No Dia Nacional do Livro Infantil, escritores defendem a importância da literatura

Eliardo França, Gustavo Buruga e Manu Ferrugini contam sobre os desafios e prazeres de se trabalhar com literatura infantil


Por Beatriz Bath*

18/04/2026 às 07h00

Comemorado neste sábado (18), o Dia Nacional do Livro Infantil é dedicado a reforçar a importância da literatura para as crianças, ajudando no desenvolvimento e na criatividade. Em entrevista à Tribuna, os escritores Eliardo França, Gustavo Buruga e Manu Ferrugini compartilharam sua atuação na área e como analisam o desenvolvimento da literatura infantil em Juiz de Fora.

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Eliardo França, autor e ilustrador (Foto: Felipe Couri/Arquivo TM)

Eliardo França, ilustrador de livros infantis que trabalhou quase sessenta anos ao lado de sua esposa, Mary França, conta que a literatura teve uma importância fundamental em sua vida: “Abriu um novo mundo”. Ele explica que a literatura infantil é fundamental, porque é a partir dela que a criança pode se desenvolver, criando carinho pela literatura – algo que continua pela vida toda.

O próprio ilustrador, que considera que poder dar vida aos personagens é a melhor parte de seu trabalho, confessa que sempre precisa ler alguma coisa antes de ir dormir. E esse amor pela literatura nasceu em sua infância, quando os livros eram seu presente favorito. “Eu tenho muito amor pelas letras.”

Ainda nesse sentido, Manu Ferrugini, escritora juiz-forana que trabalha com a literatura infantil, completa: “É por meio do contato com os livros que a criança amplia seu vocabulário, desenvolve a criatividade e a imaginação. A literatura proporciona um encantamento nas pessoas que praticamente nenhuma outra manifestação artística causa justamente pelo fato de que o leitor, ao ler um trecho de um livro, ele imagina a cena, ele cria em sua mente o que o escritor colocou no papel”.

Papel, caneta e sonho

Para Gustavo Buruga, autor de livros infantis como “Abigail”, “Amora e o reino das memórias” e “Augusta”, a maior recompensa para o seu trabalho é “receber o afeto e reconhecimento das crianças, sendo um combustível para seguir em frente com a arte”.

Todos os três autores reconhecem que a literatura infantil possui um papel enorme em suas vidas. “É maravilhoso escrever estórias que ganham vida e cores na mente dos leitores. É a imaginação de cada criança que amplia o significado do que escrevemos”, acredita Manu.

A responsabilidade que vem junto com o trabalho também é destacada: saber trabalhar as temáticas – e o uso de palavras, por exemplo – com o público infantil sem perder o aspecto lúdico, como o experimento das cores, dos traços, do exagero e outros.

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Manu Ferrugini sonha em trabalhar com literatura desde criança (Foto: Divulgação)

Ao mesmo tempo, reconhecem que existem ainda desafios. “Algumas pessoas não entendem essa área como uma atividade profissional que demanda tempo, energia, responsabilidade e compromisso. Outro desafio é equilibrar o aprendizado com o entretenimento”, explica Gustavo.

Buruga também reforça a importância da literatura, atualmente na disputa pela atenção da criança em relação aos jogos eletrônicos e redes sociais. “O prazer pela leitura é único e muito importante para o desenvolvimento da criança”, defende.

Manu também reconhece o desafio: “Um bom livro, para se sobressair a isto tudo – tecnologia e redes sociais – tem que ter narrativas inovadoras e engajadoras para a geração atual, que é tão exigente. Isto sem esquecer, também, o alto custo de produção dos livros, o que dificulta o acesso ao mercado editorial”.

Juiz de Fora no mapa

Ao discutir literatura infantil e o cenário juiz-forano, Eliardo França destaca a importância da Funalfa como motor cultural da cidade. “É importante que tenha alguém cuidando das iniciativas culturais e artistas.”

Já Manu Ferrugini explica que o trabalho não é tão valorizado: “Nossa cidade tem excelentes escritores de literatura infantil. Eu poderia listar centenas aqui: Marisélia Souza, Magda Trece, Alice Gervason, Beth Sacchetto, Knorr, etc. Mas percebo que nosso trabalho não é tão valorizado e reconhecido como deveria. A população da cidade desconhece a maioria desses escritores… Penso que faltam ações atuantes na área da literatura da cidade que possam, de fato, divulgar nosso trabalho. A literatura juiz-forana, no geral, precisa e merece ser valorizada”, destaca.

Gustavo também chama a atenção para a parceria entre literatura e educação em Juiz de Fora. “É uma cidade-polo na educação. A literatura e a educação andam de mãos dadas, então considero o Município como atraente para a literatura infantil. Também vejo muitos professores que valorizam a arte e a literatura como ferramentas imprescindíveis na educação.”

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Autor Gustavo Buruga em visita à uma escola (Foto: Divulgação)

Os autores destacam que um de seus momentos preferidos é o de visitar as escolas e contar suas estórias, como conta Manu: “Meus livros já foram adotados em diversas escolas da cidade e região. Sempre que me convidam, faço questão de ir à escola e bater um papo com os alunos. Os olhinhos deles de admiração para com a minha pessoa é de encher o coração de felicidade”. E finaliza: “Se daqui a alguns anos, eu souber que uma ou duas crianças que leram os meus livros se tornarem escritores ou simplesmente levarem para suas vidas, para seus dias as mensagens que eu passo em meus livros, meu trabalho terá valido a pena”.

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecília Itaborahy