Entre rupturas e continuidades
Carregado de coisas boas e definitivamente mais solar. No novo álbum, "Muito mais que o amor", a banda cuiabana Vanguart mostra seu lado mais expansivo, com letras mais diretas e otimistas, sem deixar de lado o tempero folk característico, já conhecido dos trabalhos anteriores. A Vanguart sobe hoje ao palco do Cultural Bar, para a primeira apresentação na cidade.
Se no elogiado álbum anterior, "Boa parte de mim vai embora", o clima era mais melancólico e tratava de despedidas, as novas canções se apegam aos encontros e às chegadas. "A escolha por essa linha foi bem natural, como na obra anterior. As canções vão surgindo de acordo com o que estamos vivendo", diz Reginaldo Lincoln, que assume os vocais, o baixo e o bandolim na formação, composta ainda por Hélio Flanders (vocal, violão e gaita), David Dafré (guitarra e clarinete), Douglas Godoy (bateria), Luiz Lazzaroto (teclado) e Fernanda Kostchak (violino).
"Quando eu e o Hélio sentamos para compor, achamos nosso disco passado um pouco pesado e tratamos de carregar as novas canções de coisas boas. É mais fácil fazer canções tristes, tivemos que nos esforçar para trazer algo mais leve", avalia o baixista, que recorreu às lembranças de histórias e pessoas que o faziam bem. "E o conceito acabou aparecendo quando as canções estavam todas prontas, fizeram sentido juntas."
Das 11 faixas inéditas que integram o trabalho, a maioria é assinada por Flanders e Lincoln. Se as letras ganham novos tons, os arranjos continuam com a mesma pegada folk e eclética da banda, que conta pela primeira vez com o produtor Rafael Ramos. "Se faço um trabalho sozinho, fica muito com a minha cara. Se o Hélio faz por conta dele, fica muito a cara dele. Quando unimos esses trabalhos e arranjamos com o grupo, aí, sim, é o Vanguart. É um trabalho muito coletivo, feito por pessoas muito diferentes, que trazem suas experiências, preferências". Das influências adotadas pelos cuiabanos, destacam-se Bob Dylan, Beatles, além da admiração pelo Tropicalismo, pela bossa nova e por bandas nacionais contemporâneas, como Titãs. "Gostamos de muita coisa e percebemos que a inspiração foi até maior do que a gente esperava."
Para Lincoln, a opção por abandonar os rótulos de gêneros e buscar abarcar um público diverso tem seu ônus e seu bônus. "Nunca tivemos um público específico. Quando nos apresentamos no auditório do Ibirapuera, por exemplo, tivemos uma plateia com pessoas de todos os tipos, todas as idades", conta. A música "Meu sol" foi escolhida para ser a trilha dos protagonistas da nova novela da Globo "Além do horizonte". "Ficamos muito felizes com esse reconhecimento, em saber que temos força para trabalhar com o grande público e também no meio mais alternativo, cult, ou seja lá como gostem de chamar."
O amadurecimento pessoal e musical caminham lado a lado na estrada da banda, segundo o músico. "Aquela pressa vai acabando, e você tem mais tranquilidade para lidar com tudo, para entender que as coisas acontecem no momento certo", diz. "O envelhecimento não quer dizer quantidade de informação, mas a melhor filtragem delas, a capacidade de se aproveitar delas e dividir isso com as pessoas", conclui.
O show do Vanguart completa a série de apresentações inéditas promovida pelo Cultural desde o mês de outubro, integrando a "Quinta livre". A noite aposta em uma dinâmica de minifestival, com a abertura da casa marcada para mais cedo, 22h. Além do show do Vanguart, a festa abre espaço para o pocket show da banda Mezatrio, de Manaus, que vem tocando com o grupo de Cuiabá. "É muito legal encontrar essas pessoas que têm a mesma essência que a nossa, de sair de casa, de ir em busca do sonho, tocar para o mundo. Nossa ideia é muito simples, viver da nossa arte. O que vier é lucro", completa Reginaldo Lincoln.
A programação também conta com bandas locais, como a Seu Nadir, que traz repertório de autorais – prestes a serem lançadas em CD financiado pela Lei Murilo Mendes – e versões de canções da MPB e rock, e a Novo Jornal, que fará um show inspirado em músicas de Sá e Guarabyra e do Clube da Esquina.
O público terá ainda a presença do Aldeia Groove – projeto musical de pesquisa e discotecagem de grooves do mundo -, apresentando ritmos de afro-beat, cumbia, soul, funk, samba, entre outros. Outra atração é a Feirinha Livre, que reunirá banquinhas de diversos produtos. A casa também retoma a exposição "Arquivo corrompido", de Rodrigo Souza e David Azevedo, vencedor do I Prêmio de Fotografia da Funalfa, em 2012.
VANGUART
Hoje, às 22h
Cultural Bar
(Av. Deusdedit Salgado 3.955)









