Ouça agora

Encenações por todo lado


Por Fernanda Sanglard

21/04/2011 às 07h00

 

Como em todos os anos, a Semana Santa é marcada por procissões e encenações católicas que se estendem até o Sábado de Aleluia, emocionando os fiéis. Seja ao ar livre, durante as vias-sacras, no interior das igrejas ou em espaços festivos, a proposta é sempre recordar a Paixão de Cristo. Desta vez, dois espetáculos iniciaram as celebrações no último fim de semana com apresentações na Capela Santa Clara, que faz parte da Paróquia Divino Espírito Santo, e na Matriz de São Mateus. A partir de hoje, outras peças teatrais estão na programação das paróquias (ver quadro), e a maioria delas será encenada na Sexta-feira da Paixão.

 

 

Durante três dias, os cerca de 50 integrantes do Grupo Semana Santa, da Paróquia Santa Luzia, vão relembrar prisão, julgamento, condenação, crucificação e ressurreição de Jesus. A encenação começa hoje, e, a cada dia, uma parte do espetáculo será apresentada. Para conquistar o público e transmitir a mensagem do evangelho de forma atrativa, o grupo investiu no preparo dos atores, no figurino estilizado e na concepção da iluminação e sonorização.

 

 

Na sexta, quatro paróquias têm espetáculos na programação. Na do Bairro São Pedro, o movimento Jovens Unidos Descobrindo o Amor de Cristo (Judac) pretende encenar um grande musical com cerca de 150 pessoas na produção, envolvendo desde músicos e dançarinos profissionais a atores amadores. Cenas de hip-hop, dança do ventre, canto coral e solistas demonstram como o grupo é eclético e também a possibilidade de misturar diversos estilos para atingir um objetivo comum.

 

 

"Fazemos parte de um movimento católico, mas tentamos englobar várias manifestações cristãs para atingir público diversificado e levar a nossa mensagem", explica a diretora-geral do espetáculo do Judac, Bárbara Simões. Devido ao aumento do público, estimado em mais de mil pessoas este ano, a produção passou a ser realizada na Estação São Pedro, próximo à Igreja Matriz.

 

 

Já a Paróquia de São Pio X prepara dois eventos para esta sexta. Na madrugada, grupos das comunidades da região do Bairro Ipiranga vão montar as 15 estações durante a via-sacra. À tarde, após celebração e procissão programadas para as 15h, uma peça será encenada no Bairro Arco-Íris. De acordo com a coordenadora da comunidade de São Pio X, Lucia Caldeira, os fiéis da região se envolvem com os preparativos há dois meses.

 

 

Como de costume, o tradicional Grupo Redentorarte, da Paróquia Nossa Senhora da Glória, faz sua apresentação também na sexta, às 9h, na Igreja Matriz localizada no Morro da Glória. A novidade ficará por conta do estilo da montagem, que não terá mais texto e leitura, focando na encenação. Também com tradição no Bairro Linhares, o espetáculo do Grupo Evangeliarte, vinculado à Paróquia Nossa Senhora Aparecida, vai promover sua montagem novamente na praça localizada na entrada do Bairro Linhares. Enquanto os atores vivenciam a Paixão de Cristo, narradores dublam a trama, que é transmitida por caixas de som. "Foi a forma que encontramos para superar as dificuldades técnicas de apresentar ao ar livre", explica a diretora da peça, Marilene Fernandes Mendes.

 

 

 

Um novo olhar

 

 

Diante do dilema de apresentar a cada ano a mesma história, os grupos tradicionais buscam novas formas de representar a Paixão de Cristo. A solução encontrada foi traçar o percurso entre o martírio e a ressurreição de Jesus sob outro olhar. Enquanto até agora a encenação era baseada na visão de Maria Madalena, este ano o Grupo Semana Santa, de Santa Luzia, vai focar em Pôncio Pilatos e sua esposa, Cláudia.

 

 

O movimento Jovens Unidos Descobrindo o Amor de Cristo (Judac) fez semelhante e também vai abordar o olhar de Cláudia. "O objetivo é tentar um diferencial, até mesmo para que o público não pense que sempre é a mesma coisa", justifica a diretora-geral do espetáculo, Bárbara Simões.

 

 

Renato Costa, um dos coordenadores do Grupo Semana Santa, explica que a intenção é integrar a liturgia da Igreja ao espetáculo artístico, por isso parte da encenação é feita no interior da matriz, e o restante seguirá junto com à procissão até uma segunda locação, onde a peça será encerrada. "A narrativa ocorre de acordo com o pensamento dos dois personagens-narradores, oferecendo essa modificação de olhar, mas sem perder a característica de teatro feito pela comunidade, transformando a liturgia em arte."