Companheiros de caminhada
O artista plástico Hélio de Sousa considera-se livre. Mas, com a ajuda da arte, não perde o equilíbrio sobre o barco no qual flutua. Em um momento de crise existencial, recorreu aos sapatos – responsáveis por revestir e proteger as bases dos seres humanos – para transformar angústia em criação. Ao fim de uma aula de ioga, andado pelas ruas de Nova York, avistou uma bota de Andy Warhol estampada em um jornal. Passou a exprimir nas telas calçados prediletos de inúmeras pessoas. Doze deles podem ser conferidos na exposição Sapato tem alma, organizada por Paulo Alvarez, em cartaz na Galeria Heitor de Alencar do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).
Radicado nos Estados Unidos desde 1977, o mineiro, natural de Cláudio (MG), descobriu a pintura ainda na infância. Ao retomá-la há cerca de dois anos, pela primeira vez de forma contínua, aglutinou pop art e hiper-realismo. Uso as cores do pop art, mas trabalho com a forma real, a cor e o desenho, justifica ele, acrescentando que procura traduzir a luz quase que fotograficamente. Cabeleireiro conceituado, o artista preferiu olhar para os pés a fim de entender um pouco mais sobre o íntimo dos seres. O sapato expressa a personalidade da pessoa.
Conceitual e intuitivo
Autodidata, Sousa diz que sempre seguiu o próprio instinto, sem autocobranças e metas. Sua profissionalização se dá aos poucos, na medida em que a procura por suas obras aumenta. Isso me traz grande satisfação. Comecei por acaso, e a arte tem me levado a caminhos que me abrem. Atualmente, ele expõe também no consulado do Brasil, em Nova York.
Segundo a professora de história da arte do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) Claudia Calirman, no texto de apresentação da mostra, o trabalho de Hélio é ao mesmo tempo conceitual e intuitivo. É como William Wegman, que pinta cães como o alter ego de seus donos, ou como Andy Warhol, que imortaliza ‘the rich and famous’ através das cores vibrantes e até hoje ultramodernas de seus retratos.
Pela primeira vez na cidade, os calçados coloridos de Sousa, de acordo com ele, não são únicos em sua imaginação. Aparecem como um dos temas em uma história bem maior. Venho me expressando de outras formas com as cores e os pincéis. Resta saber que pedaço da alma o artista irá explorar a partir de agora.









