Restauração do Marco do Centenário sem previsão
Patrimônio do modernismo brasileiro, o Marco do Centenário da Praça da República continua se deteriorando com o tempo e sofrendo com o abandono por parte dos órgãos públicos. Herança dos traços do arquiteto Arthur Arcuri e da arte de Di Cavalcanti, o monumento de mais de seis décadas se destaca na história por ser o primeiro não-figurativo executado no Brasil e o primeiro mosaico modernista situado em praça pública. Apesar da restauração há pouco mais de dez anos, o estado da obra põe em risco um dos mais importantes patrimônios da cidade.
O abandono é notório. Lixo e diversos tipos de materiais podem ser vistos espalhados ao redor do conjunto. Pastilhas que revestem a obra se desprenderam e dividem espaço com as pichações. Tombado em 1996 pelo patrimônio cultural do município, e em 2001, pelo Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a má conservação do bem foi destaque na Tribuna por diversas vezes.
Há mais de um ano, o projeto de restauração do monumento, elaborado pela Oscip Permear, espera pelo início de sua execução. Em agosto de 2010, a proposta solicitada foi entregue à Prefeitura, segundo a presidente da Permear, a arquiteta Milena Andreola. Danos estruturais do conjunto, causados pelas intempéries e também pelas condições do local em que a obra está exposta, foram mapeados. A autenticidade do monumento também é posta em cheque, uma vez que quanto mais o tempo passa, mais características e materiais originais precisarão ser substituídos.
No último ano, o Iphan aprovou a proposta da Oscip, mas solicitou ao município outros projetos, referente à revitalização da Praça da República. "A ideia fundamental é que não basta restaurar o bem, se o que está em volta está abandonado", explica a arquiteta. A medida, além de promover a apropriação do patrimônio pela comunidade, resguarda a obra, já que a frequência da população no local inibe a ação dos vândalos. Milena explica que a Permear não pode se responsabilizar pelo projeto de revitalização da praça, mas indicou profissionais com competência técnica para a realização do trabalho. "É uma pena que projetos de qualidade não sejam colocados em prática", lamenta.
Procurado pela Tribuna, o secretário de Administração e Recursos Humanos, Vitor Valverde, indicou o assessor de imprensa da Prefeitura Zilvan Martins para falar sobre o assunto. Segundo o jornalista, o projeto de restauração do bem precisou passar por ajustes desde a sua entrega. A Prefeitura ainda estuda formas para viabilizar os projetos técnicos – paisagístico, hidráulico e luminotécnico – referentes à Praça da República, solicitados pelo Iphan. Concluída esta etapa, conforme Zilvan, o município tentará conseguir os recursos necessários à execução dos trabalhos pela Lei Rouanet. Ele adiantou que não há previsão para o início das intervenções.









