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Plugado a mil


Por AMANDA FERNANDES

16/12/2011 às 07h00

Com o CD e DVD "Lobão – Acústico MTV", Lobão desplugou tudo. Deixou a guitarra de lado e faturou o prêmio de melhor álbum de rock no Grammy Latino 2007. Após mais de dois anos rodando o país acusticamente, agora, a ideia é outra. Está tudo plugado. E ao extremo no show da turnê "Elétrico 2011", que chega hoje a Juiz de Fora no Cultural Bar, a partir das 23h.

Em entrevista à Tribuna, por telefone, Lobão define o show como uma obra aberta. "Decido o set list praticamente na hora. A escolha depende de como vai ser o show, de onde estamos, da plateia." Antes de cada apresentação, o músico elege entre 200 canções que mantém ensaiadas com a banda quais integram o show do dia. "Nunca faço o espetáculo voltado para o que as pessoas querem ouvir. Quero tocar o que eu quero ouvir. Se estou gostando, essa alegria vai passar para as pessoas. Acho que é assim que as coisas funcionam", diz.

Sempre polêmico, Lobão vem colhendo os louros com o sua autobiografia "50 anos a mil", que figurou entre os livros mais vendidos do ano. Fartamente ilustrado, narra a história do menino que queria ser jogador de futebol e acabou se transformando num dos nomes mais lembrados do rock brasileiro. Este mês, sai a versão em e-book e, em março, o audiobook. O plano seguinte é fazer a história virar filme. A obra teve direitos vendidos ao produtor de cinema Rodrigo Teixeira. "Já estava preparado para escrever esse livro há um tempo, e, pelo conteúdo dele, já pensava que ia fazer algum barulho mesmo. Foi como fazer uma redação, sentei e escrevi. São lembranças minhas, mas fiz também algumas pesquisas."

Lobão foi um dos artistas que "puxaram o bonde" do independente. Largou a gravadora e buscou novos caminhos depois de cerca de 25 anos de carreira. O independente virou quase regra para quem começa no meio musical, porém, para ele, a estrada para os iniciantes hoje é tortuosa. "Para você se sobressair, você tem que lidar com o paradigma da mediocridade. E isso é muito triste. Quanto mais medíocre, mais chances você tem. Acho que isso nunca esteve tão à flor da pele como agora."

 

Um dos convidados para integrar o casting do Lollapalooza, festival organizado pelo cantor Perry Farrell que terá São Paulo como sede em abril de 2012, Lobão se recusou a participar. A proposta era para que ele se apresentasse no início da tarde, condição não aceita pelo músico, que queria tocar mais tarde.

Para Lobão, a estrutura dos festivais que acontecem no Brasil deve mudar – o cerne dos problemas não está na organização estrangeira que muitas vezes comanda os eventos, mas nos empresários dos artistas brasileiros que acatam situações impostas. "Os músicos precisam reclamar dos empresários para que os festivais sejam como eles são lá fora, uma troca de informações", enfatiza.

Lobão está cotado para assumir o programa "A liga", na Band, em 2012, no lugar do humorista Rafinha Bastos. Amigo do comediante, Lobão não poupa críticas ao país e a forma como o humor é tratado hoje. "Quando se trata de piada, temos um humor muito infantil e, ao chegar uma pessoa mais aguda, mais casca grossa, as pessoas não sabem o que fazer. Acho que o Brasil não está preparado. É um país muito fingido."

O Martiataka abre a noite com um show que mescla canções de seu próximo disco, ainda sem nome, que deve ser lançado no próximo ano, e faixas mais antigas. Uma das músicas selecionadas para a apresentação é "Urgente", primeiro single do novo álbum, cujo clipe foi gravado sob insistente chuva na madrugada da última quarta, segundo o vocalista Wendell Guiducci. A banda também faz o encerramento. Além das autorais, o show é turbinado por releituras de músicas de bandas como Thin Lizzy, Alice Cooper, Barão Vermelho e Rita Lee.

 

LOBÃO

Hoje, às 23h

Cultural

(Av. Deusdedit Salgado 3.955)

Abertura e fechamento com Martiataka