasil, o diretor e humorista João Lorêdo foi sepultado ontem em Juiz de Fora, no Cemitério Municipal. Ele morreu na segunda, aos 81 anos, devido a complicações do diabetes. Natural do Rio de Janeiro, Lorêdo vivia em Minas com sua família. Na cidade, teve passagens pela extinta TV Tiradentes, prestando consultoria artística e dirigindo o "Programa Léo Peixoto" e o "Show da tarde", com o jornalista Claudinei Coelho. Irmão do comediante Jorge Lorêdo – intérprete do personagem Zé Bonitinho -, escrevia e dirigia textos humorísticos, tendo trabalhado com os principais nomes da área no país, como Chico Anysio e Jô Soares. Ajudou também a criar jornalísticos, como o "Fantástico".

João Lorêdo ficou conhecido como o "homem dos sete instrumentos" por dominar diferentes especialidades da comunicação. Sua primeira oportunidade no meio artístico foi como integrante do Coro dos Apiacás. Por intermédio da primeira esposa do maestro Villa-Lobos, o futuro diretor conseguiu emprego como rádio-ator na Mayrink Veiga. Trabalhou também nas rádios Nacional, Piratininga e Tupi até ingressar na TV Tupi do Rio de Janeiro, onde chegou a ser ator e diretor artístico de atores, de produção e de dramaturgia.

Mais tarde, na Rede Globo, ajudou a colocar no ar atrações como "Dercy espetacular", "Faça humor, não faça guerra" e "Globo de ouro". Durante a carreira, teve passagens também pelo SBT e Band. Na Record, foi o responsável por criar o primeiro programa de auditório do apresentador Ratinho, que se tornaria fenômeno de popularidade.

"Todos os grandes nomes da televisão brasileira trabalharam com João Lorêdo ou foram descobertos por ele. Essas pessoas se tornaram amigas e o respeitam muito. É comum vê-los fazer referências a esse mestre em suas entrevistas", comenta o pesquisador Flávio Lins (autor do documentário "Cariocas do brejo entrando no ar"), que trabalhou com Lorêdo, criando aberturas, vinhetas e ilustrações para seus programas na TV Tiradentes.

Nas últimas décadas, Lorêdo dedicou-se também a registrar suas experiências profissionais, resgatando importantes episódios da memória da TV brasileira nos quatro livros que escreveu: "Tempestade", "A vida escreveu isto…", "É assim que se ri" e "Era uma vez…a televisão".