A arte do possível
A crise é grave, o dinheiro está sumindo feito fumaça, e o cenário cultural juiz-forano vem sentindo na pele o quanto está sendo difícil mostrar trabalho em 2015. Como outros eventos na cidade, o Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora foi afetado pela nova realidade, realizando este ano um evento menor, mas avisando que continua vivo. A nona edição do evento, que tem início nesta sexta-feira, terá 18 espetáculos, continua sem o caráter competitivo, e vai oferecer 26 apresentações até o dia 7 de setembro no CCBM, Teatro Pró-Música, Teatro Solar, CEU da Zona Norte, locais em que o ingresso pode ser trocado por um livro de literatura em bom estado de conservação. Além das peças, o festival terá oficinas, exposição e lançamento de livro.
A primeira apresentação está marcada para as 19h, no Parque Halfeld, onde a Cia. Cênica, de São José do Rio Preto, apresenta a peça “Sabiás do Sertão – Teatro Musical Brasileiro – Em um ato, uma chegança e uma andança”. Também na sexta-feira, às 19h, o TOC – Teatro Obsessivo Compulsivo vai encenar o texto “Canção de ninar (ou faça o que tem que fazer)”. Os outros dias terão as apresentações de grupos e companhias selecionados para o festival: das 110 candidatas, oriundas de 47 cidades de 13 estados, foram escolhidas peças juiz-foranas e de estados como Santa Catarina, Rio Grande do Norte, São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro. Haverá ainda as montagens das peças “Get out!” e “Outro lado”, do Quatroloscinco (convidado pelo projeto de circulação de repertório do grupo, por meio do Fundo Estadual de Cultura), e “Jumbo, eu visito a tua ausência”, do projeto de circulação do Prêmio Funarte de Teatro.
Duas peças de Juiz de Fora participam do Festival Nacional de Teatro por terem sido contempladas pela Lei Murilo Mendes, tendo como uma das contrapartidas a apresentação no evento: “Sete minutos”, da Companhia Teatral Fazendo Arte, e “Dom Quixote”, da GTMG/Cia. Tralha. “In conserto” e “Lar doce lar”, do “Diversão em cena ArcelorMittal”, foram acrescentados à programação do festival. Artistas da cidade serão convidados para mediar um debate entre público e os grupos após a realização das peças que foram escolhidas pelo comitê de seleção e também as contempladas com a Lei Murilo Mendes. Nos caso das apresentações que tiverem duas datas, apenas uma delas terá o debate.
Segundo o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, a questão financeira aumentou o empenho da organização para que o festival não deixasse de ser realizado, dentro do objetivo de fazer todos os eventos agendados apesar da crise. “Tivemos o apoio da classe artística. Isso foi essencial para realizarmos um evento quase do mesmo tamanho do ano passado, mesmo que com menos orçamento. Tivemos apenas o dinheiro da Prefeitura, e nenhum patrocínio”, declarou Toninho, destacando o apoio da UFJF, que cedeu o espaço do Teatro Pró-Música, fechado desde o início do ano. O superintendente lembra ainda que os livros que forem trocados por ingressos serão repassados para bibliotecas públicas ou comunitárias.
Teatro fora do eixo
O Festival Nacional de Teatro terá quatro apresentações de três peças no CEU (Centro de Artes e Esportes Unificados da Zona Norte), que foi inaugurado em março em Benfica e terá espetáculos adultos e infantis. O local receberá as montagens “O Judas em sábado de aleluia” (domingo), “Acorda amor!” (2 de setembro) e “Dom Quixote” (5 e 6 de setembro). Com essa programação, a organização do evento tem por objetivo descentralizar o teatro, levando-o a outros pontos da cidade.









