A Preta é pop
Do salão de cabeleireiro, Preta Gil dá sinais que ainda continua dando o que falar. "Tenho a mesma essência, os mesmos ideais, mas estou muito modificada. Uma pessoa focada na carreira e muito feliz com os resultados", dispara. Polêmica para uns e tímida para outros, a cantora é pura explosão. Em contato – "quase que o tempo todo" – com o público nas ruas, Preta Maria Gadelha Gil Moreira demonstra por que é filha de Gilberto Gil e afilhada de Gal Costa pela impulsividade. "Fama para mim é consequência de um trabalho bem-sucedido", assegura ela. "Gosto de ser uma cantora famosa, porque meu trabalho é reconhecido. Escolhi essa profissão mesmo sabendo que a gente enfrenta situações que não são das melhores, como excesso de exposição e fofocas. Mas faz parte saber lidar com isso." Quem acompanha é Fabio Lessa (baixo), Ricardo Marins (guitarra), Ranieri Oliveira (teclado) e Andre Fernandes (bateria).
Do axé ao forró, com levadas de MPB, Preta Gil é pop e vem mostrar à cidade os motivos que a fazem continuar onde se sente mais que completa, no palco. As autorais "Sinais de fogo", "Stereo", "Medida do amor", "Baianinha" e "Meu valor" se juntam às versões de "Gatas extraordinárias" (Caetano Veloso), "Xodó" (Dominguinhos) e "Baba baby" (Kelly Key) para o balaio musical chamado "Noite Preta", festa que, pela segunda vez, promete animar o pub do Privilège hoje.
O ecletismo de seu repertório, como ela acredita, vem da infância. Afinal, cantar de tudo um pouco sempre esteve valendo na casa dos Gil. "É cultural", sublinha ela, reafirmando ser contra a cultura do Ploc e o modo como alguns músicos tratam o cancioneiro dos anos 70 e 80, "geralmente brega, e não chique". "O show está sempre se inovando, essa é uma característica da ‘Noite Preta’. Costumo adaptar parte do repertório cantando músicas que estão fazendo sucesso no Brasil. O sertanejo universitário, por exemplo, acrescentei porque é o que o povo gosta de ouvir!", reforça.
Ainda muito ligada à internet, Preta sabe como ninguém utilizar a rede para divulgar shows e se aproximar dos fãs. "Acredito que, hoje, a internet seja muito importante na carreira de um artista, mas sempre aliada ao trabalho de campo", pondera. Aclamada pelo público da noite carioca e por milhares de foliões que tomam seu bloco durante o carnaval (este ano foram 400 mil), Preta Gil pode até não agradar os mais apurados gostos musicais, porém, é fato, ela tem a receita do sucesso. Mas, por enquanto, não está disposta a revelar.
O riso de cantar a vida
Se foi no Cinemathèque, casa carioca lotada em Botafogo, que a Noite Preta foi apresentada para não mais que 200 convidados em 2007, hoje Preta Gil estoura qualquer bilheteria. Quando a festa chegou à The Week, também no Rio, em 2009, ela sabia que não tinha como voltar atrás, pelo bem dos mais de três mil fãs que passaram a acompanhar. Antes, porém, ela já havia estado no mercado fonográfico com dois CDs ("Prêt-à porter", 2003, e "Preta", 2005). Em 2010, no entanto, ela voltou com CD e DVD homônimos, gravados na The Week com a direção geral de Marcello Azevedo. O projeto traz a cantora juiz-forana Ana Carolina na faixa "Sinais de fogo", e o pai e o filho de Preta, Gilberto Gil e Francisco Gil, em "Drão", do próprio Gil. "Apesar de já ter acompanhado meu pai como backing por algum tempo, ele nunca havia cantado em um trabalho meu. Então veio a canção ‘Drão’ que ele fez para minha mãe. Quando eles se separaram, eu passei a não gostar da música, até que aproveitei a presença dos dois (pai e mãe) no Canecão, no aniversário de dois anos da "Noite Preta", e o convidei a dividir o microfone", conta.
Cantar e dançar com Preta Gil só tem graça se com este "coletivo" vem junto o riso. Acostumada às graças espalhadas nas redes sociais, ela também conta piadas no show. Tudo, segundo ela, de forma improvisada. "Depois das duas primeiras músicas, dá para saber quem é o público e do que ele gosta", assinala a cantora, adiantando o que anda produzindo. "Estou preparando o repertório para gravar um novo CD em estúdio no segundo semestre. Fiz uma promoção na internet para gravar uma música inédita de um novo compositor e mais canções de compositores parceiros. Estou focada nisso agora, tenho até convites para o exterior, mas quero deixar um pouco mais para frente."









