Nos traços da folia
Seus traços marcaram as páginas da Tribuna por 25 anos. No carnaval, o chargista Bello foi um dos que comparecia sempre em um dos blocos de rua mais tradicionais da cidade, o Bloco do Beco. Na festa de Momo deste ano, em que a agremiação comemora 38 anos de existência, ela rende homenagem a um de seus mais assíduos integrantes. Bello, que morreu em junho do no ano passado, é lembrado com o tema do bloco "Porque o simples é belo e Bello sempre será".
A concentração está marcada para hoje, às 18h, em frente à Câmara Municipal, no Parque Halfeld. Segundo um dos integrantes e organizadores do Bloco do Beco, Renato Saleme, a agremiação desfila com 40 componentes na bateria e outros 200 foliões devidamente uniformizados. Com eles, virá a família de Bello, para completar a homenagem. O cortejo irá descer o Calçadão, a partir das 19h, com destino à Praça Antônio Carlos, passando pela Avenida Getúlio Vargas.
Partindo da frase de João Nogueira ("O simples é belo e belo sempre será"), que deu origem ao tema do bloco, veio a ideia de transformar as palavras do sambista famoso em título da música em homenagem a Bello: "O Beco é belo e Bello sempre será", de autoria de Carioca, Mamão e Tonhão. "Foi muito interessante escrever a letra. É uma boa forma de celebrar um grande amigo que se foi", conta Mamão, que foi o homenageado no ano passado.
Na avenida, a letra dos sambistas será puxada por Zezé do Pandeiro, sua filha Débora, além dos músicos Edinel e Carioca. "Apesar de não ter tido o prazer da convivência diária com o Bello, me sinto honrado de ter sido chamado. É um prazer puxar o samba que fala de uma pessoa que marcou a história de Juiz de Fora com suas charges sempre oportunas", ressalta Zezé do Pandeiro.
Honra em família
Como era Bello quem desenhava, há anos, a camisa do bloco, a autora da vestimenta deste ano é sua filha Nicolle, também ilustradora. "Ficamos muito felizes com a homenagem, que consideramos muito merecida", comenta a viúva do chargista, Eliana Rezende Bello. Segundo ela, quando receberam a notícia da homenagem, surgiu a ideia de entregar a caneta para que Nicolle fizesse o desenho.
Nicolle conta que o pai sempre foi um de seus modelos preferidos para desenhar. "Até mesmo por ter uma expressão marcante: barba, dentes grandes e separados, covinhas nas bochechas." Sobre a camisa deste ano, ela conta que ficou satisfeita com o resultado. "Acho que consegui representar bem meu pai não só por sua fisionomia, mas pela expressão alegre que lhe era característica. Eu e toda a minha família recebemos a homenagem como um gesto de grande carinho. Como diz o enredo, ‘cantamos pra não chorar’."









