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Steven Spielberg e Tom Hanks juntos novamente


Por JÚLIO BLACK

22/10/2015 às 08h45- Atualizada 22/10/2015 às 10h03

Tom Hanks (à direita) interpreta o advogado que luta para impedir espião soviético de ser condenado à morte

Tom Hanks (à direita) interpreta o advogado que luta para impedir espião soviético de ser condenado à morte

O diretor Steven Spielberg e o ator Tom Hanks unem forças para contar uma história real em “Ponte dos espiões”, quarto filme que tem a dupla dividindo o set (os anteriores foram “O resgate do soldado Ryan”, “Prenda-me se for capaz” e “O terminal”) e que ainda tem os irmãos Joel e Ethan Coen responsáveis pelo roteiro de uma das histórias mais interessantes do período da Guerra Fria – os conflitos pelos quais nosso mundo passou no século XX, inclusive, são temas recorrentes na carreira de Spielberg, de família judia, que perdeu dezenas de parentes em campos de concentração nazista. Da comédia ao drama mais pesado, o cineasta já rodou produções ligadas ao tema como “A lista de Schindler”, o próprio “Resgate do soldado Ryan”, “Cavalo de guerra”, “1941 – Uma guerra muito louca” e “Império do sol”.

Baseado numa história real, “Ponte dos espiões” (apelido dado à ponte sobre o rio Havel, em Berlim, conhecida por ser o local em que espiões presos eram trocados durante a Guerra Fria) tem como personagem principal James Donovan (Tom Hanks), pacato advogado do setor de seguros que, anos antes, havia trabalhado na área criminal. Ele é convocado pela Justiça dos Estados Unidos para realizar a defesa do espião soviético Rudolf Abel (Mark Rylance), capturado recentemente.

O julgamento é para inglês – ou russo – ver: todo mundo espera que Abel seja condenado à morte, e todo o cenário é montado apenas para mostrar à antiga União Soviético que o sujeito teve direito a se defender. Para Donovan, isso pouco importa, pois ele passa a ser visto como o inimigo número dois da América (o número, claro, é o espião) e vê a esposa com medo das consequências do seu trabalho no tribunal. Nada disso impede que ele, como bom advogado que é, convença o júri com um argumento típico de quem trabalha com seguros: Abel vale para os EUA muito mais vivo que morto, pois poderia ser usado como moeda de troca caso algum espião americano fosse capturado pelos comunistas. O que poderia terminar num paredão vira, então, uma sentença de 30 anos.

E não demora muito para o argumento de Donovan comprovar ser o mais correto: poucos anos depois, um piloto americano é capturado quando seu avião de espionagem U2 é abatido no espaço aéreo soviético, e o prisioneiro é exibido com júbilo pelos russos. Os dois países decidem negociar a troca dos espiões, e a experiência de James Donovan com o caso faz com que o governo dos EUA o convoque e despache para Berlim Oriental, palco da negociação, no momento em que o muro que dividiu a cidade em duas partes continuava a ser construído.

Muito, mas muito distante da pirotecnia dos filmes de James Bond, “Ponte dos espiões” é um thriller de suspense e espionagem em que a tensão, a desconfiança mútua entre as duas nações mais poderosas do período e o choque de culturas e visões políticas fizeram a produção ser não apenas elogiada pela crítica, mas também colocada como uma candidata a disputar várias categorias no Oscar de 2016. Sucesso este que pode ser creditado ao talento de Spielberg como diretor e ao de Hanks como ator, mas também ao roteiro dos irmãos Coen, especialistas em colocar em suas histórias personagens que fogem aos padrões considerados normais.

PONTE DOS ESPIÕES

Cinemais 2 (dub): 15h10 e 18h50. Cinemais 2: 21h40

Classificação: 12 anos