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Nova história


Por RAPHAELA RAMOS

14/01/2012 às 07h00

Segunda construção mais longeva da cidade, a sede da Fazenda Ribeirão das Rosas, entre os bairros Barbosa Lage e Remonta, na Zona Norte, recebeu a chance de sair do escoramento para a recuperação. Propriedade do Exército Brasileiro desde o início da década de 1970, o casarão teve projeto aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC), de acordo com o coronel Sérgio Marrafão. Inicia-se, assim, a fase de captação dos recursos necessários, cerca de R$ 3 milhões. Estamos buscando grandes empresas, avisa o coronel, completando que os 19 cômodos do prédio histórico devem acolher o Centro de Educação Ambiental para formar assessores especializados no assunto. O Exército se divide entre as atividades militares e a preservação da natureza, sentencia Marrafão. Apesar da boa notícia, vale ressaltar que esse é o caso de vários projetos locais, à espera de solução há algum tempo. Um exemplo seria o da segunda fase de restauração da Villa Ferreira Lage no Museu Mariano Procópio.

A proposta de restauro e reutilização da casa-grande da Fazenda Ribeirão das Rosas contou com consultoria da Oscip Programa de Estudos e Revitalização da Memória Arquitetônica e Artística (Permear), em um trabalho coordenado pela arquiteta Mônica Olender. A captação da verba, por meio da Lei Rouanet, será realizada com a ajuda da Fundação Cultural Exército Brasileiro. No final de 2010, o imóvel passou por obras de escoramento, por determinação do Ministério Público Federal, com supervisão de técnicos da Funalfa e da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (SPGE).

Construído em 1751, o sobrado possui estrutura autônoma de madeira e vedação de pau-a-pique. Localizado em um dos pontos do Caminho Novo, hospedou Dom Pedro I e a Imperatriz Dona Maria Amélia em 1831. O casal seguia viagem para Vila Rica (Ouro Preto) e passou uma noite no local. Registros também apontam que ali funcionou um posto de fiscalização do pedágio cobrado pelo transporte do ouro.

Proposta para Solar dos Colucci necessita de ajustes

Um ano após ser divulgado pela Tribuna, o projeto de restauro e reutilização do Solar dos Colucci ainda não saiu do papel. A Santa Casa, dona do casarão (erguido no final do século XIX, na Avenida Rio Branco, ao lado do hospital, e tombado em 1999), pretende fundar no espaço o primeiro museu da saúde de Minas Gerais, por meio da Lei Rouanet. Segundo o presidente da instituição, Renato Villela Loures, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), depois de avaliar a proposta, solicitou um parecer do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac). No momento, estamos aguardando esse documento, diz Loures, completando que as intervenções incluem o entorno e a capela.

De acordo com o diretor da Divisão de Patrimônio Cultural (Dipac) da Funalfa e vice-presidente do Comppac, Paulo Gawryszewski, o projeto – elaborado, conforme Loures, por uma empresa do Rio – necessita de adequações. É de interesse do Comppac emitir essa análise o mais breve possível, afirma. Toninho Dutra, presidente do conselho, explica que o mesmo se reúne mensalmente e, por isso, não tem condições de liberar os processos com muita agilidade. Além disso, trata-se de uma construção tombada, que precisa de materiais específicos para o restauro. A avaliação é detalhada e conta com olhares diferentes. Como acrescenta Dutra, o Comppac aprova a iniciativa da Santa Casa, para a qual já solicitou algumas providências, embora não tenha direcionado parecer oficial.

Segundo Mário Ferrari, diretor da 13ª Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em São João del-Rei, a proposta encaminhada pela Santa Casa não continha as plantas da edificação, não sendo, propriamente, um projeto de restauração arquitetônica. Embora estivesse entre as documentações uma carta do Comppac manifestando-se favorável à ideia, não havia aprovação oficial. O que pedimos é que toda a documentação básica seja anexada. Como analisar a compra de determinado número de luminárias se não temos a planta para conferir? Ficamos sem parâmetro, observa Ferrari.

Com relação à sede da Fazenda da Tapera, na Rua Alencar Tristão, em Santa Terezinha, também pertencente à Santa Casa, Paulo Gawryszewski informa que, há mais ou menos um ano, o Comppac teve acesso a um projeto de recuperação, mas não o considerou adequado. Isso aconteceu na época do escoramento, menciona Gawryszewski, referindo-se às obras emergenciais realizadas no final de 2010. Segundo a assessoria da Santa Casa, a proposta de restauro, ainda não enviada ao Iphan, passa por ajustes, conforme as indicações do conselho.

De acordo com Renato Loures, o imóvel deve acolher ações para o público infantil. Com características da arquitetura setecentista, a antiga sede da Fazenda da Tapera data de 1700, sendo a edificação mais antiga do município. O diretor menciona ainda que a intenção é iniciar as duas obras juntas, assim que forem aprovadas.