Receita de família
Tradicionais em casamentos, os bem-casados simbolizam o elo entre duas partes que se completam, e se estas forem duas bolachas macias de pão-de-ló ligadas por uma cremosa camada de doce de leite, a união já é uma bênção – pelo menos para o paladar – por si só. A receita deste domingo é um doce que vem ganhando os noivos e lembra seu primo tradicional: whoopie pie, que, como o bem-casado, traz dois bolinhos reunidos por um recheio cremoso. A origem do nome, dizem, vem da expressão de deleite – "whoopie!" (Oba!) – das crianças ao receberem a "tortinha" (pie). "Lembra também o alfajor, mas com mais cara de bolinho, uma massa mais molhadinha", conta Nicolle Dornellas, que com a sócia Sylvia Varotto criou a Casa de Julieta, especializada em encomendas da novidade e de outras delícias como cookies e cupcakes.
De origem americana, a whoopie pie de chocolate foi adaptada ao paladar brasileiro, acostumado com recheios doces como brigadeiros de diversos sabores. "Fazemos também versões originais, usando ingredientes como buttercream (creme de manteiga), e versões como o Red Velvet (bolo tradicional do Sul dos Estados Unidos, caracterizado por sua cor vermelha), mas os adaptados saem muito mais", conta Nicolle, que criou massa à base de coco e também recheios de brigadeiro branco, frutas vermelhas, damasco, pistache e a brasileiríssima versão de canela com doce de leite.
Para ela, o grande trunfo da receita de chocolate é o fato de não ser extremamente doce. "Dá para sentir toda a intensidade do ingrediente sem que se torne enjoativo", opina Nicolle, que viveu em dois países de referência em confeitaria, Estados Unidos e França. "Acho que a popularidade, no Brasil, de cupcakes, macarons e outros doces populares há muito tempo no exterior vem do fato de o brasileiro viajar mais e conhecer reality shows relacionados de alguma forma à confeitaria e à gastronomia em geral."
Segundo Nicolle, além de a guloseima ter conquistado espaço como lembrancinha de festas ou gostosura decorativa, também cai bem no café. "Ainda mais em Minas, onde ninguém dispensa um bolinho", brinca.









