
Depois de ir ao RiR em 2011 e 2013, Milema vai acompanhar o festival pela TV, mas registrou a experiência (Divulgação)
A Cidade do Rock vai receber desde veteranos que foram a todas as edições, gente que foi uma, duas vezes, e gostou, e também marinheiros de primeira viagem. Da galera de Juiz de Fora que vai descer a serra para curtir o festival, dá para encontrar de tudo um pouco. A estudante Ana Flávia Assis Silva, 22 anos, vai com o namorado Wilson, de 26, no último dia do Rock in Rio, para curtir o show de Katy Perry e aproveitar outras atrações do evento. “Sempre quis ir ao show da Katy Perry, e gosto de A-Ha também. E a programação nacional está sensacional! Gosto do Cidade Negra, meu namorado também curte, e vamos ter o prazer de ver todos no mesmo dia”, diz ela, que planeja se divertir o máximo em sua primeira experiência no RiR.Era janeiro de 1985, e o Brasil estava mudando. Mesmo sem eleger presidente, o país comemorava a eleição – ainda que indireta – do primeiro civil para a presidência da República depois de 21 anos de ditadura militar. Tancredo não assumiu, Sarney foi o “prêmio de consolação”, mas ainda havia esperança. Foi também em janeiro que, num certo festival de rock, perdido num lamaçal na então pouco explorada Barra da Tijuca, no Rio, Cazuza, à frente do Barão Vermelho, cantava “Pro dia nascer feliz” para afirmar que, sim, um novo país estava surgindo (ok, há controvérsias…). E esse “certo festival de rock”, é claro, fez história, por reunir no mesmo local, por vários dias, centenas de milhares de pessoas ávidas por mostrar que o Brasil também era o país do rock. O Rock in Rio, responsável por colocar o país de vez na rota dos grandes shows, comemora agora os 30 anos da primeira edição, abrindo os portões da Cidade do Rock nesta sexta-feira para mais sete dias de festa, música e diversão para todos os gostos.

Também estudante, Bruno Stephan, 23 anos, foi nas edições de 2011 e 2013 e planeja estar nesta sexta-feira na Cidade do Rock para curtir o show do Queen. Ele é daqueles que se programa pelas atrações principais do Palco Mundo, tendo assistido nos anos anteriores aos shows de Muse, Red Hot Chili Peppers e Coldplay. “Vou chegar o mais cedo possível para curtir as atrações que vão além da música”, afirma Bruno. A publicitária Camila Coubelle, 33 anos, escolhe a data pelo artista que mais lhe apetece e de acordo com a agenda. Ela, que em 2013, foi no dia em que a atração principal era o Bon Jovi, este ano vai no dia 26, em que o grande nome será a cantora pop Rihanna. “Mas eu vou mais pela (beninense) Angélique Kidjo, que vai se apresentar no Palco Sunset”, explica. “Gosto muito do clima do festival, tanto pela diversão quanto pela música. E essa é a comemoração de 30 anos, então temos que fazer parte disso. E vai ser o mesmo com a Olimpíada”, diz Camila.
Sempre presente
Encontrar quem tenha ido a todas as edições do rock in Rio não é fácil, mas Douglas Esterce, o Tuka, sempre esteve presente em pelo menos um dia de cada edição do festival desde 1985. “Foi um choque espiritual, eu me encontrei ali. E vi tanta gente na mesma sintonia… Quem não fosse fissurado em rock, daquele dia em diante passaria a ser. Era só ‘showzaço’, depois que vi o Whitesnake, então, fiquei louco. E no mesmo dia ainda teve Scorpions, que entrou com muita vontade e foi melhor até que o Ozzy Osbourne e o AC/DC. E no outro dia ainda teve o show do Iron Maiden e do Queen, vi muita gente chorando depois do final”, lembra.
“E não tinha muita frescura, badalação, como hoje em dia, era só rock and roll mesmo. Depois do Rock in Rio, quis ter minha banda, vi que aquilo ali valia a pena, encontrei um rumo na minha vida, deu um revestimento a minha alma. Fui adotado pelo rock and roll”, afirma Tuka, que depois de 1985 sempre “bateu ponto” no evento. “Rock in Rio é legal ‘pra daná’, mesmo que hoje deixe a desejar em relação às bandas. Atualmente prefiro o ‘Monsters of rock'”, diz o eterno roqueiro, que desta vez vai assistir a Rod Stewart e Dee Snider (Twisted Sister, que vai se apresentar com o Angra).
Lembranças até do que não se viu
“Novatos” ou “veteranos”, todos concordam em uma coisa: o Rock in Rio possui uma mística a que nenhum evento do gênero no país consegue igualar. “Eu nasci no ano da primeira edição e evidentemente não acompanhei ao vivo, mas, quando penso em Rock in Rio, duas coisas me aparecem na cabeça: a apresentação do Queen e dos Paralamas em 1985, que vi e revi várias vezes. São os dois que gostaria de ter visto”, diz Nelson Dias. “Freddie Mercury é o maior cantor que já ouvi, e a ingenuidade daquela apresentação dos Paralamas não tem como ver de novo. E os amigos que estiveram lá sempre falam do barro (risos).”
“Os festivais antigos tinham uma aura mitológica”, acrescenta Bruno Stephan. “Com o tempo, ficou banalizado, mas ainda é bem legal.” Milema Medeiros lembra de ter assistido ao primeiro show do Queen no festival, em 1985, em uma TV em Andrelândia. “E a gente nem sabia sequer quem era, porque havia pouca informação.”
Para Vinícius Faza, vai depender do quanto a música é importante para cada um. “Tem gente que não se importa em ser ou não festival. Como tenho a música presente em 100% do tempo, tem essa coisa mítica, sim! É o mesmo festival em que o Queen fez um show épico. Para mim, ter visto o Metallica ali foi muito mais legal do que em um show somente deles, justamente por ter sido no Rock in Rio. Juntou a paixão pela banda com todo esse ‘misticismo’ do festival, o que tornou a experiência muito mais intensa.”









