Testemunha do tempo
Desde 1894, ele observa a transformação da cidade ao seu redor. Construído no período eclético de Juiz de Fora, o prédio do Diretório Central dos Estudantes (DCE) testemunha o tempo sem perder seu valor artístico e histórico, ainda que não receba intervenções há mais de dez anos. Segundo a assessoria da UFJF, a edificação, localizada na esquina da Avenida Getúlio Vargas com a Rua Marechal Floriano Peixoto, está prestes a passar por recuperações.
O projeto arquitetônico foi finalizado e, até o final de março, será encaminhado ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac). É o que afirma o arquiteto responsável pela empreitada, Júlio César Sampaio. "Estamos em fase de edição do relatório", comenta. Ele adianta que o novo uso do espaço está relacionado às atividades culturais da UFJF. "Diversos quiosques trarão informações sobre as instituições de cultura da universidade." O DCE continuará realizando suas atividades no endereço.
Ações complementares, como instalações elétricas, hidráulicas e de telefonia, estão sendo planejadas. De acordo com Sampaio, não é possível citar prazos exatos. Em uma visão otimista, ele espera que as obras tenham início ainda no primeiro semestre. "Tudo vai depender dos trâmites no Comppac e da dinâmica da licitação." Também já está em andamento o projeto executivo do restauro, que irá definir com detalhes o orçamento. "Acredito que ele chegue a cerca de R$ 1 milhão." O pró-reitor de Planejamento e Gestão, Alexandre Zanini, assegura que a verba já está disponível. "No orçamento da UFJF deste ano, a reforma está prevista. O reitor Henrique Duque comprometeu-se a buscar mais recursos, se for necessário." Antes, porém, é preciso resolver a ocupação irregular do espaço, por parte de particulares, sem o aval da UFJF. Segundo a assessoria da instituição, isso deve acontecer em dois meses.
Trabalho artesanal
Quanto ao tempo das obras, Júlio César Sampaio explica ser difícil delimitá-lo. Por se tratar de uma construção com fachada e cobertura tombadas pelo patrimônio histórico (em 1996), o processo exige cuidados especiais. "Serão contratados especialistas, e o trabalho chegará a ser artesanal", comenta o coordenador, observando que, por vezes, uma restauração pode descobrir problemas que não foram detectados no mapeamento. Como acrescenta Sampaio, todas as janelas e portas serão refeitas, e será necessário demolir alguns acréscimos, além de erguer um anexo com características compatíveis com os aspectos originais. A parte externa com tijolinhos, tão conhecida do juiz-forano, também será recuperada.
O arquiteto responsável menciona ainda que não foram encontradas pinturas parietais nas paredes internas da edificação. Porém, uma placa de inauguração estava oculta pelas mais de 300 danificações apontadas. "Apesar disso, o prédio está estável", diz ele, ressaltando a importância do local, que já abrigou o Tiro de Guerra e a Faculdade de Engenharia (que completa 100 anos em 2014).
Construído para receber a Diretoria de Higiene, responsável pelos problemas da população juiz-forana em caso de epidemias, o lugar passou a ser sede do DCE em 1977. De acordo com Sampaio, apesar de apresentar elementos greco-romanos, maneiristas, barrocos e renascentistas, o prédio, projetado por Gregório Howyan, revela harmonia e leveza, além de trazer umas das melhores soluções para as esquinas irregulares da Avenida Getúlio Vargas.









