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A interferência mínima de Ney Araújo


Por Tribuna

15/07/2011 às 07h00

Aberta ontem no Espaço Cultural Correios, a exposição Esculturas e tapeçaria traz a Juiz de Fora a pesquisa desenvolvida pelo autodidata Ney Araújo. Natural de Descoberto (MG), o artista estabeleceu, em Belo Horizonte, um diálogo com peças encontradas na natureza e que, agora, circula pelos salões de arte do Brasil. Conheci uma chilena em BH que desenvolvia um trabalho de tapeçaria incrível, o que me despertou a iniciar uma proposta de produzir obras similares com a adição de elementos como galhos etc, conta Araújo, que, em sua sétima individual na cidade, reúne 28 esculturas e oito trabalhos em tapeçaria.

Quanto a formas, cores e texturas do material em madeira, o ex-bancário Ney Araújo afirma interferir o mínimo possível para não alterar a composição da peça. Desde 1980, atuo no resgate da natureza morta, sobretudo com relação à Mata Atlântica. Gosto de apresentar a madeira como ela é, deixando para o espectador o retorno visual da peça, ele diz. Só interfiro quando o produto me sugere, acrescentando um cristal de rocha ou alguma tintura, se necessário, de acordo com pesquisa que pode variar entre dias e meses.

Ao realizar trabalho de resgate das árvores de madeira de lei encontradas mortas pela ação do homem ou da própria natureza, Ney Araújo seleciona troncos, galhos e raízes de jacarandá, vinhático, angico, braúna e ipê, por exemplo. Todos, de acordo com ele, são recolhidos na região de Descoberto. O principal objetivo do artista é transmitir uma mensagem de conscientização e respeito ao meio ambiente, diz, afirmando não utilizar recursos como o verniz.