Cineclube Palmares estreia 7ª Mostra de Cinema
A programação do evento, com 11 curtas, médias e longas-metragens, tem início nesta sexta-feira com “Cavalo”, de Rafhael Barbosa e Werner Bagetti

O Cineclube Palmares dá início, nesta sexta-feira (19), à 7ª Mostra de Cinema do coletivo. A programação prestigiará 11 filmes do cinema negro brasileiro periférico e independente. Embora a participação continue gratuita, a 7ª Mostra, ao contrário das anteriores, será virtual devido à pandemia de Covid-19. Os filmes estarão hospedados no site do Polo Audiovisual da Zona da Mata. O acesso às produções individuais dependerá apenas de cadastro na plataforma. A mostra é financiada por recursos da Lei Aldir Blanc repassados pela Secretaria de Cultura e Turismo do Estado de Minas.
A 7ª Mostra de Cinema Cineclube Palmares será realizada até 27 de março. A abertura está a cargo do longa-metragem “Cavalo” (2020), de Rafhael Barbosa e Werner Salles Bagetti, de 84 minutos. A produção traz representações dos orixás do candomblé através de números de dança. O longa, que estará em cartaz até a próxima sexta (26), tem direção de fotografia de Roberto Iuri e trilha sonora original de Luciano Txu. O encerramento, por sua vez, será do curta-metragem “A morte branca do feiticeiro negro” (2020), de Rodrigo Ribeiro, em que o tema central é o banzo, a saudade que as pessoas escravizadas sentiam de sua terra natal e que, muitas vezes, resultava em morte.
Entretanto, já no sábado (20), outros nove filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, serão disponibilizados ao público. “Paz no mundo, Camará – Capoeira de Angola e a volta que o mundo dá” (2012), de Carem Abreu, busca apresentar a versão afro-brasileira da história do país a partir da perspectiva da capoeira Angola. O média-metragem “Nove águas” (2019), de Gabriel Martins e Quilombo dos Marques, retrata a história da luta por água e terra protagonizada pelos quilombolas que também assinam a produção. Em “Coragem!” (2019), de Mel Jhorge, o tema é a poesia e o respeito às questões identitárias.
A programação da mostra ainda traz o média-metragem “Coração do mar” (2018), de Rafael Nascimento, em que Cadu, dez anos, cercado pela violência da região metropolitana que vitima jovens negros, sonha em conhecer o mar. Há ainda o longa “Café com Canela” (2017), de Ary Rosa e Glenda Nicácio, protagonizado pelo reencontro de duas mulheres negras no Recôncavo Baiano. O longa “A vizinhança do tigre” (2017), de Affonso Uchôa, documenta o trabalho e o lazer de um grupo de jovens da periferia de Contagem, bem como “A pedra” (2019), de Davidson Candanda, que faz o registro documental de dois professores, um aluno e o impacto do racismo estrutural na educação.
Por fim, a mostra ainda conta com o média-metragem “Trajetória – Julgamento, 20 anos de rap” (2018), de Carlos Machado, sobre a carreira do grupo Julgamento, o mais longevo do gênero em Belo Horizonte, além do curta “Eu sou a destruição” (2020), de Eduardo Camargo, uma resposta ao pronunciamento do ex-secretário da Cultura Roberto Alvim nas redes sociais em que plagiara o ministro da Propaganda de Adolph Hitler, Joseph Goebbels.









