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Literatura do cotidiano soturno


Por MAURO MORAIS

22/11/2013 às 07h00

Para ele, os heróis não passam de covardes bem-sucedidos e até inteligentes, pois ninguém é forte o bastante para vencer o inexistente. As lutas não passam de invenções das fraquezas de cada um, pois não há porque lutar, comenta um narrador, referindo-se ao amigo José Bronteu, um filósofo, logo no preâmbulo de O tombo e outros acidentes (Editora Penalux), de Edson Braz, que tem lançamento hoje, às 19h, na Livraria Ca d’ori. Deixando os heróis de lado e enfocando os comuns, o autor desenvolve pequenas tramas cotidianas marcadas por um tom sombrio, em que singelos tombos são tratados como epopeias em miniatura. Ser é apenas estar aqui, agora. Fazer disto um ato sublime é subestimar a natureza e sua harmonia. Viver é apenas ser, sem querer, discorre Bronteu, que, na verdade, não passa de uma criação ficcional. Ele está mais para ser uma entidade do que uma personagem, diz Braz.

Nascido em Juiz de Fora e expoente da geração de 1980, o escritor foi um dos que partiram da poesia e fincaram bandeira na prosa. Escrevo há muito tempo. Ao longo dos anos, fui me dedicando à prosa. Não sei se conseguiria ser um bom poeta. Não me satisfazia completamente com os versos, afirma. No terceiro livro de sua carreira, a poesia é vista, apenas, como uma sombra a lhe permitir uma concisão como a presente no conto Sexta-feira, no qual o narrador, para falar do estado de espírito do personagem, restringe-se a dizer: Era feliz. A repetição, artifício bastante comum na poesia, também se apresenta na coletânea de contos, sem resvalar em monotonia ou ausência de inventividade. Em A fuga, o discurso do protagonista, que brada aos sete ventos: Eu matei um homem, é inserido em diversos momentos da trama, conferindo ainda mais mistério e suspense.

O meu estilo é assim. Prefiro o lado psicológico dos personagens, como eles lidam com as atribulações da vida, pontua Edson Braz. Para isso, o escritor explica que é um grande observador. Analiso muito o ser humano e suas diversas reações a tudo. Só a partir disso é que crio as situações e seus envolvidos, conta, dizendo trabalhar muito cada texto. Como se não tivesse muita consciência inicialmente, decido burilar muito o que escrevo, pontua, indicando que um dos contos de O tombo e outros acidentes foi escrito há 20 anos, e, como ele, existem muitos outros. O livro, segundo ele, surgiu somente quando sentiu-se seguro e certo de que estava pronto.

Servidor público federal, Braz é um dos muitos escritores da cidade que ainda não sobrevive do que escreve, apesar do intenso desejo. Tenho que sobreviver, por isso me dedico a outra coisa, mas tenho um compromisso com as palavras, destaca. Publicado por uma editora paulista, situada em Guaratinguetá, o livro é impresso sob demanda, prática que tem crescido no meio editorial, fortalecendo a produção de escritores menos conhecidos.

O TOMbo E OUTROS ACIDENTES

lançamento de livro de Edson Braz

Hoje, às 19h

Livraria Ca d’ori

(Braz Shopping – Rua Braz Bernardino 105/ loja 134)