A revolução dos bichos

Integrantes do SEJA.Coletivo convidam público para participar de show, teatro, exposição e debate cultural
A capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) é o maior roedor do mundo, podendo passar dos 90 quilos. Facilmente adaptável a ambientes radicalmente alterados pelo homem, esse bicho se considera cheio de razão. Prova disso é a família desses herbívoros que pode ser encontrada às margens do Rio Paraibuna, dependendo da sorte do observador. E é esse mamífero todo cheio de personalidade o escolhido para simbolizar o “OCUPA CAPIVARA! – Festival de Cultura Independente”, que será realizado neste domingo, a partir das 14h, na Praça da Estação. O evento é organizado pelo SEJA.Coletivo, um movimento criado por artistas de Juiz de Fora, que tem como objetivo – segundo o manifesto publicado na página do evento no Facebook – desburocratizar o acesso à arte e à cultura e legitimar a produção cultural local com propostas que dialoguem com a realidade da cidade.
A proposta do movimento é que a população se manifeste, que participe ativamente. Membro do coletivo, Nicolle Bello conta que foram criados vários momentos privilegiando a expressão do povo, como microfone e projetor abertos, sarau de poesias e um debate sobre os caminhos da cultura na cidade. “Além disso, algumas das atrações confirmadas são o grupo de contação de histórias Contaê, Batalha de MCs, instalação interativa do Taba Bambu, performances circenses com a galera do Cirque Balle, feirinha de exposição e venda de trabalhos visuais (como desenhos, zines e fotografias), shows com a banda Carta de Rua, o violeiro Bento Ferreira e DJ Kalango, e muito mais. A proposta é que a população se manifeste, participe ativamente”, adianta ela.
O SEJA.Coletivo teve sua primeira reunião em 7 de agosto, quando foram discutidas várias questões, entre elas o panorama atual da cultura na cidade, o papel dela na criação da identidade do município e a importância da arte nesse processo. “Uma das conclusões a que chegamos foi a de que temos uma cidade com imenso poder criativo e cheia de gente talentosa, mas com uma movimentação cultural que ainda não faz jus a esse potencial. Daí nasceu a ideia desse primeiro evento, que é um convite para que as pessoas se expressem e troquem experiências”, explica Nicolle. E a escolha do roedor de pelagem avermelhada? “Pensamos em algo que tivesse a ver com a cidade, e as capivaras são um ótimo símbolo nesse sentido – um animal de Juiz de Fora, mas que está cada vez mais sem espaço devido ao desmatamento, à poluição e ao desrespeito à espécie.”
Nicolle diz ainda que o coletivo conta com um grande número de integrantes, entre eles Anna Mancini, Bárbara Dias, Ivan Cunha, Stephanie Pollo, Edson Rodriguez, Mateus Foscarini, Fernanda Rebelatto e Frederico Lopes. “A partir da primeira reunião, fizemos várias outras, em que fomos nos conhecendo e nos questionando. Quando surgiu a ideia do evento, focamos na organização e dividindo as tarefas de acordo com os interesses de cada um. Os próprios membros do grupo se colocaram à disposição para esta ou aquela função. Ainda não sabemos muito bem como está sendo a resposta dos artistas que não fazem parte do coletivo à proposta do evento, mas gostaríamos de saber a opinião deles e, quem sabe, poder contar com a colaboração de todos. Queremos agregar sempre, então quem quiser criticar ou sugerir algo, é só chegar!”
O evento é desenvolvido de forma independente, sem apoio de qualquer instituição pública. A estrutura também vai ser simples, mas dentro do espírito do “OCUPA CAPIVARA!”. “Vamos levar alguns elementos para decorar a praça, e teremos uma aparelhagem de som bem básica, apenas para ligar microfones. Algumas atrações vão usar as próprias árvores como suporte (os trapézios do Cirque Balle e o pano para projeções).”
‘OCUPA CAPIVARA!’
Neste domingo, a partir das 14h
Praça da Estação









