Rock como presente de Natal
O rock ainda pode ser o melhor presente de Natal. Pelo menos para a banda Beatles Forever, o repertório variado de clássicos do quarteto mais popular da história da música é a pedida para celebrar a data. Hoje, os músicos locais voltam ao palco do Cine-Theatro Central para noite regada a pérolas como "Help!" e "All you need is love", além de "Yesterday", "Hey Jude", "Let it be", "She loves you", "Strawberry fields" e "Come together". Chico Bustamante (voz e baixo) é Paul McCartney, Antônio (voz e guitarra) interpreta John Lennon, Lair (Lau) Averss (guitarra e voz), George Harrison, e Gerson Faria (bateria e voz), Ringo Starr. Eles prometem coroar a celebração de três décadas, completas em outubro, em alto e bom tom. "Tempo para reuniões e ensaios", dispara Antônio, sobre os maiores desafios para manter um projeto sólido de pé após tantos anos. "O Natal é a data mais especial do ano, e o presente é para todos nós", arremata Lau, negando qualquer motivo capaz de separar os músicos e/ou interromper o tributo.
O primeiro concerto natalino da banda aconteceu em 1982, ano de lançamento do álbum "Reel music", uma seleção de canções dos Beatles apresentada em seus filmes. A estreia no Central aconteceu um ano após a criação da banda, que, para esta edição, garante músicas nunca apresentadas antes e, "talvez", um novo figurino. "A gente sempre lança uma novidade a cada ano. A ideia é inovar e mostrar também o lado B dos Beatles", destaca Chico. Cantamos à nossa maneira, mas, felizmente, os timbres são parecidos", completa.
Também em 1982, o quarteto foi convidado pelo radialista Francisco Barbosa para tocar ao vivo na antiga rádio PRB3, durante a festa de aniversário do programa "Beatles forever". O show teve cobertura da Rede Globo – recém-chegada a Juiz de Fora – e de jornais da cidade. O grupo acabou sendo batizado com o mesmo nome do programa por Francisco Barbosa. O sucesso da estreia fez com que os garotos, com 16 e 17 anos de idade na época, investissem firmemente na carreira. Eles compraram uniformes e equipamentos iguais aos dos ídolos e começaram a tocar por cidades de Minas e do Rio de Janeiro.
Durante o primeiro concerto de Natal, aliás, os Beatles Forever foram convidados para, no ano seguinte, 1983, tocar no 1º Festival de Rock de Juiz de Fora, ao lado de Erasmo Carlos, Raul Seixas, Barão Vermelho, Lobão, entre outros. Por sorte do grupo, que ia tocar por volta das 20h, o evento atrasou, fazendo com que os rapazes de Juiz de Fora subissem ao palco três horas depois, melhor horário para um show. "Quando começamos a tocar, as pessoas que estavam espalhadas em volta do campo vieram correndo para perto do palco para dançar. Assim que terminamos, todo mundo ficou pedindo bis", relembra Bustamante, sobre o fato de a imprensa ter classificado o Beatles Forever como a grande atração da noite, já que Barão Vermelho e Lobão ainda não eram conhecidos, e Raul Seixas cantou de madrugada, quando grande parte do público já havia ido embora.
Tribuna – Desde quando os Beatles Forever surgiram há 30 anos, quais são as maiores conquistas do grupo?
Chico – Reconhecimento entre os fã-clubes como uma das melhores e mais regulares bandas de cover dos Beatles e a coleção de instrumentos que hoje está praticamente completa.
– Quais os maiores feitos do grupo ao longo dessa trajetória?
Antônio – Os shows de Natal e repetir aos 50 anos o que fazíamos com 20, e com mais qualidade.
– Diante da quantidade de músicos inspirados nos Beatles, qual é a responsabilidade de quem assume ser cover da maior banda de todos os tempos?
Lau – O recado tem de ser bem passado, pois qualquer engano é razão para muitas críticas. Mas quando é feito de coração fica fácil.
– O que não pode faltar num evento tradicional como o concerto de Natal do Beatles Forever?
Gerson – Emoção e alegria, participação do público e muitos "bis".
– Com o desenvolvimento das novas mídias, como as redes sociais e os aplicativos para iPads, como ficou a relação de vocês com o público que cresceu ao som dos Beatles, numa época em que não havia computadores?
Chico – As redes sociais são o principal meio de divulgação e contratação de shows dos últimos dez anos. Mantemos site, Orkut, YouTube e Facebook.
– Com a informação alcançando cada vez mais pessoas e de uma maneira mais veloz, o modo como consumir o som dos Beatles também mudou. Se antes era na vitrola, com discos que traziam encartes, hoje o público baixa na internet…
Antônio – Sim, bem mais fácil, porém sem a mesma qualidade. No YouTube, por exemplo, encontramos as músicas "track por track".
– A tecnologia, então, aproximou os mais jovens dos Beatles?
Lau – Sim, mas acho que a melhor propaganda ainda é a de pai para filho e a dos irmãos mais velhos.
– Quando Paul McCartney deixou de ser um beatle para seguir carreira solo, fez questão de levar consigo seu novo Rickenbacker. É a mesma marca do contrabaixo que você passou a utilizar?
Chico – Na verdade meu baixo é um Hofner, consegui um em 1989, até então usava uma réplica feita pela Del Vecchio. Não é possível o som nem a "tocabilidade" dos Beatles sem um Hofner, principalmente ao vivo.
– Por que os Beatles são atemporais? A que se deve tanta popularidade e tanto carisma?
Gerson – Principalmente porque a música é alegre, melódica e cantada sempre com energia. A banda surgiu num momento em que havia um mundo a ser explorado, e os Beatles foram pioneiros em tudo. Já o carisma é um dom.
– Como você define a relação entre os roqueiros de Liverpool e os fãs hoje em dia?
Gerson – Fã é sempre fã, não há diferença dos anos 60 para hoje, basta assistir a um show de Paul McCartney para ver.
– O que ainda falta aos Beatles Forever?
Gerson – Fazer um show para inglês ver (risos).
BEATLES FOREVER
Hoje, às 21h
Cine-Theatro Central
(Calçadão da Halfeld)
3215-1400









