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Falta pouco para a temporada teatral


Por MARISA LOURES

21/08/2014 às 20h40

Corrigida em 22 de agosto de 2014, às 17h09

Vai ser difícil não se sentir em casa com uma anfitriã como Dona Zaninha. Ela é uma verdadeira contadora de histórias. Engraçada e com uma maneira de falar tão peculiar dos mineiros, a senhorinha divide com os convidados histórias de assombração, padres e beatas. Acredita que até uma dose de cachacinha ela oferece para a plateia? "Dona Zaninha é uma grande homenagem às minhas origens. É como se fosse um retorno ao interior. Tem muita coisa de vó", conta a atriz Suzana Nascimento, comemorando a volta a Juiz de Fora, sua cidade natal, para apresentar o espetáculo "Calango deu! Os causos da Dona Zaninha". A peça é uma das quatro convidadas da 8ª edição do Festival Nacional de Teatro, que começa no próximo dia 30 de agosto e segue até 7 de setembro.

( Ao contrário do que a Funalfa havia divulgado anteriormente, o festival começa no dia 30 e não no dia 29)

"É um trabalho feito por causa da saudade que sinto de Minas. Cito pessoas da família e personagens conhecidos na cidade, como o Zé de Barros. Fui na casa dele, gravei uma entrevista com ele e a voz dele aparece na peça. É uma colcha de retalhos de várias referências", diz Suzana. Segundo ela, a montagem, primeira da Cia. Caititu, do Rio de Janeiro, nasceu do desejo dela, do diretor Isaac Bernat e da produtora Aline Mohamad de eternizar conhecimentos que, certamente, não serão encontrados nas páginas de um livro.

Para abrir a temporada teatral na cidade, "O tempo e os conways", da Casas da Gávea, do Rio de Janeiro, traz um grupo de jovens, cujas esperanças de felicidade na vida serão completamente frustradas – ou pelos seus próprios erros ou pela interferência de outros. Dividido em três atos, o espetáculo promete trazer para o espectador o clima de 1937, quando a história foi apresentada pela primeira vez no Duchess Theatre de Londres. A julgar pelo figurino de época, a tarefa não parece ser difícil.

Na lista divulgada nesta quinta-feira pela Funalfa, entre os convidados, ainda estão o carioca "Urucuia Grande Sertão", do Coletivo Peneira, e o já assistido em sete países "Shi-Zen, 7 cuias", do Lume Teatro, de Campinas. "A classe artística ficava clamando pela volta do Lume. O Urucuia é um espetáculo de rua, o que promove uma maior divulgação do festival porque sai dos limites do teatro. Procuramos fazer uma mostra diversa, contemplando vários gêneros. Por si só, a mostra já é muito bacana. A cada ano, a qualidade está aumentando, e não existe mais aquela coisa de ter um único mega destaque. Todas as peças são muito aclamadas pelo público", afirma Fernanda Lauro, diretora de produção do evento.

Além das 23 peças apresentadas, entre convidados e inscritos na Mostra de Espetáculos, o festival oferece à classe artística uma oportunidade de participar de cinco oficinas. Os interessados devem procurar o CCBM a partir do dia 25 de agosto, e as vagas são limitadas. Quem for participar do curso ministrado por Carlos Simioni, do Lume, ele avisa que é preciso se preparar para um encontro fundamentado na prática do ator. "A oficina fala sobre a presença do ator, como ele se coloca em cena. É um momento de dilatar suas emoções e energias."