A espera de mais holofotes

Grupo Divulgalção, em cena com a recente “O Rei Pavão”, completa 50 anos em 2016 (divulgação)
Uma das maiores expectativas das artes cênicas de Juiz de Fora, há décadas, deve ganhar um ponto final no próximo ano. Com as obras iniciadas na década de 1980, o Teatro Paschoal Carlos Magno é prometido, pela atual gestão, para o segundo semestre de 2016. Com uma ocupação crescente, o Centro de Esportes e Lazer Unificados (CEU) da Zona Norte também deve se firmar como um palco com programação contínua. Integralmente abertos, os palcos do Cine-Theatro Central e Centro Cultural Pró-Música consolidarão suas ocupações através de editais públicos, também nos meses que se seguem. Ainda que fragilizada pela ausência de uma cadeia mais complexa de formação, a área, mais uma vez, se porta na direção das esperanças, com alguma independência do poder público e muito vigor para fazeres continuados.
No ano em que completa 80 anos de vida e dez de seu projeto mais ousado, a Escola de Circo Carequinha, o palhaço Jamelão, interpretado por Dolor Pereira, receberá R$ 9 mil para executar “A arte do circo Dolor Pereira”, projeto aprovado pela Lei Murilo Mendes. Além dele, outros quatro produtores devem ganhar os palcos com o incentivo municipal, dentre eles o dramaturgo, ator, pesquisador e diretor Felipe Moratori, que traz à cena “Entre duas (in)tensões”. “Trata-se de uma pesquisa com 12 atores sobre ‘dualidades’. A ideia é que eles formem duplas ao longo do processo e, no final, façam seis montagens, nas quais as duplas são responsáveis por toda a execução das encenações”, explica Moratori, que divide a direção com Bruno Quiossa e recebe, como convidados, a poeta e professora Carolina Barreto e o professor de dança carioca Massuel Bernardi.
Previsto para maio, o novo texto de Moratori, “O circo dos quasevelhos”, também espera irromper o palco após o terceiro sinal, de maneira independente. Repetindo a dobradinha com Quiossa, ele divide a direção, e os dois vão para a cena junto dos atores Renan Kirchmaier e Michele Simões, contando uma história futurista, que debate religião, sexualidade e sociedade. A trama se passa num tempo no qual pessoas de mesmo sexo conseguem ter filhos e as crianças se tornam imunes a uma doença que causa o envelhecimento dos corações, o que lhes rende intensa perseguição. O Contaê Histórias, que em 2015 falou de morte e vida com o espetáculo “Contos de malassombro”, retorna aos palcos com “A pedra do meio-dia”, texto em cordel de Braulio Tavares sobre a bela Isadora, que, salva pelo valente andarilho Artur, precisa encontrar a pedra do título para livrar seu reino de um feitiço.
50 anos de Divulgação
Criado em 1966, na antiga Faculdade de Filosofia e Letras (Fafile) da UFJF, o Grupo Divulgação chega a meio século de vida no próximo ano, preparando um livro, um site, além de peças e cursos comemorativos. Com mais de 160 montagens, encenadas por mais de 500 universitários, a companhia dirigida por José Luiz Ribeiro é uma das mais longevas e consolidadas da região, com trabalhos de pesquisa para adolescentes, adultos e idosos, o que dá ainda mais responsabilidade para as bodas de ouro. Segundo a integrante e diretora do Forum da Cultura, sede do grupo, é aguardada com ansiedade a pintura da casa, além de reparos elétricos e recomposição do jardim, que perdeu suas frondosas árvores frontais neste ano. “O GD certamente terá muito trabalho pela frente para comemorar seus 50 anos”, diz. “Todos nós, que trabalhamos pelo Forum, ficaríamos muito felizes se, em 2016, conseguirmos repetir a produção de 2015”, completa.
Após um ano escasso em montagens vindas de fora, o Cine-Theatro Central já tem programado espetáculos de Gustavo Mendes nos dias 23 e 30 de janeiro, além de uma montagem do Teatro de Quintal (TQ), no dia 31 do mesmo mês, tudo incluído na 15ª Campanha de Popularização do Teatro em Juiz de Fora, nada mais. Os teatros do Centro Cultural Pró-Música e do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas devem anunciar ocupação no início do ano. Já fixado na agenda do juiz-forano como uma das principais atrações infantis da cidade, o projeto Diversão em Cena ArcelorMittal, que levou mais de dez mil espectadores em 35 espetáculos, deve retornar aos domingos do Teatro Solar ainda no primeiro semestre de 2016, sem data confirmada.
Cena ousada
Ainda que não tenham sido muitas as estreias de artes cênicas em 2015, o ano foi pleno em inventividade para os produtores juiz-foranos. Do drama da ditadura relacionado à história de Santa Catarina, encenado pelo Grupo T.O.C. em “Canção de ninar”, ao espetáculo itinerante “Quase nada é verdade”, apresentado em espaços alternativos e com histórias paralelas, dirigido por Rodrigo Portella, passando pela montagem infantil “Proibido miar”, da Estação Palco, mesma produtora do espetáculo “Encontro”, que reunia jovens atores ao trio Lúdica Música!, a cena local ganhou contornos diversos para linguagens igualmente diferentes. Se não houve a tão esperada Bienal da Dança, aconteceu o “JF em dança”, evento proposto pela classe em parceria com a Funalfa, demonstrando o amadurecimento político e estético dos bailarinos juiz-foranos. Com cortes financeiros, o Festival Nacional de Teatro diminuiu seu formato, mas não deixou de render bons momentos, como a apresentação da paulista Cia. Ibirá com “Mazzaropi, um certo sonhador” e o aplaudido monólogo da uruguaia radicada carioca Florencia Santángelo, em “Acorda amor!”.









