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Levado pelas palavras


Por Fernanda Sanglard

13/04/2011 às 07h00

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Baseado no cotidiano. Assim poderia ser a curta descrição do novo livro de Ronaldo Werneck. O cinema, a música, outros textos, as produções artísticas desenvolvidas pelos amigos, tudo é aproveitado pela chama da imaginação do cronista e o inspira ao apostar no benefício da dúvida para elaborar "Há controvérsias 2", livro que a editora paulista Arte Paubrasil lança hoje, às 19h, na Planet Music. Em seguida, o autor parte para divulgar a obra em Cataguases, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

"Nada é certo. Acho que ‘eu não sei’ é uma frase fundamental ligada a essa ideia da controvérsia. Pois não há verdade absoluta, e as pessoas precisam duvidar para seguir em frente", explica o autor ao defender que o controverso geralmente é mais produtivo que o unânime. O título vem como continuidade do livro anterior "Há controvérsias 1" (2009), também de crônicas, e tem origem no nome da coluna assinada por Werneck no "Jornal Cataguases", onde trabalha.

Nascido na cidade mineira de Cataguases, Werneck, 67 anos, partiu para o Rio de Janeiro no início da juventude. Depois de ter atuado como jornalista e crítico de cinema, ter escrito para "O Pasquim", "Última Hora Revista", "Jornal do Brasil" e "O Globo", entre outros veículos e, recentemente, blogs, o escritor voltou para a terra natal há cerca de dez anos.

Todas as histórias vivenciadas por ele e pessoas que de certa forma marcaram sua vida valem como matéria-prima para seus escritos, sempre com um toque de bom humor. A obra dos cineastas Federico Fellini e Jean-Luc Godard serve de inspiração, assim como a experiência de ter sido preso na época da ditadura e as amizades com artistas e intelectuais renomados, como Humberto Mauro, Affonso Romano de Sant’Anna, Luiz Ruffato, Leila Diniz, entre tantos outros.

Em 500 páginas, é possível dizer que Werneck ousou mais neste segundo livro, que tem apoio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Talvez tenha sido motivado pela boa notícia recebida no fim de 2010 pela Biblioteca Nacional, que solicitou a reimpressão de 1.200 exemplares do "Há controvérsias 1" para distribuir às bibliotecas de todo o país. Enquanto o número um traz crônicas escritas entre 1987 e 2003, o segundo livro compila a produção de 2003 para cá. "Acho que o ‘Há controvérsias 2’ é mais bem-acabado. Investimos mais na programação visual, que foi feita pelo juiz-forano Marcelo Lopes, para tornar a leitura mais agradável", completa Werneck.

Homem de outro tempo

Outra novidade do livro é a influência da tecnologia na sua execução. O último capítulo "Feedback" nada mais é do que a publicação de comentários sobre suas crônicas enviadas por e-mail por pessoas dos mais diferentes cantos do Brasil e do mundo. A ideia, segundo o autor, é possibilitar o diálogo com o leitor. "A internet de certa forma possibilita isso. Então quis levar para o livro."

Algumas crônicas que integram "Há controvérsias 2" já foram publicadas em sites literários e blogs, mas Werneck diz que ainda pretende liberar outras partes do livro na rede. "Sou um homem de outro tempo, da máquina de escrever. O barulho da datilografia ditava o ritmo dos meus poemas. Foi difícil me acostumar ao silêncio do computador. Mas passei a enxergá-lo como uma máquina de escrever sofisticada e usar das facilidades que ele promove", acrescenta.

Capaz de fazer oito crônicas em 15 dias, como brinca ao exemplificar o funcionamento de sua produção, Werneck diz que escrever é um grande prazer. "Quando escrevo poema é outro papo, porque levo mais tempo. Mas no caso das crônicas, começo a redigir sem saber no que vai dar. Sou levado pelas palavras." Apesar de dizer que costuma aceitar algumas encomendas, o cronista diz que prefere criar com liberdade e sem amarras. A maioria do que compõe o novo livro tem, aliás, esse toque.

 

HÁ CONTROVÉRSIAS 2

Lançamento hoje, às 19h

Planet Music

(Av. Independência 1.522)