Beleza com propósito

Júlia Horta disputa, no dia 2 de janeiro, o título de Rainha Internacional do Café, na Colômbia (Arquivo pessoal)
Enquanto o mundo fazia piada com a gafe ocorrida no Miss Universo, em que o apresentador disse o nome errado da vencedora, fazendo com que a participante errada fosse coroada, uma juiz-forana acompanhou o episódio indignada. “É um desrespeito. Muitas vezes a organização destes concursos escolhe apresentadores que não sabem como eles funcionam. Não sabem que, além de um sonho, aquilo é fruto de muita dedicação”, diz Júlia Horta, a atual Rainha Internacional Brasileira do Café. O título foi concedido à mineira, vencedora do Miss Mundo Minas Gerais, por sua colocação no Miss Mundo Brasil, em que conquistou o quinto lugar.
Para Júlia, o título foi uma conquista inesperada, mas nem por isso menos emocionante. “Sempre foi meu sonho carregar uma faixa e poder representar meu país diante de gente de todos os cantos do mundo”, diz ela, que entre os dias 2 e 10 de janeiro concorrerá à faixa de Rainha Internacional do Café na cidade de Manizales, na Colômbia. Além das latino-americanas, Júlia terá concorrentes de países como Alemanha, Japão, Espanha, Canadá e Estados Unidos. “É uma grande responsabilidade. Além de o Brasil ser o maior vencedor do concurso, é o país que mais exporta café, então é um título que tem muita representatividade, ainda mais sendo mineira. Tive muita preocupação, participei da Semana Internacional do Café e venho estudando muito, para representar o país da melhor maneira possível.”
Na opinião da competidora, ainda há uma visão muito estereotipada sobre concursos de beleza, algo que ela procura combater. “Sempre que conto sobre todas as obrigações, tarefas e propostas do concurso, as pessoas ficam surpresas, porque acham que é só um desfile de mulheres bonitas”, ressalta ela, que idealizou o projeto “Bem estar”, para buscar aumentar a autoestima de meninas carentes por meio de oficinas de postura, passarela e também por meio de atividades não relacionadas à estética, como contação de histórias e dança. “O projeto é voltado para garotas de 10 a 15 anos, mas é aberto a mulheres, meninos, quem quiser participar. O concurso cobra que estejamos engajadas em causas sociais, defendem o ideal de beleza com propósito, e eu acredito muito nisso”, defende a miss.
A um ano de se formar em jornalismo, a juiz-forana crê que o aprendizado na UFJF certamente contribuiu para o desempenho no Miss Mundo Brasil, e os títulos que conquistou por sua participação nele (além de Rainha Internacional Brasileira do Café, ela também é Terceira Princesa do Brasil 2015). “No Miss Mundo, temos que fazer vários vídeos de apresentação, além de entrevistas e a pergunta a que respondemos ao vivo. Tenho facilidade de conversar e me expressar sem ficar nervosa, amo as câmeras e não tenho problemas em falar em público. Isso veio da faculdade”, avalia a estudante, que pretende dedicar o ano que vem aos estudos. “Participo deste concurso em janeiro, que acontece dentro da Feira de Manizale, com vários eventos culturais: concertos, touradas, desfiles de traje típico, entre outros. Passamos oito dias conhecendo a cultura do país. Depois disputamos em traje de banho, gala e típico, além de termos uma entrevista. No resto do ano, a prioridade é a faculdade, que não quero deixar de lado. Pelo menos, o plano é esse, mas se aparecer alguma oportunidade, quem sabe?”









