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Bloco do Beco e Banda Daki: Carnaval como nos velhos tempos

Último fim de semana de folia em Juiz de Fora mantém a tradição com Bloco do Beco e Banda Daki. Confira novidades e programação


Por Fabiane Almeida, estagiária sob supervisão da editora Isabel Pequeno

21/02/2020 às 07h07

No último fim de semana de folia em Juiz de Fora, não podem faltar o Bloco do Beco, a Banda Daki e o Pintinho de Ouro, três blocos tradicionais de Juiz de Fora que compartilham a mesma alegria. Este ano, o Bloco do Beco irá homenagear os 70 anos do samba “Ai se eu fosse feliz”, que foi o enredo da Escola de Samba Feliz Lembrança, em 1950. Tendo acompanhado o desfile quando ainda era criança, agora aos 81 anos, Armando Fernandes Aguiar (Mamão) está à frente desta celebração que recupera uma importante memória para o carnaval da cidade. “Eu tinha entre 10 e 11 anos e desfilei na escola, cantando essa música. Naquela época as escolas de samba não tinham samba-enredo, e Juquita e B.O. (Barbeiro Older) fizeram uma letra, entregaram para o Djalma de Carvalho colocar uma melodia e acabou virando samba. De lá para cá, esse enredo tem sido o mais cantado em todos os carnavais de Juiz de Fora, seja em blocos, bares ou clubes”, relembra Mamão.

bloco do beco e banda daki
Carnaval e amizade: Mamão (Bloco do Beco) e Zé Kodak (Banda Daki), compartilham da mesma alegria e orgulho de estar à frente de blocos que fazem história na cidade (Foto: Fernando Priamo)

Mas as emoções não param por aí. Aos 96 anos, a rainha da época, Eurídice Ferrareze, irá voltar à avenida para também ser homenageada. Seu filho, Wilson Ferrareze, é um dos diretores do bloco e escreveu em seu Facebook um relato sobre a história da mãe com o carnaval. Eurídice era amiga de Nancy de Carvalho, cuja casa “era um verdadeiro celeiro de sambistas” e foi onde teve início a Escola de Samba Feliz Lembrança, em 1939. Ela viu a escola nascer quando tinha quase 7 anos de idade e costumava colocar um banquinho para dar altura e ver, através da cerca que separava as casas, os compositores escreverem e cantarem sambas. Em 1948, quando tinha quase 16 anos, ela foi convidada para desfilar pela primeira vez.

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Rainha da Feliz Lembrança no passado, Eurídice Ferrareze volta à avenida, aos 96 anos, para ser homenageada (Foto: Arquivo pessoal)

“A escola saiu com o enredo ‘Libertação da escravatura’ com o samba ’13 de maio’, e o Djalma de Carvalho foi na casa do meu avô, Paulino Alexandrino Ferrareze, pedir para a Eurídice ser a Princesa Isabel. Ele concordou, e minha mãe desfilou pela primeira vez numa Escola de Samba. Em 1950, a Feliz Lembrança saiu com o enredo ‘Menino infeliz’, com o samba “Ai se eu fosse feliz”, e o Nelson Silva disse que precisavam de uma ‘rainha’ para representar o grande amor do ‘menino’. E aí, novamente, foi o Djalma de Carvalho, a Nancy e o Nelson Silva lá na casa do meu avô, para que minha mãe saísse como Rainha da Escola, e a Nancy seria a Porta Bandeira. Meu avô, que era bravo feito não sei o quê, falou: ‘Com vocês, ela vai’. E ela foi e cantou pela primeira vez o samba mais cantado na história do Carnaval no mundo”, conta Wilson.

Bloco do Beco
Concentração nesta sexta-feira (21), às 19h30, no Parque Halfeld

Banda Daki terá bateria para aquecer foliões

Além de marchinhas, fantasias, confete e serpentina, a Banda Daki planeja inovar nos seus 48 anos. “Sempre tivemos na concentração o trio elétrico com música até meio-dia e meia, quando fazíamos a abertura e a banda começava a tocar. Esse ano, temos uma novidade maior ainda, quem ajudará a gente a fazer a concentração da banda é a bateria do bloco Só Love, além da música, para animar ainda mais o público”, conta o general da banda, Zé Kodak. Esse ano, os foliões também devem pular ao som de Mamonas Assassinas, Xuxa e até “Atirei o pau no gato”. Personalidades como a Isabelita do Patins, a Bailarina Ana, o Palhaço Trombini, o Rei Momo, a Rainha e as Princesas devem marcar presença. Esperando reunir um público de 20 a 30 mil pessoas, Zé Kodak não vê a hora de descobrir quais serão as fantasias mais divertidas desse ano. “A concentração é muito colorida, bonita e alegre, uma saída de cinema, e encontramos cada pessoa caricata que morremos de rir”, comenta.

Antes de criar com seus amigos um bloco próprio, o sambista Armando Fernandes Aguiar acompanhou o início da Banda Daki e chegou a escrever uma marchinha para homenagear a banda do general Zé Kodak. “A Banda Daki e os blocos de rua foram montados para salvar o carnaval de rua que, naquela época, estava em decadência, aconteciam muito dentro de clubes”, conta. Para Zé Kodak, a admiração é recíproca. “O Bloco do Beco tem a mesma idade, estamos juntos esse tempo todo, é uma festa muito bonita. É o verdadeiro carnaval de rua, que em outras cidades praticamente não existe, que é o caso do Bloco do Beco e Pintinhos de Ouro. Eles homenageiam as lembranças do carnaval de Juiz de Fora. Foi emocionante (ser homenageado pelo Bloco do Beco), porque quando somos homenageados em vida, você curte e participa, brinca, vê os amigos e compartilha da festa”, alegra-se Zé Kodak.

Banda Daki
Concentração neste sábado (22), às 10h, no Largo do Riachuelo

Pintinhos de Ouro 2019 foto Gil Velloso Funalfa
Pintinhos de Ouro prometem voltar no Parque Halfeld com fôlego em 2020 (Foto: Gil Veloso/Funalfa)

Os pintinhos voltam a ser criança

Com suas tradicionais jardineiras e chapéus coloridos, 99 pintinhos se concentram no Parque Halfeld, nesta sexta-feira (21), com a intenção de viajar no tempo. Esse ano, o samba do bloco Pintinhos de Ouro tem a intenção de relembrar os velhos tempos, quando o mundo virtual ainda não era sequer imaginado. Composto pelo sambista Edimar e interpretado por Ney Gerald, o samba “Pintinho pintando o sete” também recupera as crenças do número sete, que marcaram as gerações passadas. “Tem sete para lá/ tem sete para cá/ tome cuidado pro espelho não quebrar./ Se o gato tem sete vidas/ é melhor não arriscar/ porque se não são sete anos de azar”, canta o refrão. “O Pintinho é um bloco irreverente de brincadeira, e queremos relembrar aquela época em que se soltava papagaio, brincava de carrinho de rolimã, patinete e bola. Estamos voltando à era de ser criança. Teremos um carro com a Dona Wilma Trigo, de 84 anos, a ‘mãe dos pintinhos’, com brinquedos que hoje não existem mais. Também teremos o bondinho do antigo jardim de infância”, destaca o presidente Roberto Cândido.

Pintinho de Ouro
Concentração nesta sexta-feira (21), às 18h30, no Parque Halfeld – Centro