Bloco do Beco e Banda Daki: Carnaval como nos velhos tempos
Último fim de semana de folia em Juiz de Fora mantém a tradição com Bloco do Beco e Banda Daki. Confira novidades e programação
No último fim de semana de folia em Juiz de Fora, não podem faltar o Bloco do Beco, a Banda Daki e o Pintinho de Ouro, três blocos tradicionais de Juiz de Fora que compartilham a mesma alegria. Este ano, o Bloco do Beco irá homenagear os 70 anos do samba “Ai se eu fosse feliz”, que foi o enredo da Escola de Samba Feliz Lembrança, em 1950. Tendo acompanhado o desfile quando ainda era criança, agora aos 81 anos, Armando Fernandes Aguiar (Mamão) está à frente desta celebração que recupera uma importante memória para o carnaval da cidade. “Eu tinha entre 10 e 11 anos e desfilei na escola, cantando essa música. Naquela época as escolas de samba não tinham samba-enredo, e Juquita e B.O. (Barbeiro Older) fizeram uma letra, entregaram para o Djalma de Carvalho colocar uma melodia e acabou virando samba. De lá para cá, esse enredo tem sido o mais cantado em todos os carnavais de Juiz de Fora, seja em blocos, bares ou clubes”, relembra Mamão.

Mas as emoções não param por aí. Aos 96 anos, a rainha da época, Eurídice Ferrareze, irá voltar à avenida para também ser homenageada. Seu filho, Wilson Ferrareze, é um dos diretores do bloco e escreveu em seu Facebook um relato sobre a história da mãe com o carnaval. Eurídice era amiga de Nancy de Carvalho, cuja casa “era um verdadeiro celeiro de sambistas” e foi onde teve início a Escola de Samba Feliz Lembrança, em 1939. Ela viu a escola nascer quando tinha quase 7 anos de idade e costumava colocar um banquinho para dar altura e ver, através da cerca que separava as casas, os compositores escreverem e cantarem sambas. Em 1948, quando tinha quase 16 anos, ela foi convidada para desfilar pela primeira vez.

“A escola saiu com o enredo ‘Libertação da escravatura’ com o samba ’13 de maio’, e o Djalma de Carvalho foi na casa do meu avô, Paulino Alexandrino Ferrareze, pedir para a Eurídice ser a Princesa Isabel. Ele concordou, e minha mãe desfilou pela primeira vez numa Escola de Samba. Em 1950, a Feliz Lembrança saiu com o enredo ‘Menino infeliz’, com o samba “Ai se eu fosse feliz”, e o Nelson Silva disse que precisavam de uma ‘rainha’ para representar o grande amor do ‘menino’. E aí, novamente, foi o Djalma de Carvalho, a Nancy e o Nelson Silva lá na casa do meu avô, para que minha mãe saísse como Rainha da Escola, e a Nancy seria a Porta Bandeira. Meu avô, que era bravo feito não sei o quê, falou: ‘Com vocês, ela vai’. E ela foi e cantou pela primeira vez o samba mais cantado na história do Carnaval no mundo”, conta Wilson.
Bloco do Beco
Concentração nesta sexta-feira (21), às 19h30, no Parque Halfeld
Banda Daki terá bateria para aquecer foliões
Além de marchinhas, fantasias, confete e serpentina, a Banda Daki planeja inovar nos seus 48 anos. “Sempre tivemos na concentração o trio elétrico com música até meio-dia e meia, quando fazíamos a abertura e a banda começava a tocar. Esse ano, temos uma novidade maior ainda, quem ajudará a gente a fazer a concentração da banda é a bateria do bloco Só Love, além da música, para animar ainda mais o público”, conta o general da banda, Zé Kodak. Esse ano, os foliões também devem pular ao som de Mamonas Assassinas, Xuxa e até “Atirei o pau no gato”. Personalidades como a Isabelita do Patins, a Bailarina Ana, o Palhaço Trombini, o Rei Momo, a Rainha e as Princesas devem marcar presença. Esperando reunir um público de 20 a 30 mil pessoas, Zé Kodak não vê a hora de descobrir quais serão as fantasias mais divertidas desse ano. “A concentração é muito colorida, bonita e alegre, uma saída de cinema, e encontramos cada pessoa caricata que morremos de rir”, comenta.
Antes de criar com seus amigos um bloco próprio, o sambista Armando Fernandes Aguiar acompanhou o início da Banda Daki e chegou a escrever uma marchinha para homenagear a banda do general Zé Kodak. “A Banda Daki e os blocos de rua foram montados para salvar o carnaval de rua que, naquela época, estava em decadência, aconteciam muito dentro de clubes”, conta. Para Zé Kodak, a admiração é recíproca. “O Bloco do Beco tem a mesma idade, estamos juntos esse tempo todo, é uma festa muito bonita. É o verdadeiro carnaval de rua, que em outras cidades praticamente não existe, que é o caso do Bloco do Beco e Pintinhos de Ouro. Eles homenageiam as lembranças do carnaval de Juiz de Fora. Foi emocionante (ser homenageado pelo Bloco do Beco), porque quando somos homenageados em vida, você curte e participa, brinca, vê os amigos e compartilha da festa”, alegra-se Zé Kodak.
Banda Daki
Concentração neste sábado (22), às 10h, no Largo do Riachuelo

Os pintinhos voltam a ser criança
Com suas tradicionais jardineiras e chapéus coloridos, 99 pintinhos se concentram no Parque Halfeld, nesta sexta-feira (21), com a intenção de viajar no tempo. Esse ano, o samba do bloco Pintinhos de Ouro tem a intenção de relembrar os velhos tempos, quando o mundo virtual ainda não era sequer imaginado. Composto pelo sambista Edimar e interpretado por Ney Gerald, o samba “Pintinho pintando o sete” também recupera as crenças do número sete, que marcaram as gerações passadas. “Tem sete para lá/ tem sete para cá/ tome cuidado pro espelho não quebrar./ Se o gato tem sete vidas/ é melhor não arriscar/ porque se não são sete anos de azar”, canta o refrão. “O Pintinho é um bloco irreverente de brincadeira, e queremos relembrar aquela época em que se soltava papagaio, brincava de carrinho de rolimã, patinete e bola. Estamos voltando à era de ser criança. Teremos um carro com a Dona Wilma Trigo, de 84 anos, a ‘mãe dos pintinhos’, com brinquedos que hoje não existem mais. Também teremos o bondinho do antigo jardim de infância”, destaca o presidente Roberto Cândido.
Pintinho de Ouro
Concentração nesta sexta-feira (21), às 18h30, no Parque Halfeld – Centro









