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O amor que ousa dizer seu nome


Por JÚLIO BLACK

21/01/2016 às 07h00- Atualizada 21/01/2016 às 08h01

Baseado no livro de Patricia Highsmith, 'Carol' teve seis indicações ao Oscar - duas delas pelas interpretações de Rooney Mara e Cate Blanchet

Baseado no livro de Patricia Highsmith, ‘Carol’ teve seis indicações ao Oscar – duas delas pelas interpretações de Rooney Mara e Cate Blanchet

Chloë Grace Moretz é a adolescente à procura do irmão no apocalíptico 'A 5ª Onda'

Chloë Grace Moretz é a adolescente à procura do irmão no apocalíptico ‘A 5ª Onda’

Consideramos justas toda forma de amor? Estamos em 2016, e a pergunta ainda suscita discussões acaloradas entre quem defende ou repudia relacionamentos que fujam da “tradicional” equação homem-mulher. Imagine, então, nos puritanos e conservadores anos 1950, época em que se passa “Carol”, drama dirigido por Todd Haynes e que chega aos cinemas da cidade nesta quinta-feira. A história, adaptação do livro “The price of salt”, escrito em 1952 por Patricia Highsmith (que conseguiu publicá-lo apenas sob o pseudônimo Claire Morgan), recebeu críticas vigorosas desde o lançamento nos Estados Unidos, em 2015, e recebeu seis indicações para o Oscar, incluindo as categorias de melhor atriz (Cate Blanchet) e atriz coadjuvante (Rooney Mara), mas foi escandalosamente ignorado na disputa dos prêmios de filme e diretor (Todd Haynes, em seu primeiro trabalho desde “Não estou lá”, de 2007).

“Carol” é mais um filme passado no período que parece ser uma obsessão do diretor: a década de 1950, em que foram ambientadas produções suas como “Longe do paraíso”, época em que a imagem e a reputação eram tão importantes que fazia-se de tudo para manter as aparências. É neste mundo que vive Carol Aird, dona de casa da classe-média alta de Nova York, infeliz no casamento e disposta a se divorciar do marido, Harge (Kyle Chandler). Ela já havia passado por um envolvimento romântico com a amiga, confidente e madrinha de sua filha, mas perde as estribeiras quando conhece a vendedora Theresa Belivet (Rooney Mara), 15 anos mais jovem e relutante noiva de um sujeito que quer se casar e ser feliz para sempre com ela.

O que começa com olhares discretos e encontros se transforma num irresistível romance, mas nem tudo será fácil. Para começar, as duas enfrentam as próprias barreiras pessoais para assumirem um relacionamento que seria absolutamente escandaloso para a sociedade da época, e Carol ainda precisa lidar com a obsessão do marido em manter o casamento, num misto de amor desesperado, desejo de posse e machismo por se negar a aceitar perder a esposa para outra mulher.

Ao retornar aos seus dramas cinquentistas, Haynes se vale das interpretações do elenco – em especial as protagonistas -, da ambientação de época e da fotografia (o uso dos automóveis como “prisão” para as personagens que não podem assumir seus desejos) para criar um drama delicado, tocante e que coloca em perspectiva o que mudou – ou não – nas sociedades em pouco mais de seis décadas.

CAROL

Cinemais 4: 19h40 e 22h. Palace 1: 17h40 e 20h (exceto segunda-feira)

Classificação: 14 anos

Apocalipse juvenil

Dois elementos da cultura pop têm andado em voga nos últimos tempos: os alienígenas que chegam arrasando o nosso quarteirão – leia-se a Terra – e garotas que assumem o papel de protagonistas e são as heroínas dos livros e longas-metragens direcionados para os adolescentes. São estes os dois ingredientes principais de “A 5ª Onda”, misto de ficção científica, aventura e drama familiar que estreia esta semana no Brasil.

A produção é mais uma a adaptar para a tela grande um livro – no caso, a trilogia (claro) escrita por Rick Yancey. A história tem como ponto de partida a chegada de alienígenas ao nosso planeta, conhecidos apenas como Os Outros. Se em “Independence Day” os aliens saem destruindo tudo logo de cara, em “A 5ª Onda” o serviço é feito aos poucos. Primeiro é emitido um pulso eletromagnético que deixa o mundo sem equipamentos elétricos, eletrônicos e afins; a segunda onda é uma série de terremotos devastadores que resultam em tsunamis ainda mais catastróficos, arrasando boa parte das maiores cidades da Terra; a terceira onda é um vírus sem cura transmitido pelos pássaros, que mata 97% da população que havia sobrevivido.

Se o público pensa que acabou, ainda tem mais: na quarta onda, os alienígenas infiltram-se entre a população para ir matando um a um, o que provoca medo e desconfiança mútua. É neste cenário de quase extinção que vive a adolescente Cassie (Chloë Grace Moretz, a Hit-Girl de “Kick-Ass”), lutando para sobreviver ao mesmo tempo em que tenta reencontrar seu irmão mais novo. A companhia dela na jornada é outro adolescente em quem não pode confiar, e tanto eles quanto o resto da humanidade tentam se preparar para a a chegada da chamada Quinta Onda, que seria a investida final dos Outros para exterminar de vez nossa espécie da face da Terra.

A 5ª ONDA

UCI 4 (dub): 13h35, 18h25 (todos os dias) e 23h15 (sexta-feira e sábado). UCI 4: 16h e 20h50. Cinemais 2 (dub): 14h50 e 19h30. Cinemais 2: 17h10 e 21h50

Classificação: 14 anos