Tópicos em alta: eleições 2022 / coronavírus / vacina / polícia / obituário

Funalfa lança Programa Cultural Murilo Mendes 2022

Neste ano, três dos quatro editais terão cotas; inscrições para “Esparrama” e “Cultura da/na quebrada” começam nesta terça-feira


Por Cecília Itaborahy, sob supervisão da editora Fabíola Costa

20/06/2022 às 17h30- Atualizada 20/06/2022 às 20h56

Participaram da coletiva Leonardo Fernades, Fernanda Santos, Giane Elisa e Wenderson Marcelino (Foto: Fernando Priamo)

Na edição deste ano, o Programa Cultural Murilo Mendes será dividido em quatro editais, sendo eles: “Esparrama”, “Cultura da/na quebrada”, “Murilão” e “Quilombagens”. O investimento será de R$ 2 milhões, o mesmo do ano passado. No entanto, com um edital a menos em relação a 2021, foi possível aumentar os recursos de cada um dos fomentos, com a finalidade de abranger mais contemplados. A partir desta terça-feira (21), as inscrições para os editais “Esparrama” e “Cultura da/na quebrada” estarão abertas. Elas irão até o dia 12 de julho, e podem ser feitas de maneira on-line ou presencial, através de agendamento na Funalfa.
Passa a valer neste ano o sistema de cotas. Os três editais, excluindo apenas o “Cultura da/na quebrada”, terão, cada um deles, 55% das vagas destinadas às ações afirmativas: 40% para pretos, pardos e indígenas; 5% para idosos, 5% para deficientes físicos e 5% para trangêneros e travestis. Em coletiva realizada na tarde desta segunda-feira (20), Giane Elisa Sales de Almeida, diretora-geral da Funalfa, explicou que essa mudança tem por objetivo aumentar as oportunidades para essas populações e realizar uma melhor distribuição de recursos culturais em Juiz de Fora. É isso que explica, por exemplo, o fim do edital “Fernanda Müller de Cultura Trans”, que tinha como foco dar protagonismo à população trans e suas produções. “Ele (o edital), na verdade, foi dissolvido. Agora, a ideia é que esses fazedores de cultura consigam participar de todos os outros editais.”
Giane também explica que o “Cultura da/na quebrada” não adotou essa ação porque ele tem como foco a produção de pessoas residentes na periferia e que querem produzir arte e cultura pensando na sua comunidade. “Ele, por si só, é uma ação afirmativa”, diz. Neste ano, esse edital terá recurso de R$ 310 mil, e a ideia é contemplar pelo menos 21 projetos com o valor máximo de R$ 15 mil cada.

O conteúdo continua após o anúncio

Edital para apresentações artísticas

O “Esparrama”, edital que entra em vigor ao mesmo tempo que o “Cultura da/na quebrada”, é outra novidade desta edição. Com o recurso de R$ 190 mil e seleção de até cem projetos, a proposta é incentivar sobretudo os novos artistas a apresentarem seus projetos pela cidade. Neste, só serão aceitos projetos de apresentações artístico-culturais, independentemente das linguagens e expressões. Giane, no entanto, afirma que artistas que já desenvolvem seu trabalho há mais tempo também podem se inscrever neste edital. Fernanda Santos, gerente do Departamento de Recursos Compartilhados, explica que, por conter menos complexidade na inscrição, acredita-se contemplar os novos artistas.
Os outros editais, “Murilão” – semelhante ao que era a Lei Murilo Mendes, com ampla concorrência – e “Quilombagens” – que visa a projetos que abordem a ancestralidade -, serão abertos também em conjunto em data ainda a ser definida pela Funalfa. O “Murilão” terá investimento de R$ 1,1 milhão, e o “Quilombagens”, R$ 400 mil. No programa deste ano, será possível entrar com recurso já na fase de documentação. Nas edições passadas, caso houvesse problemas nessa primeira fase, o proponente era desclassificado. “A ideia é que ninguém seja desclassificado por problema em documentação”, diz Giane.

Cadastro Cultural

No Programa Cultural, assim como em outras ações da Funalfa, só podem inscrever seus projetos pessoas que estejam cadastradas no Cadastro Cultural (CADCultural), feito através da plataforma Prefeitura Ágil. O cadastro pode ser feito a qualquer momento. Os proponentes dos editais “Cultura da/na quebrada” e “Esparrama” que ainda não possuem esse cadastro, porém, têm até o dia 5 de julho para realizá-lo. De acordo com Fernanda, foi colocado esse limite para que haja tempo de analisar os dados e dar o retorno, caso haja alguma documentação em falta.
Além de facilitar a inscrição, já que são vários os dados necessários, o CADCultural tem a proposta de realizar um mapeamento dos produtores e artistas na cidade. É através dele que se identifica as categorias e localidades dos fazedores artísticos. Wenderson Marcelino, presidente do Conselho Municipal de Cultura, afirmou que, através dos dados das pessoas já cadastradas, juntamente com a experiência do primeiro ano do programa, foi possível realizar as mudanças desta edição. Giane completa que as duas formas indicaram os lugares que precisam de mais recursos, assim como as categorias culturais, e, por isso, o aumento no valor de cada edital.
De acordo com Leonardo Fernandes, servidor do Departamento de Estratégia e Inovação, esses dados são analisados diretamente e a proposta é de que o mapa identificando as localidades dos agentes saia ainda neste ano. Até agora, por exemplo, foi identificado que a maioria dos artistas cadastrados são da área da música (25%), enquanto a minoria, da literatura (2%). O bairro que contém a maioria é o São Mateus, sendo mais de 11%. Isso, no entanto, é uma amostra parcial, já que muitos ainda não se cadastraram. Mesmo os que não serão proponentes nos editais devem realizar o cadastro, e Giane enfatiza que ele não é o mesmo do feito para o edital da Lei Aldir Blanc.

Os comentários nas postagens e os conteúdos dos colunistas não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir comentários que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.



Desenvolvido por Grupo Emedia