Reafirmação do lugar de pertencimento
Encontro Nacional Mulheres da Roda de Samba acontece neste sábado, e JF é uma das 25 cidades brasileiras que integram o show que homenageia Elza Soares
Neste sábado (12), artistas de 25 cidades brasileiras, incluindo Juiz de Fora, vão apresentar um show em formato de roda de samba com transmissão ao vivo nas redes sociais. O evento que evidencia a mulher no samba atravessou as fronteiras nacionais e este ano incorpora participações de mais cinco países: Argentina, Portugal, Itália, França e Japão. A homenageada desta edição é Elza Soares, que integrará a roda com três interpretações junto com o coletivo de mulheres.
O evento teve sua primeira edição em novembro de 2018, idealizado pela cantora Dorina do Rio, e, desde então, acontece anualmente. O objetivo é unir forças diante de tantos movimentos políticos e artísticos que trouxeram para o espaço público e de debate a igualdade de gênero dentro do universo do samba. Andrea Melo, uma das produtoras do Encontro e também cavaquinhista, ressalta que o evento é uma forma de ocupar um espaço do qual antes a mulher só participava sendo anfitriã, servindo a feijoada, cantando ou então sambando. “Mas não na mesa como instrumentista.”

‘Fincamos uma bandeira feminina no samba’
“Esse evento foi um divisor de águas, primeiro porque até então na história de Juiz de Fora e de quase todas as cidades essa reunião e união nunca tinham acontecido”, destaca Andrea, que produz a “perna” juiz-forana do evento com Juliana Stanzani e Cadija Costa. Ela explica que as mulheres da Roda de Samba não são uma banda, e sim artistas independentes que se unem no momento do encontro, e isso reforça a importância desse coletivo. “Nós fincamos uma bandeira feminina no samba, ganhamos o respeito e a admiração de várias personalidades. Hoje as pessoas nos perguntam quando vai ter evento, nos acompanham.”
A Roda de Samba fez nascer em várias mulheres de Juiz de Fora o interesse de aprender a cantar e tocar. O evento gerou o coletivo Cavaco das Minas (@cavacodasminas), um grupo de mulheres que começou a estudar o cavaquinho a partir desse estímulo do evento. “Fizemos o perfil no Instagram para mostrar os nossos processos de aprendizado, e várias mulheres passaram a seguir a conta e perguntar ‘então eu ainda tenho tempo de aprender?'”. Para Andrea, o grupo passou a ter esse papel de empoderar outras mulheres, de fazê-las acreditar que também são capazes de aprender algo novo. Criou-se então uma rede de possibilidades.
Batuque na roda
Fabrícia Valle, que atua há 15 anos com percussão na cidade e região, dando oficinas e integrando o grupo Matilda, vê no Encontro Nacional Mulheres na Roda de Samba “uma reafirmação de lugar de pertencimento e, de uma certa maneira, de uma inserção da mulher como protagonista no cenário musical do samba.” Fabrícia coordena no evento o Batuque na Roda (@batuquenaroda_), um projeto didático no qual as pessoas podem vivenciar a roda de samba como uma experiência de troca e aprendizagem entre todas as participantes. O projeto, a exemplo do Cavaco das Minas, já se desenvolve a partir de encontros semanais. “(A intenção é) aprender a lidar com a roda e adquirir essa prática do coletivo, tocar em grupo, ouvir a outra e saber entrar na música.”

Mulheres da Roda de Samba
O encontro acontece ao vivo neste sábado (12), a partir das 17h, na página do Facebook Mulheres na Roda de Samba.









