‘A Odisseia’, ‘Duna’ e ‘Capitães de areia’: confira filmes adaptados de livros e entenda o processo
Tribuna reuniu dicas de longas que são adaptações ou se inspiraram em livros e que valem a pena serem assistidos
Com a estreia de “A Odisseia”, na versão de Christopher Nolan, o debate sobre adaptações baseadas em livros voltou à cena. Por isso, além de discutir o que é levado em consideração ao adaptar um texto literário em audiovisual, a Tribuna reuniu ainda indicações de outros filmes que se inspiraram em outra forma de linguagem.
Confira a lista de filmes adaptados
“A Odisseia” (2026)
Além de todo o burburinho devido ao elenco de peso — que reúne nomes como Tom Holland, Robert Pattinson, Zendaya, Lupita Nyong’o e Anne Hathaway — e ao formato em que o filme foi filmado, sendo o primeiro a ser totalmente captado com câmeras IMAX, “A Odisseia” é uma das histórias mais antigas da humanidade e já foi inspiração de mais de 30 adaptações. A versão de Nolan está atualmente em cartaz nos cinemas ao redor do mundo.
Na história, inspirada no poema de Homero, seguimos o guerreiro grego Odisseu (Matt Damon) em sua jornada de volta para casa após a Guerra de Tróia, enfrentando criaturas míticas e até deuses para retornar para sua esposa, Penélope (Anne Hathaway).
“Bridget Jones”
Se o assunto é se inspirar em livros, a franquia “Bridget Jones” com certeza está entre os principais nomes. Originalmente baseada em “Orgulho e preconceito”, de Jane Austen, a série de livros “O diário de Bridget Jones”, de Helen Fieldin, segue Bridget em aventuras amorosas e os dilemas de uma mulher de 30 e poucos anos em Londres.
O sucesso dos livros foi tanto que se transformaram em filmes, formando uma tetralogia — a última parte foi lançada em 2025. Com um humor ácido e personagens que são fáceis de se identificar, a trama gira em torno de Bridget Jones, dividida entre o sedutor Daniel Cleaver e o sensato Mark Darcy, ambos inspirados em personagens de Jane Austen.
Atualmente, os filmes “O diário de Bridget Jones”, “Bridget Jones: No limite da razão”, “O bebê de Bridget Jones”e “Bridget Jones: Louca pelo garoto” estão disponíveis em serviços de streaming, como o Disney +.
“Duna”
Outra grande saga que retorna aos cinemas em 2026 é “Duna”, que chega com o encerramento de sua trilogia. Porém, os livros de Frank Herbert, escritos entre os anos 1960 e 1980, já foram adaptados antes, passando por diretores como Alejandro Jodorowsky e David Lynch.
“Duna” é uma obra de ficção científica ambientada em um futuro distante, em que planetas são governados por casas nobres. A história segue Paul Atreides, um jovem herdeiro forçado a se mudar para o perigoso planeta desértico de Arrakis (Duna). O local é disputado por ser a única fonte da “melange”, a especiaria mais valiosa e cobiçada do universo. A trama aborda assuntos como imperialismo, ecologia, política e religião.
A versão mais atual conta com Timothée Chalamet e Zendaya no elenco e a direção de Denis Villeneuve. “Duna – Parte 3” está com estreia prevista para dezembro deste ano, e as outras partes podem ser assistidas no HBO Max.
“Jogos vorazes”
Uma das sagas de livros mais famosas e considerada pelos fãs como bem adaptada, a trilogia original de “Jogos Vorazes” segue Katniss Everdeen em Panem, uma nação totalitária dividida em 12 distritos governados com mão de ferro pela “Capital”.
Todos os anos, um garoto e uma garota de 12 a 18 anos de cada distrito são forçados a lutar até a morte até que sobre apenas um sobrevivente nos Jogos Vorazes, como forma de punição por uma antiga rebelião.
Na nova trilogia, que no momento está sendo adaptada para os cinemas, com o nome de “Jogos vorazes – Amanhecer na colheita” e a previsão de estreia ainda para 2026, o universo de personagens se expande, na medida em que os antecessores de Katniss ganham seu próprio protagonismo.
“Robô selvagem” (2024)
Ainda sobre animações recentes, “Robô selvagem”, indicado ao Oscar de 2025 em três categorias, sendo elas Melhor Animação, Melhor Trilha Sonora e Melhor Som, aborda questões como pertencimento, autoconhecimento e maternidade ao contar a história de uma robô que naufraga em uma ilha desabitada, aprendendo a se adaptar no ambiente hostil.
O filme é inspirado no livro infanto-juvenil de Peter Brown e faz parte de uma trilogia. Atualmente, o filme está disponível na Prime Video.
“Capitães de areia” (2011)
Como indicação de filme nacional, “Capitães de areia” (2011), inspirado no romance homônimo de Jorge Amado, narra a história de Pedro Bala, Professor, Gato, Sem Pernas e Boa Vida, adolescentes abandonados por suas famílias, que crescem nas ruas de Salvador e vivem em comunidade no Trapiche.
Constantemente, os garotos recorrem ao crime para sobreviver e são perseguidos pela polícia. Ao longo do filme, novos personagens, como Dora, a primeira menina a integrar o grupo, e seu irmão Zé Fuinha, entram na trama, criando novas dinâmicas entre os jovens, que vivem dilemas da adolescência acompanhados de seu contexto social.
“É assim que acaba” (2024)
Adaptação de um dos livros mais famosos de Colleen Hoover, autora de romances, “É assim que acaba” fez sucesso nos cinemas brasileiros e ao redor do mundo. A história trata de temas pesados que podem ser gatilhos, então a dica é conferir com atenção antes de dar play.
Na trama, Lily Bloom decide começar uma nova vida em Boston e tentar abrir o seu próprio negócio, e acredita que encontrou o amor verdadeiro com Ryle, um charmoso neurocirurgião. No entanto, as coisas se complicam quando um incidente doloroso desencadeia um trauma do passado e, em paralelo, seu primeiro amor reaparece.
Mas, afinal, como se cria uma adaptação?
“Não existe adaptação fiel”, explica Érika Savernini, diretora da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e especialista em roteirização audiovisual. Pode parecer um choque, mas faz sentido.
Apesar de ser uma demanda dos fãs e dos estúdios para venderem as adaptações, a pesquisadora demonstra que é impossível ser criada uma adaptação completamente fiel, porque são linguagens diferentes. “A linguagem do livro, que muitas vezes é a fonte, é mais abstrata do que a audiovisual, por exemplo.”
Ao considerar a adaptação ou inspiração de um livro para um filme, é necessário justamente considerar essa diferença de linguagem e tempo. “Se eu escrevo em um livro a palavra árvore, isso já evoca um sentimento e imagem para o leitor. No cinema, não: eu preciso escolher exatamente a imagem do tipo de árvore, se está de noite ou de dia para compor melhor a narrativa.”
Outros pontos levados em consideração são o contexto de produção — se é mais comercial, quanto dinheiro será investido e o direcionamento do estúdio — e de recepção — qual é o público que irá receber essa adaptação e como. Tudo isso impacta na produção do filme.
É por essas diferenças que, muitas vezes, ao adaptar um livro para as grandes telas, mudanças são realizadas na história, de maneira a compor melhor a narrativa para o espectador, mesmo que isso possa causar revolta dos fãs mais dedicados.
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy









