Um ‘lobo’ ligado na tomada

Cantor vai apresentar clássicos, raridades e novas canções em seu show no eletrificado formato guitarra-baixo-bateria
Essa noite sim. Um dos mais ativos, engajados e polêmicos artistas da música brasileira, Lobão chega a Juiz de Fora para se apresentar neste sábado, no German, com seu projeto Power Trio, em que empunha a guitarra e o violão na mais clássica das formações do rock ao lado de Augusto Passos (baixo e violão) e Armando Cardoso (bateria). O repertório do show, segundo o artista, vai ser composto por novas composições, clássicos e músicas pouco conhecidas de sua discografia. Esta é uma das personas do cantor que vem percorrendo os palcos brasileiros: ele ainda toca o projeto “Lobão sem filtro”, em que se apresenta sozinho, no esquema voz e violão, sendo que cada turnê tem seu próprio setlist. “Um power trio pede um repertório mais guitarrístico, enquanto o ‘Sem filtro’ tem um repertório mais violonístico”, diz ele.
Apesar de mostrar o poder das seis cordas amplificadas em sua turnê com o Power Trio, Lobão se recusa a ser incluído como um defensor da guitarra elétrica num momento em que o rock parece estar a milhas de distância tanto do mainstream quanto das rádios. “Eu não tenho nada a ver com isso! Eu sou Lobão, não pertenço a nenhum segmento. Eu sou livre e lutei por essa minha independência. Toco o que eu quero, como eu quero”, afirma o autor de clássicos como “Mais uma vez”, “A queda” e “Vida bandida”.
Independência das gravadoras, inclusive, voltou a ser o norte na carreira do artista, depois dos projetos “Acústico MTV” e “Lino, sexy & brutal”. Um dos ícones da batalha contra os selos fonográficos na virada do milênio ao colocar seu “A vida é doce” para vender cerca de 100 mil cópias nas bancas de jornais, Lobão apostou no crowdfunding e se deu bem: seu projeto de arrecadação coletiva no site Kickante conseguiu R$ 97 mil, bem acima dos R$ 80 mil necessários para a produção do álbum “O rigor e a misericórdia”, que será lançado em novembro. Os dias de colocar o disco na rua, para ele, ficaram para trás. “O CD encartado em revista se tornou inviável, e por isso mesmo terminei com a ‘Outra coisa’ em 2008 depois de ter lançado mais de 50 CDs inéditos de artistas de excelência da cena independente”, explica. “Como tenho um espírito pioneiro e aventureiro, parti para a experiência com o crowdfunding, que tem me agradado muito.”
Mesmo tendo sido o incentivador de uma geração por meio de sua revista, o cantor não economiza na sinceridade ao expor seu pessimismo em relação a quem procura mostrar seu trabalho atualmente. “Eu lamento muito pelo artista que está começando. Sinceramente, não vejo muitas alternativas para um artista honesto, talentoso e criativo nos dias de hoje. É tudo que um empresário ou gravadora mais repudiam.”
Além do álbum, mais um livro
Em seu novo trabalho, o cantor compôs todas as letras, tocou todos os instrumentos e ainda foi o produtor do álbum. “É minha primeira aventura nesse estilo, e tudo foi gravado no estúdio que montei na minha casa. Passei dez anos me preparando para isso. O disco só sai no final de novembro, após o lançamento do livro gêmeo (‘Em busca do rigor e da misericórdia’, pela Record), que é uma jornada dentro da feitura, produção e composição do novo álbum”, destaca Lobão, que tem frequentado nos últimos anos a lista de livros mais vendidos graças à autobiografia “50 anos a mil” e “Manifesto do nada na Terra do Nunca”, em que analisou o Brasil dos últimos anos.
LOBÃO
POWER TRIO
Neste sábado, às 23h
German
(Rua Roberto Stiegert 10 – São Pedro)









