Exposição em Juiz de Fora retrata jongo e folia de reis do interior do Rio de Janeiro
Mostra integra a programação do Festicidi e reúne fotografias, documentos e relatos sobre tradições do interior fluminense

Com a missão de mostrar a diversidade cultural do interior do estado do Rio de Janeiro, a exposição “Projeto Brasil – Cultura da Fé: Jongo e Folia de Reis” reúne fotos, documentos, objetos e depoimentos para preservar tradições que passam de geração em geração. A mostra foi inaugurada na última terça-feira (15), no Mercado Cultural AICE, e integra a programação do Festival Internacional de Cinema e Cultura da Diversidade (Festicidi) em Juiz de Fora.

“Projeto Brasil – Cultura da Fé” já esteve em exibição no Forum da Cultura, em 2024, mas também explorava o congado, manifestação cultural presente em Minas Gerais. Já na nova configuração, que integra a homenagem ao Rio de Janeiro, prestada por essa edição do Festicidi, são explorados o jongo e a folia de reis, presentes no interior do estado fluminense.
Muitas dos registros do fotógrafo Carlos Sacchi, presentes na exposição, foram feitas em Valença, que possui cerca de 52 grupos de folia de reis e realiza, todos os anos, um encontro em janeiro, na Catedral Nossa Senhora da Glória e no quilombo de São José da Serra. Outras fotos foram feitas no quinto Encontro de Jongos do Vale do Café, em Pinheiral, também no Rio de Janeiro. O evento reuniu cerca de 400 quilombolas.
Wesley Rocha, curador da exposição, e Carlos explicam que a exposição dialogou com o tema do festival, porque queriam ir além dos estereótipos associados ao Rio de Janeiro e da visão que muitas vezes reduz o estado à capital de mesmo nome. “É um estado com muita cultura e queríamos mostrar algo que não aparecesse tanto”, destaca Carlos.
A exposição também funciona como uma maneira de preservar rituais e tradições que passam por gerações de famílias. “É uma transmissão de valores, uma cultura passada na vivência do dia a dia”, conta o fotógrafo. Em seus registros, são mostradas as interações entre as pessoas.
Outro ponto da mostra é informar e disseminar conhecimento sobre o jongo, não tão comum em Minas Gerais, e a folia de reis. Ao pesquisar sobre o tema, Wesley relata que muitas pessoas não conheciam sua própria cultura ou não sabiam do que essas manifestações se tratavam.
O foco, então, é promover o intercâmbio entre culturas e trazer essa reflexão para Minas e Juiz de Fora, para que a diversidade de expressões e tradições seja valorizada. Além disso, o curador explica que todo o trabalho produzido volta para a comunidade, para que os quilombolas também possam gerar suas próprias fontes de documentação.
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy








