Ouça agora

Batidas e batimentos


Por BRUNO CALIXTO

27/01/2012 às 07h00

Se todos os caminhos apontam para o improviso no – vasto – ramo da música, não há limites para o surpreendente transformar o lugar-comum em um espaço de batimentos altamente acelerados. Hoje, Juiz de Fora entra no clima da e-music improvisada ao receber o projeto Lumière, no qual a house music recebe o reforço de efeitos e grooves percussivos executados ao vivo. Permita-se e aproveite do início ao fim. Este é o recado que a dupla Rodrigo Moita (DJ) e Fernando Baía (percussionista do Tihuana) traz na bagagem, diretamente para a picape da W Ultra Lounge, a partir das 23h.

Para quem cresceu sob a égide do rock, Fernando Baía, nos últimos três anos, vem mostrando intimidade com a música eletrônica. Sempre gostei de receber os informativos e ler a ‘Electro M.A.G.’, uma das publicações sobre e-music de que mais gosto. Mandei um e-mail parabenizando o trabalho da revista, e quem me respondeu foi o Daniel Eduardo Gomes, editor, que me conhecia e já tinha inclusive me entrevistado com o Tihuana. Ele me convidou para conhecer a redação e me apresentou o (Rodrigo) Moita, com quem comecei a trocar informações. Rolou uma sintonia musical muito boa entre nós, e surgiu a ideia do projeto, comenta.

Já Rodrigo Moita, DJ residente da festa Electro M.A.G. Party, resolveu compartilhar os 12 anos de cabine para mixar ao lado do percussionista e parceiro de carrapetas. É sempre como se fosse a primeira vez, ele diz. Uma das características mais atraentes da e-music é que ela explora a música de maneira ilimitada, uma coisa muito louca. Um DJ pode ter ideia do que tocará à noite, preparar seu set, mas na hora que o som rola, tudo pode acontecer. O que manda é a pista, a vibe do momento. Isso é sensacional!, completa Baía, antes de arrematar o que pretende para o encontro por aqui. O Lumière fará um som que irá agradar tanto aos fãs de eletrônica como aqueles que só vão pra curtir a balada em si. O som do Moita tem muita classe, groove especial, personalidade. Acho que meu estilo de tocar percussão irá contribuir nesses aspectos. O que posso garantir é que o Lumière não fará um som óbvio, burocrático. Eu e Moita vamos explorar a imprevisibilidade da eletrônica, passeando pelas vertentes do house e surpreendendo sempre. Podem apostar!

Quanto ao Tihuana – um dos poucos grupos da virada dos anos 1990 para os 2000 ainda a manter formação original -, Fernando Baía ressalta a introdução de influências do circuito eletrônico, como comprovado no último grande sucesso do grupo Tropa de elite. Os caras estão superabertos a isso. Aliás, o Tihuana sempre foi uma banda sem barreiras musicais. Nosso primeiro disco, lançado em 2000, tinha algumas faixas com bases eletrônicas, completa o percussionista, demonstrando que, mais íntimo do assunto, só mesmo diante das batidas da cabine e dos batimentos da pista.

LUMIÉRE

Hoje, às 23h

W Ultra Lounge

(Rua W 100 – Aeroporto)

3233-2135