Exposição ‘Reflexos’, de Guilherme Melich, reúne desenhos inspirados em fotos de família
Obras exibidas no Espaço Manufato partem de fotografias do cotidiano e abrem espaço para imaginação

O artista Guilherme Melich trouxe desenhos baseados em retratos familiares para a exposição “Reflexos”, que está em cartaz no Espaço Manufato. Esses trabalhos estavam incompletos e foram retomados durante a pandemia, a partir de um olhar atento para cenas do cotidiano, que, à primeira vista podem parecer banais, mas possuem um caráter poético. Ao traduzir a linguagem da fotografia para o lápis, o grafite, onanquim e o óleo, ele busca valorizar as sombras, os contrastes e trazer o próprio olhar para as cenas, deixando rastros e espaço para a imaginação. As obras seguem em exibição até o final do mês e a entrada é gratuita.
O artista escolheu as fotografias que usou como referência para esse trabalho a partir do próprio acervo: ao longo dos anos, passou a arquivá-las em pequenas caixinhas em seu ateliê. “Foram fatores diversos que me atraíram para cada uma delas: uma pose, um sorriso expressivo, uma situação específica da cena… Sempre parto da instigação que algum desses elementos me causa”, conta, explicando que é como se algo presente naquelas imagens o convidasse a criar a partir das brechas e buracos. “De tempos em tempos revisito esse material e sempre escolho alguma coisa para trabalhar a partir dela”, continua. Esse trabalho dá visibilidade para a produção gráfica de Melich, que foi a base de sua formação enquanto artista.
Embora considere que todo o seu trabalho perpassa a própria subjetividade, que não é alheia às demais, ele acredita que o ponto mais forte da arte está exatamente nas conexões que é capaz de provocar. Também por isso, acredita que um dos maiores desafios para um artista, no nível de atuação em que está inserido, seja equilibrar todas as funções que tem dentro de uma vida em comum: com a família, no espaço em que precisa exercer tarefas cotidianas; no trabalho, para pagar as contas do mês; e ainda no tempo reservado para o fazer poético, dedicado à contemplação da existência humana enquanto experiência estética.
O nome “Reflexos” apareceu para o artista com um duplo sentido. O primeiro, e mais óbvio, por perceber os trabalhos que faz como um reflexo do que percebe e experimenta no mundo, seja por meio da vivência que tem ou por usufruir de imagens que de alguma forma o sensibilizam; já o segundo é aquele sentido que traz a ideia de refletir, como quem pensa sobre a vida, ou sobre aquilo que provoca e que dá sentido à existência. “O que espero despertar no público é um senso mínimo de empatia. Aquele sentimento que nos permite sair de nós mesmos e nos colocar no lugar dos outros, algo tão importante pros dias atuais. Ser capaz de enxergar por um ponto de vista que não seja somente autocentrado, mas que instigue uma visão coletiva e comunitária de existência”, destaca.












