Como as praças cervejeiras estão mudando a ocupação de espaços em Juiz de Fora
Projeto da PJF e Unicerva ZM aproxima população da cultura cervejeira local; veja locais e benefícios para comunidade
As praças cervejeiras de Juiz de Fora surgiram com o objetivo de valorizar os espaços públicos de convivência e a produção artesanal pela qual a cidade é conhecida. O projeto, fruto da parceria entre a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e a Associação de Cervejarias da Zona da Mata Mineira (Unicerva ZM), é pioneiro no Brasil por buscar aproximar o público da cultura cervejeira — já que a cidade é a sétima com mais produtores do meio em todo Brasil, de acordo com Sipeagro. A partir da ação, esses espaços reúnem pessoas interessadas em degustar diferentes tipos de chope, além de movimentar a economia local com novos food trucks e fazer com que esses espaços se tornem atrativos turísticos.
As sete praças cervejeiras de Juiz de Fora ficam no Parque Halfeld, Bom Pastor, Bairu, Kennedy, São Mateus, Lago dos Peixes e Feira da Riani. Cada uma, como conta o secretário de Turismo, Eduardo Crochet, tem o seu perfil de movimentação, mas mantém o funcionamento de quinta a domingo, com programação cultural e um espaço para convivência.
“A Praça Cervejeira tem a função não só de valorizar a produção cervejeira e ser um espaço para que empreendedores possam vender seus produtos, mas também popularizar essa cultura artesanal e favorecer a ocupação das praças pela própria população”, destaca.

O projeto já funciona na cidade desde 2023, e conta com um rodízio entre as cervejarias associadas da Unicerva (dentre as quais, estão nomes como Mr. Tugas, São Bartolomeu, Golem e Gabiola). Com a presença das cervejarias na praça, a organização inclusive notou muito claramente uma mudança nos locais em que se instalou: o movimento aumenta e outros negócios surgem, além das pessoas passarem a frequentar os locais com mais frequência.
É o que conta Gibra, diretor de marketing da Unicerva: “A atuação da Unicerva não pensa exclusivamente na cerveja, mas em trazer para a cidade uma dinâmica positiva e diferente. Naturalmente, também há um fluxo e uma atividade nas praças de modo que a gente consiga colaborar para uma cidade mais alegre e mais segura”. Para Crochet, a sensação de pertencimento da população nesses espaços faz toda a diferença para a manutenção no dia a dia.
Apesar de observarem que cada praça tem uma característica de fluxo, eles também contam que a instalação funcionou bem tanto nos locais que já eram mais movimentados, como a Praça do Bom Pastor, quanto nos bairros que receberam beer trucks pela primeira vez. “Há praças com um movimento e público maior, por conta da localidade e perfil do ambiente. Mas, de modo geral, todos os lugares que a gente chega com a proposta da praça cervejeira somos muito bem recebidos”, avalia Gibra.
Ocupação altera fluxo
Com o projeto praça cervejeira, o secretário de Turismo também avalia que o próprio modo de ocupar a praça se alterou. As pessoas passaram a pensar sua relação com o entorno de modo diferente: “Vemos mais confraternização e mais pessoas ficando lá por mais tempo, favorecendo inclusive que outros eventos aconteçam ali, porque a população entende o quanto aquilo é integrador”.
Da mesma forma, o diretor de marketing da Unicerva conta que os cervejeiros acompanharam o público desenvolvendo maior envolvimento com o universo cervejeiro, vizinhos se conhecendo nesses espaços e um incentivo maior à economia criativa.

Para eles, isso ocorre porque não se trata apenas de bebida alcoólica — mas de uma cultura de frequentar o local e vivenciar as praças. Inclusive porque, conforme Crochet observa, o consumo de bebidas alcoólicas no geral diminuiu em toda a população brasileira.
As cervejas artesanais, no entanto, representam uma alternativa que seria considerada mais saudável e com um consumo mais consciente. “Quando falamos de cultura cervejeira, estamos falando de um produto gastronômico da cidade, e não um produto que acompanha um grande evento”, pontua.
Proximidade e tradição
Para o produtor, o projeto também ganha em um diferencial: possibilitar um encontro direto com o seu público. Isso porque as cervejarias artesanais da cidade, como explica Gibra, costumam estar presentes em bares, pubs e até em festas, mas nas praças o consumo se dá de forma bastante diferente. “É um local de trânsito livre, em que atendemos desde a pessoa que só quer tomar um chope até aquela que quer ficar horas bebendo ou aquela que só quer escutar uma música”, explica.
Dessa forma, ele enxerga que, além de a população ganhar um espaço para construir vínculo entre si e se sentir mais segura para utilizá-lo, os produtores também ganham: “Conseguimos criar vínculos com as pessoas, colaborando para que elas usufruam e tenham um olhar diferente em relação à cidade”, diz Gibra.









