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Selton Mello em todos os ângulos


Por BRUNO CALIXTO

23/12/2011 às 07h00

Um percurso que testemunhou o surgimento de uma nova geração e a trajetória do cinema brasileiro pós-retomada, de Central do Brasil a Tropa de Elite 2, a Mostra de Cinema de Tiradentes celebra, em em sua 15ª edição, sua interferência no circuito exibidor do Brasil. De 20 a 28 de janeiro de 2012, o festival coloca em evidência um dos principais responsáveis pela reaproximação entre o cinema brasileiro e seu público: o ator. Propõe, então, como temática O ator em expansão, visando, segundo a coordenadora Raquel Hallak, refletir o papel e a valorização do ator no processo de criação do filme, o ator como ideia, como pensamento, como forma e não apenas como corpo a cumprir um objetivo em cena.

Para o curador Cléber Eduardo, um ator expandido não significa necessariamente um diretor recolhido. A autoria não precisa ser questão de um único indivíduo, mas sim de um tecido de confecção colaborativa. Um ator-autor, ou uma política do ator, não significa uma substituição do diretor pelo ator ou sequer um deslocamento do lugar da autoria, mas trata-se sim de uma expansão do lugar do ator no cinema. E qual é o lugar desse novo ator? Certamente não é apenas na tela, nem somente diante da câmera, ressalta Eduardo.

A 15ª Mostra de Tiradentes presta homenagem a um dos nomes de maior evidência nas telas do cinema brasileiro dos últimos 15 anos: Selton Mello, que comemora, em 2012, 30 anos de carreira. Selton Mello é uma espécie de emblema do cinema brasileiro da última década, tanto no segmento popular, com filmes como ‘O auto da Compadecida’ e ‘A mulher invisível’, quanto no mais artístico, caso de ‘Lavoura arcaica’, além de sua atuação como diretor em ‘Feliz Natal’ e ‘O palhaço’, ressalta Eduardo. Sua homenagem vem não apenas pelo percurso legitimado ao longo dos últimos anos, mas por representar atores de sua geração, assim como também das (gerações) anteriores e posteriores, arremata.

Como parte das homenagens, a mostra apresentará uma retrospectiva da obra de Selton Mello, com os filmes citados pelo curador, além de A erva do rato, de Júlio Bressane, O cheiro do ralo, de Heitor Dhalia, e uma produção inédita, realizada por ele exclusivamente para a abertura do encontro.

Raquel Hallak lembra que, nos últimos 15 anos, o evento firmou-se também como uma das principais janelas de exibição e lançamento da produção de curta-metragem no Brasil. Muitos cineastas que estrearam seus curtas na mostra já estão hoje com uma carreira estabelecida em longa-metragem, com muitos de seus filmes estreando ou sendo exibidos em Tiradentes, comenta.

Em 2012, serão apresentados 84 curtas – dos 597 inscritos -, de 12 estados brasileiros. Entre os escalados, estão trabalhos selecionados para importantes festivais internacionais, como o mineiro Dona Sônia pediu uma arma para seu vizinho Alcides, de Gabriel Martins, recém-anunciado em Clermont-Ferrand, um dos mais importantes festivais de curtas do mundo, além de muitos inéditos, cuja estreia será na charmosa Tiradentes.

A 170km de Juiz de Fora, Tiradentes volta a receber a estrutura formada por três espaços de exibição: o Cine-Praça, no Largo das Fôrras (cerca de mil espectadores), o Cine-Tenda (700 lugares) e o Cine-Teatro, no Centro Cultural Yves Alves (150 lugares). Desde a última quarta, encontram-se abertas as inscrições para as oficinas de cinema oferecidas gratuitamente. São 12 cursos, totalizando 310 vagas. A programação completa pode ser conferida em www.mostratiradentes.com.br.