Livro ‘Cine-Theatro Central: relicário de memórias’ resgata desenvolvimento cultural de Juiz de Fora

Obra é resultado de anos de pesquisa e reconstrói relacionamento da cidade com o teatro desde o século 19


Por Beatriz Bath*

16/04/2026 às 13h05

livro cine-theatro central
José Alberto Pinho Neves lança seu livro nesta quinta-feira (Foto: Divulgação)

Resultado de dez anos de pesquisas, o livro “Cine-Theatro Central: relicário de memórias”, escrito pelo ex-superintendente da Funalfa José Alberto Pinho Neves, será lançado nesta quinta-feira (16), no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), às 19h. A obra reúne textos que dialogam com os temas de urbanismo, arquitetura e memória, remontando ao século 19.

Batizado de “Atenas mineira” pelo dramaturgo Arthur Azevedo em visitas à cidade, que reconheceu o potencial cultural de Juiz de Fora, o município possui uma longa história com o meio teatral. É isso que José Alberto demonstra em seu livro, que, como define, “é sobre a evolução da cultura em Juiz de Fora”.

Ao resgatar o desenvolvimento da história cultural juiz-forana, o autor recorreu a documentos históricos, como jornais da época, reconstruindo os eventos. Antes mesmo da construção do Central, hoje cartão postal conhecido de Juiz de Fora, um dos principais espaços era o Teatro Juiz de Fora, localizado na Rua Espírito Santo, em frente à Escola Normal.

O imóvel, pertencente aos irmãos Ferreira Lage, foi posteriormente adquirido pela Câmara Municipal para ser transformado em teatro municipal. Com o crescimento da cidade, no entanto, o espaço tornou-se insuficiente.

Assim, nasce o Cine-Theatro Polytheama, onde depois seria o Central, que surgiu em um momento de consolidação de Juiz de Fora como polo cultural. Inaugurado em 1929, o Cine-Theatro Central se firmou como o principal palco da cidade, acompanhando diferentes fases da produção artística local e nacional.

Projetado por Raphael Arcuri e com decoração de Ângelo Bigi, também se destaca pelo valor arquitetônico e urbanístico. Trata-se do primeiro imóvel privado tombado em Juiz de Fora, marco importante na preservação do patrimônio histórico.

As biografias de Raphael Arcuri e Ângelo Bigi estão inclusas no livro. Segundo José Alberto, “talvez o ensaio mais completo já feito sobre Bigi, inclusive do ponto de vista político” está na obra.

Com a narrativa da pesquisa conduzida por ele, o livro também reúne contribuições de autores como Marcos Olender, Antonio Colchete Filho, Luiz Alberto do Prado Passaglia e Vinícius de Oliveira Resende.

Por meio de “Cine-Theatro Central: relicário de memórias”, o palco do Central se firma e reafirma como símbolo cultural fundamental de Juiz de Fora, unindo arquitetura e memória.

Serviço

Lançamento “Cine-Theatro Central: relicário de memórias”
Museu de Arte Murilo Mendes (Rua Benjamin Constant, 790 – Santa Helena)
Quinta-feira (16) às 19h
Entrada gratuita

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecília Itaborahy