Pra tudo acabar na capital

Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), o Tordo, vai liderar o ataque à Capital

O cruel Presidente Snow vai utilizar todos os meios possíveis para derrotar a rebelião e matar sua inimiga
Antes de falar de “Jogos Vorazes: A Esperança – O final”, é preciso repensar um pouco do que foi visto para entender toda a expectativa pelo capítulo final da quadrilogia cinematográfica, que chega às salas de Juiz de Fora nesta quarta-feira com moral suficiente para bater de frente com o vindouro “Star Wars – O despertar da Força”, que estreia em dezembro. A trilogia literária “Jogos Vorazes”, da escritora americana Suzanne Collins, provavelmente foi a série que pai, mãe, tio, tia, padrinho e madrinha presentearam seus adolescentes imaginando ser apenas mais uma ficção que misturava aventura com paixonites juvenis, do tipo que serve como apresentação ao mundo dos livros. Entretanto e todavia, quando a adaptação do primeiro romance chegou aos cinemas, em 2009, deu para perceber que o longa-metragem de Gary Ross (substituído por Francis Lawrence nas produções seguintes) não cheirava a espírito juvenil, como berrara o Nirvana décadas (como passa o tempo!) atrás.
Em meio à batalha entre um bando de adolescentes para ver quem sobreviveria aos “Jogos Vorazes” e às angústias adolescentes, havia uma série de questões veladas ou escancaradas que fizeram os jovens pensarem: totalitarismo, a espetacularização da violência, o cerceamento das liberdades de expressão e opinião, a manipulação da mídia, a propaganda como instrumento de manipulação política das massas, as brutais desigualdades sociais – temas, inclusive, que em muito lembram longas como “1984”, “Brazil – O filme”, “V de Vingança”, entre outros, mesmo que com a roupagem típica dos blockbusters de Hollywood. Além disso, os três “Jogos Vorazes” que já passaram pela tela grande impressionaram pela violência brutal e cruel, algo que não costuma se ver em produções voltadas para um público tão jovem.
E Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) tornou-se exemplo de rebeldia e coragem para uma geração, com seu tradicional gesto-símbolo (braço esquerdo esticado, os três dedos do meio apontados para o céu) sendo utilizado por manifestantes na Ásia, mesmo que ela tenha uma “jornada da heroína” bem diferente do padrão tradicional. Ela não quer ser a pessoa certa no lugar certo e na hora certa, mas as circunstâncias a levam a isso, e chega o momento em que, mesmo preferindo apenas ir para casa e esquecer tudo, ela assume o papel do Tordo e comanda os rebeldes dos 13 distritos contra a cruel Capital (principal cidade de Panem, país surgido dos escombros dos Estados Unidos após uma catástrofe ambiental), liderada com mão de ferro e brutalidade pelo déspota Presidente Snow (Donald Sutherland).
É essa heroína acidental que precisa tomar para si “Jogos Vorazes: A esperança – O final”, novamente dirigido por Francis Lawrence. A situação, porém, não é fácil: como símbolo hesitante da revolução que involuntariamente ajudou a criar, Katniss deseja matar o Presidente Snow, que mandou torturar e reprogramar a mente de seu companheiro dos “Jogos”, Peeta Mellark. Isso é mais que suficiente para que ela sirva aos propósitos relativamente obscuros da líder do 13º Distrito, Presidente Coin (Julianne Moore), e de Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman, que morreu durante as filmagens), que planejam reunir todos os Distritos contra a Capital e libertar Panem do autoritarismo vigente – ao menos, esta é a impressão.
Lutando pela liberdade e a vingança
O plano inicial é conquistar o Distrito 2, onde ficam as principais instalações militares da capital, para ter poder de fogo para derrotar o governo central. Já Katniss Everdeen quer a todo custo invadir a Capital com apenas um objetivo em mente: matar Snow, conseguir sua vingança e, assim, libertar todos os distritos do seu ditador. O Presidente Snow, porém, está igualmente obcecado por matar Everdeen e manter-se no poder, não medindo esforços para debelar a rebelião e matar sua antagonista. Para isso, ele determina à equipe que preparava as arenas dos “Jogos Vorazes” para transformar a Capital na arena suprema, o que vai oferecer ao público algumas das melhores cenas de ação da quadrilogia. Com tanta coisa acontecendo, não é de se estranhar que fique em segundo plano o principal Calcanhar de Aquiles da série: o insosso triângulo amoroso entre Katniss, Peeta e Gail (Liam Hemsworth, que passou a maior parte dos quatro filmes sem dizer a que veio).
Para quem não leu os livros, o lançamento de “Jogos Vorazes: A esperança – O final” tem tudo para ser o desfecho de uma das mais surpreendentes adaptações para o cinema da literatura (aparentemente) direcionada aos adolescentes que – mesmo sem se aprofundar de forma mais cerebral em suas metáforas de um mundo distópico – fez a garotada pensar e questionar o mundo em que vivemos. Afinal, nossas vidas não podem ser um eterno “Crepúsculo com 50 tons de cinza”.
JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL
UCI 2 (3D/dub): 13h, 15h45, 18h30 e 21h15. UCI 3 (3D): 13h30, 16h15, 19h e 21h45. Cinemais 1: 14h, 16h40, 19h20 e 22h. Cinemais 5 (3D/dub): 13h30, 16h10, 18h50 e 21h30
Classificação: 14 anos









