Cultural Bar reabre com shows de Onze:20, Helgi e Inácio

Depois de 20 meses sem receber o público, Cultural reabre nesta sexta-feira (12), e casa promete mudança na cultura da noite, começando mais cedo


Por Cecília Itaborahy, estagiária sob supervisão de Wendell Guiducci

12/11/2021 às 07h00- Atualizada 12/11/2021 às 11h07

cultural bar
ONZE:20 volta ao palco do Cultural Bar na reabertura após 20 meses de portas fechadas (Foto: Bernardo Traad/Divulgação)

Sexta-feira. 20h. Sair de casa, já todos prontos, e ir para um barzinho no Centro de Juiz de Fora fazer o famoso “esquenta”. As prosas rolam soltas, as bebidas também. Só por volta da meia-noite é que começa a movimentação para pedir o carro do aplicativo com destino ao Cultural Bar. Até porque, o juiz-forano sabe bem que o show só deve começar pelas 2h da manhã. Não mais. André Luiz Pereira, um dos sócios, conta que, durante o tempo que a casa esteve fechada, as pessoas pediram para que, quando reabrisse, os trabalhos começassem mais cedo. E assim vai ser. As portas do Cultural reabrem ao público hoje, às 20h, com shows de Onze:20, Helgi e Inácio.

Depois de 20 meses fechado, em 29 de outubro o Cultural anunciou que voltaria, mas com algumas mudanças. Além da diminuição da capacidade de pessoas circulando na casa e o uso de máscara obrigatório, propõe-se também uma mudança da cultura da noite. Muitos estabelecimentos, para se adequar aos protocolos sanitários, optaram por alterar o funcionamento. Ao invés de shows, passaram a funcionar como bar ou restaurante, vez ou outra com música ao vivo. André fala que essa possibilidade passou, sim, pela cabeça dos sócios, mas eles fizeram de tudo para não mudar. “O show, o palco, está no nosso DNA. Esse é o nosso diferencial.”

Para a abertura, eles uniram as duas ideias. Um dos motivos para a casa abrir mais cedo, além do pedido do público, é que, agora, tem, também, uma cozinha, com cardápio de comidas e drinks para o começo da noite. O deck do Cultural vai ter mesas para facilitar essa degustação. O costume de ir antes a outro lugar para comer e beber, os sócios esperam, pode ser alterado. Eles apostam que o “esquenta” e o show, agora, serão no mesmo lugar. Mas vai ter a festa naquele chão quadriculado, sim. Em respeito à “cultura do retornar para casa ao amanhecer”, como disse André, o after do show principal está garantido. A ideia é agradar as vontades gerais.

“Festival constante”

Desde sua fundação, ainda em outro ponto da Avenida Deusdedith Salgado, o Cultural sempre teve importância para a construção da cena musical. “A gente fala que o Cultural é um festival constante”, lembra o sócio. Não à toa, a divulgação das bandas participantes seguiu a ideia dos line ups dos grandes festivais. Nela, todos os nomes já confirmados para os próximos finais de semana estão presentes. As pessoas que frequentavam a casa encheram as redes sociais com pedidos de shows.

Nessa primeira leva, André explica que eles priorizaram as bandas da cidade, “para movimentar, primeiro, a cadeia produtiva daqui, girar a produção juiz-forana, que é muito boa”. Cumprindo uma das funções dos festivais, eles vão mesclar as noites com projetos já consolidados e nomes que ainda estão no início desse processo. Na primeira noite, Helgi e Inácio dividem o palco com a banda Onze:20 e after com o DJ Viffon. No sábado, é a vez de Só Parênt, com Samba de Colher, Madhu e DJ Celsin. Domingo, o samba é tratado nacional: Bombocado, Grupo Alquimia, Godim e DJ Viffon. Nesse dia, o trabalho começa ainda mais cedo, às 17h.

“A gente sempre fez uma curadoria. Sempre recebe trabalhos novos, acredita neles e usa o nosso palco para divulgar. Esse olhar diferente para os artistas e a pesquisa no âmbito nacional não mudou”, diz. De maneira parecida, o Circo Voador, no Rio de Janeiro, referência deles, cumpre esse mesmo papel, na formação de público para que as bandas consigam, primeiro, ouvintes na cidade e, aos poucos, ganhando novas dimensões. Depois dessa primeira etapa, chamada de “Reencontro”, André garante que projetos nacionais também voltarão a subir ao palco, mas sempre mesclando com artistas da cidade. “Nosso palco pode, sim, receber todo mundo. A gente quer fazer com que surjam mais pessoas. Um ajuda o outro.”