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Documentário sobre Preta Gil reúne registros íntimos durante tratamento contra o câncer

Produção ‘Preta – Eu não ando só’ estreia na TV Globo e integra projeto com série no Globoplay


Por Estadão Conteúdo

20/07/2026 às 13h36

O documentário inédito “Preta – Eu não ando só”, que estreia nesta segunda-feira (20), na TV Globo, apresenta registros íntimos de Preta Gil (1974-2025) durante o tratamento contra um câncer de intestino. A produção será exibida após a novela “Quem ama cuida”, na data que marca um ano da morte da cantora.

Com cerca de 1h40 de duração, o filme reúne vídeos gravados por Preta e por pessoas próximas ao longo dos aproximadamente dois anos e meio de tratamento. A artista morreu em 20 de julho de 2025, em Nova York, aos 50 anos. Os registros caseiros são intercalados com depoimentos de familiares e amigos.

Entre as cenas está uma visita de Preta ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo. Durante o passeio, ela acende uma vela e procura um local para colocá-la em um velário já ocupado. Um padre indica um espaço em meio à cera derretida, onde o objeto permanece de forma instável. A cantora aceita a sugestão, embora demonstre insegurança sobre a escolha.

A decisão de registrar a própria rotina, no entanto, foi uma certeza para Preta. Desde o início do tratamento, ela passou a fazer vídeos em casa e no hospital e pediu que pessoas de seu convívio também gravassem os momentos vividos ao seu lado.

Em 2023, Preta confiou à diretora artística Mônica Almeida a missão de transformar o material em um documentário, independentemente de ser curada ou não. Segundo Sandra Kogut, diretora de “Preta – Eu não ando só”, há um áudio gravado pela artista nos últimos dias de vida no qual ela reafirma esse desejo. O registro não foi incluído no filme.

A produção faz parte do projeto “Quanto mais Preta, melhor”, da Globo, que também inclui uma série documental no Globoplay. A iniciativa aborda a trajetória pessoal e artística da cantora.

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Em agosto de 2024, Preta Gil lançou seu livro ‘Os primeiros 50’ (Foto: Manu Scarpa/ Reprodução redes sociais)

Registros íntimos durante o tratamento

O documentário mostra momentos delicados, como o período em que Preta ficou intubada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Sírio-Libanês, após uma cirurgia que durou mais de 20 horas.

As gravações feitas por celulares aparecem ao lado de entrevistas realizadas especialmente para o filme. Entre os participantes estão Carolina Dieckmann, Ivete Sangalo, Luciano Huck, Angélica, Ana Carolina e Otávio Müller, ex-marido da cantora.

Sandra Kogut afirma não saber precisar quantos minutos ou horas de vídeos recebeu. O material chegou sem tratamento ou edição.

“Eu tive que entender o que fazer com esse material. Não podia brigar com aquilo. Tinha uma qualidade humana, afeto, pelo fato de as imagens serem feitas por pessoas que estavam vivendo aquilo, muito próximas a ela”, explica a diretora de filmes como “Mutum” (2007) e “Três verões” (2020).

A partir dos registros, a equipe precisou definir qual história seria contada. Diferentemente de Mônica Almeida, Sandra não tinha uma relação próxima com Preta. A diretora conheceu a cantora ainda adolescente, por intermédio da atriz Regina Casé, que também participa do documentário.

“Talvez isso tenha sido algo bom. Quando você faz um filme, precisa estar perto e longe, dentro e fora”, explica Sandra.

Durante a produção, a diretora afirma ter reencontrado características que havia percebido em Preta décadas antes. “Preta tinha vivacidade, inteligência, era engraçada. Uma pessoa intensa”, resume.

A disposição para viver durante o tratamento é relatada principalmente por amigos que acompanharam de perto a cantora. Malu Barbosa e Marcello Azevedo, sócios da artista em empresas como Mynd e Liga Entretenimento, estão entre eles.

Os influenciadores Gominho, Jude Paulla e Duh Marinho também integravam o grupo chamado por eles de Diamond’s Family. Os amigos se revezavam no acompanhamento hospitalar, no atendimento às vontades de Preta e na organização de questões burocráticas.

Segundo o documentário, manter a esperança e a alegria era uma orientação conduzida pela própria cantora.

“Preta era a expressão da vida. Mesmo no momento em que ela estava vivendo a morte mais perto, afirma essa vida. O desejo do filme é isso: registrar uma maneira de ser. Para mim, isso fez todo o sentido”, afirma Sandra.

A “força tropicalista” de Preta Gil

Além de acompanhar o tratamento contra o câncer, “Preta – Eu não ando só” apresenta aspectos da personalidade e da trajetória de Preta. No palco, a cantora se definia como “uma preta, gorda e bissexual”.

Os depoimentos de Fran Gil, filho da artista, Gilberto Gil, pai, Caetano Veloso, tio, Maria Gil, irmã, e Moreno Veloso, primo, ajudam a reconstruir essa identidade.

Em um registro de 1977, Gilberto Gil conta ter passado oito dias chorando após o nascimento da filha. No novo depoimento, o músico afirma que Preta possuía uma “força tropicalista”.

“Neo, pós, trans tropicalista. Ela tinha, sim, uma força tropicalista. Flor que brotou nesse jardim”, define o compositor.

Caetano Veloso também ressalta essa característica. “Preta era desembaraçadamente plural”, afirma o músico, ao relacionar a capacidade da sobrinha de exercer funções artísticas e não artísticas com o tropicalismo.

O documentário recupera cenas da Festa Preta, evento promovido pela artista no Rio de Janeiro. Nas imagens, a cantora aparece no palco e conduz o público em uma postura comparada à do apresentador Chacrinha.

Moreno Veloso caracteriza a prima como “glutona”, seja por comida, bolsas ou pela própria vida. Maria Gil afirma que o amor entre as irmãs estava relacionado às diferenças entre elas.

Sandra Gadelha, conhecida como Drão e mãe de Preta, não presta depoimento diretamente, mas aparece de forma afetiva na produção.

Relação entre amigos e familiares

A alternância entre depoimentos dos amigos que acompanharam a rotina do tratamento e dos integrantes da família mostra diferenças na forma como os dois grupos lidavam com a doença.

No Réveillon de 2024 para 2025, quando o quadro de saúde da cantora se agravou, Gilberto Gil aparece no hospital e assume o controle da situação. Em outro momento, Gominho afirma que amigos próximos à família ficaram preocupados depois que Preta decidiu levar pessoas de seu convívio para morar com ela.

“Queriam interditá-la. Achavam que ela estava louca.”

De acordo com Sandra Kogut, esses acontecimentos também refletem as decisões tomadas pela cantora ao longo da vida.

“Ela que inventou o mundo no qual ela queria viver, seja afetivamente ou artisticamente, com muita verdade e coragem”, diz.

“Preta falou sobre pautas que hoje estão super presentes no debate público, como homofobia, racismo e gordofobia lá atrás, de uma maneira muito genuína”, completa a diretora.

Documentário é dedicado à neta de Preta

“Preta – Eu não ando só” é dedicado a Sol de Maria, neta da cantora, atualmente com 10 anos. A menina participa do filme e relata como soube que a avó estava doente.

“Acho que sua avó está doente, eu vi no jornal”, disseram os amigos a Sol.

“Eu perguntei para minha avó. Ela disse que sim e me perguntou se eu queria saber mais [sobre a doença]”, conta a menina.

Sol produziu um colar de miçangas coloridas para a avó “ficar boa”. Preta aparece usando o acessório durante diferentes períodos de internação. O mais longo deles durou três meses.

A relação entre avó e neta também aparece após uma das cirurgias realizadas para retirar o câncer. Na ocasião, acreditando estar curada, Preta telefona para o filho, Fran Gil, e afirma, emocionada, que poderia acompanhar o crescimento de Sol.

“Imagino que parte do desejo de fazer esse filme seja de deixar um registro para Sol e para tanta gente dessa geração que ainda vai descobrir o que Preta fez”, opina Sandra.

“As entrevistas foram todas muito especiais. Nunca havia vivido isso. Falar com pessoas sobre alguém que morreu há tão pouco tempo, com tudo tão à flor da pele.”

Série “Meu nome é Preta” estreia no Globoplay

Além do documentário, o projeto “Quanto mais Preta, melhor” inclui a série original “Meu nome é Preta”, que estreia nesta segunda-feira no Globoplay.

Produzida pela Conspiração Filmes e dirigida por Mini Kerti, a série tem quatro episódios, que serão disponibilizados semanalmente. O último capítulo está previsto para entrar no catálogo em 8 de agosto.

A produção apresenta imagens raras da infância e da carreira de Preta Gil, incluindo registros dos projetos “Noite Preta” e “Bloco da Preta”. Familiares e amigos também participam da série.

Preta – Eu Não Ando Só

TV Globo, nesta segunda-feira (20), após a novela “Quem Ama Cuida”

Meu Nome é Preta

Globoplay, a partir desta segunda-feira (20), com episódios semanais até 8 de agosto

Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe