Parabéns para eles

Astro de filmes como ‘Spartacus’, um clássico do gênero ‘sandálias-e-espadas’, Kirk Douglas comemora cem anos de vida em dezembro (Divulgação)

Maestro Ray Conniff, rei do easy listenning, é outro que completaria 100 anos em 2016 (Divulgação)
Vida breve, arte eterna: é desta forma que muitos artistas são lembrados por deixarem para a posteridade um legado de obras que continuam sendo lembrados em vida ou mesmo após a morte. Este é o caso da “geração de 1916”, que tem seus centenários lembrados ao redor do mundo durante este ano. Do Hemisfério Norte ao Sul, nomes que já não estão entre nós (Zélia Gattai, Clóvis Bornay, Manoel de Barros, Silas de Oliveira, Gregory Peck) ou que continuam por aí (Kirk Douglas) serão lembrados e celebrados durante todo o ano.
No Brasil, não faltam personalidades do mundo da arte que serão lembradas em 2016. Uma delas é a mais baiana das paulistas, a escritora Zélia Gattai. Nascida em 2 de julho de 1916 (data em que se comemora a independência da Bahia) e morta em 2008, a companheira de décadas do escritor Jorge Amado será homenageada pela Fundação que leva o nome de seu marido. Segundo o assessor administrativo e financeiro da Fundação Casa de Jorge Amado, Ticiano Martins, a autora de “Anarquistas graças a Deus” será a homenageada da primeira edição da FliPelô (Festa Literária Internacional do Pelourinho), que será realizada em vários pontos do Pelourinho, em Salvador, entre os dias 8 e 12 de agosto. “Também planejamos fazer um ‘Colóquio Zélia Gattai’ em julho, mês em que ela nasceu, ou realizá-lo dentro do ‘Colóquio Jorge Amado’, que já acontece todos os anos e que deve ocorrer em agosto, como parte integrante da FliPelô, ou setembro”, diz Ticiano.
O projeto mais ambicioso, entretanto, é a construção do Anexo Zélia Gattai em um imóvel abandonado ao lado da Fundação Casa de Jorge Amado e que foi doado à instituição. A pretensão é inaugurar o espaço ainda este ano, ou pelo menos promover o início das reformas para adequar o espaço. “Estamos fazendo os projetos arquitetônicos e esperamos que estejam prontos até o final do mês para iniciarmos a captação de recursos. Mesmo que não consigamos iniciar as obras, pretendemos pelo menos fazer uma exposição no no estilo ‘instalação’, com documentos, originais e vestidos dela”, detalha. Ainda de acordo com Ticiano, o local deve abrigar uma galeria de arte no térreo, além de um auditório no andar superior e o acesso direto à parte do acervo da Fundação, que possuiu mais de 250 mil itens de Jorge Amado e Zélia Gattai.
Também integrante do universo das letras, o mato-grossense Manoel de Barros completaria 100 anos em 19 de dezembro. As homenagens ao autor do “Livro sobre nada” tiveram início na última sexta-feira em Cuiabá, sua terra natal, com a exposição “Manoel de Barros e a mídia impressa”, em que 40 placas com trechos de suas poesias estão expostas no Ganha Tempo da Praça Ipiranga, na capital mato-grossense. No campo literário, a editora Alfaguara vai relançar toda a obra de Manoel e também planeja a publicação de material inédito, trabalho que está sendo executado por sua filha, Martha. Outra homenagem será feita no carnaval carioca, com o escritor sendo o tema do enredo deste ano da escola de samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói, que atualmente integra o Grupo B das agremiações de samba.
100 anos na folia
Quem também será homenageado por meio de versos, melodias, alegorias e adereços da folia carioca será o compositor Silas de Oliveira. Morto em 20 de maio de 1972, aos 55 anos, ele foi o responsável por criar alguns dos sambas-enredos mais famosos da Império Serrano, como “Aquarela brasileira” (1964), “Os cinco bailes da história do Rio” (1965, parceria com Dona Ivone Lara) e “Heróis da liberdade” (1969, ao lado de Mano Décio da Viola). A Verde-e-branco de Madureira aposta na homenagem para voltar ao Grupo Especial.
Outro nome ligado ao carnaval e que completaria 100 anos em 2016 é Clóvis Bornay, talvez o mais famoso nome dos desfiles de fantasia que aconteciam na capital fluminense. Nascido em Nova Friburgo, Bornay, morreu em 2005 e deixou como legado não apenas o luxo de suas fantasias, que fizeram surgir a figura imponente dos destaques sobre os carros alegóricos nas escolas de samba. Ele também foi carnavalesco da Salgueiro, Unidos da Tijuca e Portela – que venceu seu último título isolado em 1970, num enredo desenvolvido por ele -, museólogo, professor universitário, cantor de marchinhas carnavalescas, ativista LGBT e fundador da torcida organizada Flagay, pois era torcedor do Flamengo.
O artista já havia sido homenageado em 2015 pela Unidos da Tijuca, com o enredo “Um conto marcado no tempo – O olhar suíço de Clóvis Bornay”, e este ano será tema da exposição “Clóvis Bornay – 100 anos”, aberta no próximo dia 26, no Museu da República, onde serão exibidos fotos, documentos, troféus, croquis e algumas das fantasias que ele mantinha guardas em sua casa.
Centenário também em vida
O número de personalidades ligadas às artes que completam 100 anos em 2016 parece não terminar. No Brasil, merecem destaque ainda a novelista Ivani Ribeiro, que escreveu folhetins de sucesso como “A viagem” e “O cravo e a rosa”; Zezé Macedo, comediante e atriz mais lembrada pela sua participação na “Escolinha do Professor Raimundo”; e o também comediante Simplício, figura constante em “A praça é nossa”.
No exterior, merece destaque a longevidade de Kirk Douglas e Olivia de Havilland. O primeiro tem tudo para soprar suas cem velinhas em 9 de dezembro. Também conhecido por ser pai de Michael Douglas, o galã de filmes como “Spartacus”, “Por amor ou por dinheiro” e “Ulisses” é considerado até hoje um dos maiores nomes do cinema hollywoodiano. Vivendo atualmente em Paris, Olivia de Havilland até foi vítima de boatos dando conta de sua morte este mês, mas a vencedora de dois Oscar (melhor atriz em “Só resta uma lágrima”, de 1946, e “Tarde demais”, de 1949) e que esteve no elenco de “E o vento levou” tem tudo para comemorar seu centenário em 1º de julho.
Dentre os que se foram, serão lembrados este ano o produtor Irwin Allen, de filmes como “Inferno na torre” e séries como “Viagem ao fundo do mar” e “Perdidos no espaço”, entre outros; o ator inglês Michael Gough, mais lembrado pelo papel do mordomo Alfred nos quatro primeiros filmes da franquia “Batman”; o pintor, diretor de cinema e novelista alemão Peter Weiss, autor de “Trotsky no exílio”; o desenhista norte-americano Carl Burgos, criador na década de 1940 do primeiro Tocha Humana da Marvel; o jornalista Walter Cronkite, conhecido por sua cobertura da chegada do homem à Lua e da Guerra do Vietnã.
A lista ainda tem nomes como o músico de jazz e maestro americano Harry James; os escritores Morris West e Harold Robbins, o ator norte-americano Gregory Peck, que ficou imortalizado como o bastião da coragem e nobreza por sua interpretação do advogado Atticus Finch em “O sol é para todos” (1962), que lhe rendeu o Oscar de melhor ator. E não se pode se esquecer do músico e maestro Ray Conniff, que vendeu milhões e milhões de álbuns com suas mais que pitorescas canções e – principalmente – versões de sucessos alheios, que animaram durante bons anos bailes em clubes e festas caseiras, sendo considerado o rei da easy listening – que muitos, jocosamente, chamam de música de churrascaria ou elevador.










