Nacionais e fantásticos

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Adicionar Tribuna de MinasPresentes há gerações na tradição oral, os personagens da mitologia brasileira são descritos sob outros olhares na obra Brasil fantástico – Lendas de um país sobrenatural, lançada com selo da editora Draco, neste sábado, às 12h30, na Taberna Conclave. Lendas nacionais, como as que relatam a aparição de seres como o Curupira, o Saci, o Boi-Tatá, a Cobra Grande, entre vários outros, integram a coletânea organizada pelo escritor e jornalista Clinton Davisson, a jornalista Grazielle de Marco e a pedagoga Maria Georgina de Sousa, assumindo roupagem adulta e mais moderna.
A seleção dos 11 contos reunidos na obra – que traz prefácio de um dos grandes nomes do gênero fantástico no país, André Vianco – levou cinco meses, segundo Davisson. Mais de cem contos foram enviados de várias partes do mundo, como Estados Unidos, Japão, Portugal, Cabo Verde e Angola, além do Brasil. A ideia de revisitar as lendas e buscar novas abordagens é um desafio na visão dos organizadores, que ressaltam ainda a importância de contribuir para a preservação da identidade brasileira.
Entre os selecionados, está o estudante de letras da UFJF, Renan Duarte, de Ipatinga, com o conto O rapaz misterioso, uma versão aterrorizante sobre a lenda do Boto. A original nada tem a ver com o terror. Achei que seria interessante abordar a história em uma releitura, de uma forma que não estamos acostumados a vê-la, diz Duarte, único mineiro que participa da coletânea.
Na história do estudante, um rapaz de fora chega a uma festa de casamento no interior. Um coronel, que vive da extração do látex, logo percebe que há algo de errado com o rapaz encantador, mas o forasteiro vai se mostrar uma figura mais perigosa do que o homem supunha. Quis subverter essa ideia do príncipe encantado, para um homem que escondesse uma realidade mais assustadora, explica o autor.
Duarte conta que se deparou com a seleção por acaso na internet e logo inscreveu o conto, que já estava pronto. Interessado por literatura fantástica e pela linguagem de quadrinhos desde criança, o jovem de 23 anos encontrou na rede pessoas com o mesmo gosto, que se juntam para trocar informações e dar vida a tais histórias. Foi uma surpresa ser selecionado para a coletânea, já que publicar por conta própria é, muitas vezes, inviável, diz o autor, que está inscrito em outros projetos do gênero e se dedica a escrever novas histórias. Participar de um trabalho com pessoas de diversas partes é muito bom, pois cada um tem um jeito diferente de contar histórias. Como somos de regiões diferentes, somos influenciados por culturas diferentes e trazemos isso para os nossos contos.
Além do mineiro, a obra conta com dois gaúchos, uma carioca (Maria Helena Bandeira, neta de Manuel Bandeira, falecida em janeiro deste ano), um mato-grossense, uma autora de Florianópolis, além de escritores de Portugal e Estados Unidos. Christopher Kastensmidt, norte-americano residente há dez anos em Porto Alegre, é um dos participantes com o conto A Copa dos mitos. Kastensmidt foi finalista do Nebula – premiação que destaca, anualmente, os melhores trabalhos de ficção científica e fantasia publicados nos Estados Unidos – na categoria melhor noveleta, com a história O encontro fortuito de Gerard Van Oost e Oludara.
BRASIL FANTÁSTICO – LENDAS DE UM PAÍS SOBRENATURAL
Lançamento sábado, às 12h30
Taberna Conclave
(Rua Padre Café 273 – São Mateus)









