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Música que revela


Por JÚLIO BLACK

11/12/2015 às 07h00- Atualizada 11/12/2015 às 08h29

Para a cantora e compositora, novo trabalho mostra uma artista que evoluiu em relação ao seu primeiro álbum, de 2010

Para a cantora e compositora, novo trabalho mostra uma artista que evoluiu em relação ao seu primeiro álbum, de 2010

Diz-se que o artista se expõe por meio de sua obra, seja revelando seus sentimentos mais íntimos ou sua visão sobre o mundo, política, religião, o nada e outras questões fundamentais. Mas o quanto uma canção, por exemplo, pode dizer mais sobre quem a ouve que – a princípio – aquele ou aquela que a escreveu? Esta pergunta sem resposta pode ser conferida em “Meu canto é segredo”, segundo álbum da cantora Uiara Leigo, que terá show de lançamento nesta sexta-feira no CCBM. Sucessor de “Pedra bruta” (2010), o novo trabalho da artista foi gravado entre outubro de 2014 e fevereiro de 2015 no Nave Estúdio por meio da Lei Murilo Mendes e reúne 12 composições de Uiara, que formam a principal parte do repertório da apresentação desta sexta, que contará ainda com algumas canções do primeiro disco. Para o show, a cantora e compositora será acompanhada por Rick Vargas (percussão), Caetano Brasil (instrumentos de sopor), Adalberto Silva (baixo), Geison Vargas (bateria) e Hérmanes Abreu (violões), diretor musical do espetáculo e produtor do álbum.

Segundo Uiara, a maioria da banda que vai acompanhá-la no show é a mesma que trabalhou na gravação de “Meu canto é segredo”, um pessoal com quem trabalha e tem afinidade há anos. Já Hérmanes é um caso à parte: recomendado por um amigo em comum, ele ouviu as canções da artista e topou encarar a produção do álbum. “Quando nos conhecemos para gravar o CD, foi amor à primeira vista”, diz ela. “Vimos que havia uma afinidade de almas musicais, mesmo ele sendo mais do jazz e eu da MPB. O Hérmanes conseguiu colocar tudo o que eu precisava nos arranjos e melodias que fez para minhas composições, tornou as músicas maiores. Eu costumo dizer que somos meios para que a música passe a ser conhecida, e sempre alguém que as tornasse mais completas, e ele soube dar tudo que elas precisavam, os acordes, os sentimentos”, elogia.

Ainda de acordo com a artista, o processo de produção muitas vezes consistia em ela enviar a música com uma explicação sobre quais sentimentos queria expressar, e que o retorno era exatamente o esperado – mesmo em canções em que houvesse mais espaço para interpretação, caso de “Na tez”. “Essa foi a última a entrar no disco, e só havia o registro meu de voz e violão. Aí ele foi e colocou cinco instrumentos de sopro, explicando que eles passavam a ideia de urgência que eu queria passar, de quem corre contra o tempo”, conta. “Ele me explicava o motivo de cada nota, acorde, arranjo.”

O segredo que cada um vê

A maioria das canções de “Meu canto é segredo” foi composta antes de Uiara apresentar o projeto para a Lei Murilo Mendes, em 2013, e, segundo ela, representam um momento específico de sua vida. “Era uma época em que tentava me buscar como pessoa, uma coisa comum em nossa geração”, pontua. “E isso só foi aumentando, criando uma linha de composição, e daí surgiu (a música) ‘Meu canto é segredo’. Mas quando você escreve alguma coisa nem sempre a pessoa entende o que se queria dizer; eu mesma, pelo menos, tento interpretar as canções de outros artistas que ouço. No final, cada um vai entender da sua forma e ver o seu próprio segredo”, filosofa.

O espaço entre dois álbuns permitiu a Uiara – segundo ela mesma diz – evoluir como artista. “A diferença em relação ao primeiro álbum é grande, Houve um crescimento nas composições, de melodias, mas sei que ainda posso crescer muito mais. Também acredito que houve um avanço como letrista, e em relação às técnicas de gravação a diferença é enorme. Eu estava em início de carreira, gravei um disco totalmente independente, era muito mais a questão de registrar aquelas canções”, diz Uiara, que atualmente é responsável por todos os aspectos de sua carreira, que vão dos empresariais aos artísticos.

Voltando a falar apenas do álbum, Uiara Leigo diz que seu novo trabalho é repleto de canções mais alegres e aquelas feitas para “abraçar as pessoas”, que tem como exemplo “Donos do destino”. “Quando escrevi a música – ou a recebi do Universo – eu a tocava quando estava me sentindo triste, e hoje todo mundo que ouve sente que ela ajudar a consolar, abraçar”, destaca, fazendo questão de citar dois nomes que foram de grande influência para o novo álbum. “O Caetano Veloso pela liberdade do som, de não impor limite, e o Marcelo Camelo pelas sutilezas, a melancolia. A influência dos dois, junto às orquestrações do Hérmanes, a minha ligação com a música e a cultura afro, a música do Norte/Nordeste fazem com que ‘Meu canto é segredo’ seja bem diferente do que existe por aí. Espero que as pessoas entendam, gostem e se sintam bem ao ouvir o disco”, encerra.

UIARA LEIGO

Sexta-feira, às 20h

CCBM

(Avenida Getúlio Vargas 200)